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De feitiços e feiticeiros

Data: 15 março 2013 - Hora: 18:07 - Por: Alex Medeiros

Por Dora Kramer

Usada e abusada nas duas últimas campanhas presidenciais, carregada para cima e para baixo nos dois primeiros governos do PT a fim de que o então presidente Luiz Inácio da Silva se apresentasse como uma espécie de Getúlio Vargas revivido aos olhos da História em retrospectiva, a Petrobras vai assumindo lugar de destaque no antecipado embate de 2014.

Dessa vez, porém, com sinal trocado: é a oposição que carrega a empresa para o centro da cena. Sem os mesmos instrumentos porque não tem o governo nas mãos para anunciar grandes feitos (em geral ao molde de mercado futuro), o provável candidato do PSDB, senador Aécio Neves, igualmente exagera ao comprometer-se a entrar numa guerra para “salvar o País” por meio da recuperação da Petrobrás.

Mas, fato é que vem batendo na mesma tecla do mau desempenho da companhia traduzido na queda do valor no mercado financeiro, na perda de pontos no ranking mundial, na redução acentuada dos lucros, na diminuição da capacidade de investimentos, no aparelhamento e uso político da empresa.

Neste último aspecto, o PT de certa forma passou recibo ao responder à provocação do adversário por intermédio da presidente da Petrobrás, Graça Foster. Para não corroborar a acusação do PSDB, ela deveria ficar fora disso. Talvez o PT tenha avaliado que, ao divulgar uma entrevista dela no site do partido, tenha dado um caráter “técnico” à resposta.

Os tucanos agora parecem dispostos a ir à forra, já que em 2006 e 2010 o PT conseguiu votos e espaço acusando o PSDB de querer privatizar a Petrobrás. A versão aí se sobrepôs ao fato de que nunca foi essa a intenção. Agora que os resultados são ruins e o tão festejado pré-sal nada rendeu ainda além de discórdia entre Estados e forças aliadas, é como se o feitiço tivesse virado contra o feiticeiro.

O PT, contudo, tem tempo e, sobretudo, ferramentas para encontrar um antídoto: a máquina federal, o prestígio da presidente Dilma Rousseff e nenhum pudor de usar o governo para fins eleitorais.

Mão do gato. A presidente Dilma manipulou o poder de veto para rejeitar a proposta (de iniciativa do PSDB) de desoneração dos produtos da cesta básica, aprovada pelo Congresso no ano passado.

Meses depois, usou o espaço reservado ao chefe da Nação em rede nacional de rádio e televisão para comunicar a decisão do governo de desonerar os produtos da cesta básica.

Ainda que se pudesse abstrair a existência de leis que falam na igualdade de condições em disputas eleitorais, impossível não levar em conta a realidade de absoluta e abusiva desigualdade.

Por isso mesmo soa graciosa a versão de que o “Palácio do Planalto” considera “eleitoreira” a proposta do governador Eduardo Campos de buscar uma saída negociada entre Estados produtores e não produtores de petróleo, para a crise dos royalties.

O objetivo dele pode até ser – e parece mesmo ser – construir plataforma de lançamento entre os colegas, mas o governo federal não é exatamente credenciado para desqualificar atos dessa natureza.

Instantâneo. No quesito nó em pingo d’água: o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, saiu-se como protagonista da reunião de quarta-feira dos governadores no Congresso, cujos mestres de cerimônia – Henrique Alves e Renan Calheiros – foram mantidos à distância do PSB nas respectivas eleições para presidentes da Câmara e do Senado. (DK, no Estadão e Gazeta do Povo)

 

Papa Chico
“É a pretensão destrutiva do plano de Deus”. A frase do papa, ainda como bispo em Buenos Aires, é a sua definição para o casamento gay. Sobre a adoção de crianças por dois homossexuais, Bergoglio disse que era “uma discriminação contra as crianças”.

A choldra pira
Se anularam em 24 horas as acusações contra o papa Francisco repetidas ao léu pela esquerda brasileira e argentina. Os registros históricos provam que ele ajudou perseguidos e o próprio Adolfo Esquivel, Nobel da Paz, confirmou o fato real.

Brasil, zil
“O país hoje é movido por corrupção, pirotecnia política e pelo calendário eleitoral”. As aspas são a síntese da conversa que presenciei entre dois dos melhores cientistas políticos do RN, Moisés Domingos e Homero Costa, ontem à noite num restaurante.

Corrupção
Leio nas páginas que o Ministério Público de Minas Gerais não quer investigar Luiz Inácio a partir das revelações de Marcos Valério. Será que o MP do RN vai atrás dos R$ 500 mil/ano do programa de proteção à testemunha, divididos por dois esquerdopatas?

Ruim em tudo
Num mesmo dia, ontem, o Brasil se destacou como republiqueta em dois diferentes rankings mundiais. Além da vergonhosa 85ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o futebol patina no 18º lugar, atrás até do Equador.

Copa 14
Um dos maiores zagueiros da história do futebol, o brasileiro Luís Pereira, há anos um dos grandes ídolos do Atlético de Madrid, é destaque na edição de hoje do El País, onde deixa claro a temeridade de que aconteça um novo “Maracanazzo” em 2014.

Arroz de festa
E o governo do PT não se contenta apenas em promover filmes chinfrins como penetras no Oscar. O lobby oficial conseguiu instalar o cientista bajulador numa feira literária na Alemanha, no meio de grandes nomes da literatura contemporânea brasileira.

Críticas
Consagrado como autor e jornalista, Marcelo Rubens Paiva circula pela Feira Literária de Frankfurt, sem entender a presença do neuropetralha, que responde as críticas do colunista do Estadão trocando posts com três ou quatro seguidores abilolados.

A lista
“Esse tipo de lista privilegia quem está na mídia, quem é da Companhia das Letras, dos grupos universitários. Faz muito tempo que o valor da obra não significa nada”, diz na Folha João Silvério Trevisan, traduzido em três idiomas, mas fora da listinha.

O negro Omar
Após consagrar-se com “Os Intocáveis”, a mais popular obra do cinema francês, o ator Omar Sy (que já foi convidado para integrar a nova saga dos X-Men) está nas telas com “Incompatíveis”, uma referência aos atores Eddie Murphy e Jean-Paul Belmondo.

Jornalismo
A estréia do Portal No Ar, na segunda-feira, e o retorno do site No Minuto, em abril, são duas boas notícias no mercado da comunicação após o triste fechamento do Diário de Natal. Que os dois veículos virtuais estimulem novas opções de trabalho em Natal.

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