De fortes e fracos
Sempre imagino, Senhor Redator, que os fortes não têm olhos aguçados para bem enxergar a força dos fracos. Ou subestimam, como se não encontrassem na fraqueza uma única qualidade, ou os desprezassem convencidos de que os fortes nada precisam temer. Chego a pensar que aos fortes faltou na juventude a metáfora de um herói. Um Superman. O herói tímido que diante do mal se transforma e se agiganta, e na sua ira enfrenta os fortes, o que, de resto, é sempre o traço encantador da fantasia.
Os fortes não sabem, por exemplo, que os estudiosos atribuem a Superman e sua luta contra o mal, a força que ajudou a retirar a América da grande depressão nos anos trinta. Por parecer fraco, foi forte contra os nazistas que oprimiam o mundo e, nos anos cinquenta, enfrentou a onda comunista a conquistar os corações rebeldes. Outro dia mesmo, nos setenta e cinco anos do Superman, foi contada essa história – de como fascina a saga de um fraco que se torna herói numa visão puramente alegórica.
O paralelo faz sentido, Senhor Redator, na medida em que os governos fortes se acham acima de todos os fracos. Eles desrespeitam o adágio velho como a noite de que os fracos reunidos em torno de uma causa justa e movidos por uma ira santa se tornam fortes, ainda que cada um, individualmente, seja fraco. É o princípio do unidos venceremos que funciona como um catalisador capaz de cimentar a força que nasce de cada um. Aquele grito do povo unido que jamais será vencido, creia, é verdade.
No caso do Superman, tem sido longa a discussão em torno de suas semelhanças com mitos e figuras bíblicas. Por sua força, parece com Sanção que só se abate diante da Kryptonita, a pedra verde que consome as suas forças. Ou Hércules, deus da mitologia grega. Ou Moisés, o menino que entregue às águas do Nilo sobreviveu e voltou para salvar seu povo. Há até quem veja como estereótipo de um judeu, tanto que os nazistas chegaram a temer sua capacidade de persuasão na Alemanha de Hitler.
Dizem que Hollywood, com o tempo, como escreveu Silas Martí, suavizou a figura do herói e quase transformou em um novo Jesus Cristo. Talvez nascido daquele arquétipo do ‘judeu fraco, tímido e intelectual que depois se revela um grande herói’, como afirma Harry Brod. Na verdade, Superman não foi inspirado num pássaro ou num avião. Ele nasceu de um jovem atleta, de queixo bem quadrado e proeminente, que Joe Shuster e Jerry Siegel desenharam quando estavam numa estação de férias.
Claro que tudo depende das circunstâncias. A causa precisa ser justa e a ira há de ser santa. É indispensável. Do falso a luta não brota. Não irrompe. E se a democracia com as suas contradições não agradar, assim será. Sempre. Cabe a quem conquista o governo não transformar o ato de governar num exercício injusto de poder. Governo e poder já não são sinônimos. Como foram no tempo em que as forças populares estavam amordaçadas. Um governo só será legítimo se for capaz de fazer o bem.
DRIBLE – I
Foi perfeito o drible do governo para evitar a secretaria de recursos hídricos nas mãos do PMDB. Para sair do impasse combinou com o DEM o mesmo desejo. Para não ser por um veto a Elias Fernandes.
FICOU – II
A vaga da agricultura que passou a ter a chancela do PMDB, uma pasta sem recursos que vai depender da força do deputado Henrique Alves em Brasília. O PMDB, na verdade, ficou como antes. Sem nada.
RAMPA – I
Oito empresas já compraram o edital de concorrência do Museu da Rampa com investimento previsto de R$ 8,3 milhões de reais. O plano do governo é aprontar a restauração e a instalação em 18 meses.
SONHO – II
Para o governo, não basta o museu. É preciso criar atrativos nacionais e internacionais como dispor de um avião tipo Catalina para um vôo panorâmico na cidade e depois amerissando nas águas do Potengi.
MUNDO – III
O embalo começa com a contratação do casal de atores da novela Flor do Caribe como ícones para a campanha de âmbito nacional e internacional. Talvez tenhamos a versão televisiva ‘Rosa do Caribe’.
ALÉM – IV
Disso o trade que não faz por menos a sua capacidade de ter devaneios, quer restaurar 91 hectares do sítio histórico Ribeira-Cidade Alta, recuperando prédios antigos, as fachadas, ruas e becos históricos.
LIMITE – V
Tomara que o governo invista todos esses milhões depois de enfrentar de fato as questões da violência, saúde, seca e educação. Pelo jeito o governo dispõe de muitos recursos, mas prefere vender aperreio.
AVISO
O arquiteto Paulo Heider prepara dois livros para este ano: a Arquitetura Tradicional de Acari e sobre acervo arquitetônico histórico do Rio Grande do Norte. As edições serão pela Fundação José Augusto.
LIVRO
Definidas as datas das três feiras do livro: Mossoró de 7 a 11 de agosto; Caicó de 26 a 28 de setembro e Natal, a Feira de Livros e Quadrinhos, de 22 a 25 de outubro. Agora é esperar pela festa dos livros.
TARIFA
Lá vem bala: os empresários dos transportes coletivos afiam as facas para um novo aumento de tarifa para os usuários. E já partem de uma alegação que nasce no aumento de 10% no preço do óleo diesel.
FRANKFURT
A secretária Isaura Rosado quer reunir as forças dos editores locais para saber se tomam, em parceria com o governo, marcar presença na feira do livro de Frankfurt com presença de 70 autores brasileiros.
SACADA
A deputada federal Sandra Rosado acertou no seu projeto de lei que propõem o desconto no imposto de renda das despesas da família com a educação. Vale para os cursos formais e para os cursos livres.
TOUROS
O deputado Ricardo Mota não chegou a Touros de mãos vazias para presidir a reunião da Assembléia Legislativa itinerante. E anunciou a pavimentação da estrada de Touros a Rio do Fogo. Fez muito bem.
RETRATO
Enquanto o trade oficial continua as fabulações rumo ao devaneio, Natal perde mais cinco vôos diários da Tam e Gol. Mas, em compensação, estamos lutando para um direto de São Gonçalo para Istambul.


