De governança – Vicente Serejo

Tem sido veemente o presidenciável Eduardo Campos ao pregar, como o profeta da renovação, um novo modelo daquilo que chama…

Tem sido veemente o presidenciável Eduardo Campos ao pregar, como o profeta da renovação, um novo modelo daquilo que chama nova governança. Quer ele dizer, como parece, que é preciso adotar um novo jeito de governar, como se a substituição do gestor fosse o suficiente para renovar o modelo republicano. A intenção pode ser boa, mas não bastará sem novo pacto federativo para corrigir a hipertrofia que agigantou o governo federal e debilitou a saúde financeira dos estados e municípios.

Quando defende mais competitividade para o setor privado não se sabe se desconhece a baixa qualidade das estruturas do setor público, como adverte o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Medeiros, ou se conhece, mas subestima, a força negativa que exerce sobre uma renovação que precisaria ser ampla e vigorosa. Ou como escreve Medeiros, o problema não é de diagnóstico, mas de ação capaz de vencer a inércia de mais de um século desta pobre vida republicana.

A questão cabe por inteiro na retórica dos nossos parlamentes federais quando se esmeram na promessa de projetos de lei para isso e para aquilo. Mesmo aqueles justos, e que acabam aprovados e executados pelo Governo Federal, na prática nascem de novos aportes e desonerações cortados na boca do cofre dos recursos dos Estados. As novas ideias sempre encolhem o tamanho tributário de estados e municípios, embora o espetáculo midiático seja bom massageador do ego de senadores e deputados.

Para corrigir as distorções desse falso federalismo que se estende por mais de um século há que se pensar num novo pacto federativo, com a redefinição do papel de estados e municípios, sobretudo de suas magnitudes no conjunto da riqueza tributária a ser distribuída. Do contrário, o Governo de Brasília continuará a grande mãe doadora de estados e municípios, transformados em filhos-carentes a espera de ajuda aqui e ali, de acordo com o prestígio de cada parlamentar ou nas calamidades públicas.

Mas, para realizar um novo pacto federativo é preciso antes promover a renovação dos quadros políticos e técnicos. Por consequência, não se pode pretender mudar um padrão de governança a partir de políticos defensores de ideias velhas. São eles que ao longo de cem anos defendem a manutenção do status quo econômico como forma de manter o espaço de mando. Mandonismo que é a manutenção do jogo de poder que eterniza a estratégia da dádiva e não da governança partilhada e democrática.

Não foi à toa que Steve Wozniak, cofundador da Apple, na sua recente visita ao Brasil, acabou surpreendendo a todos, quando declarou: ‘Só as pessoas são capaz de enxergar e projetar o novo. Não existe computador, máquina ou inteligência artificial capaz de pensar fora da caixa. Este é um atributo humano’. O problema é como enxergar e projetar o novo com políticos de ideias velhas, preocupados em manter as vantagens e não em promover o exercício da política como uma prática de libertação.

UNHAS – I

Nas redes sociais as primeiras unhas já estão de fora. Com mais alguns dias virão as garras, até fim de agosto os punhais. A disputa pelo Governo e Senado se revela uma luta mais radical do que se pensa.

SEGUNDO… II

Próceres de um lado e outro da luta, os dois exércitos guardam adesões que só serão divulgadas dentro de mais alguns dias. Quando for iniciada a propaganda pela tevê e com a garantia de forte divulgação.

TÁTICA

A TAP, a companhia aérea portuguesa, e única que opera em Natal com vôos para a Europa, lançou passagens com redução de preços de agosto até abril do próximo ano. Exceto carnaval e semana santa.

EFEITO

Explodiu como um fato inesperado a declaração do ex-deputado Paulo de Tarso Fernandes declarando apoio ao deputado Henrique Alves. Desta vez a luta local, em Santana do Mato, favoreceu ao PMDB.

TIRO

Convenhamos: saiu-se bem a ex-governadora Wilma de Faria quando desafiou o PT a vencê-la pela disputa do voto. A denúncia de inelegibilidade do PT à Justiça Eleitoral foi um chute na trave. E pífio.

ORA

Não cabe na cabeça de ninguém de bom senso que candidatos no período vedado a assumir um cargo público executivo venha a ser punido por preservar o direito de ser candidato. Como determina a lei.

EFEITO

O fato não só revela uma absoluta inconsistência jurídica. Vai além. Mostra que a campanha vai ter no plenário da Justiça, e não nas ruas, o campo de luta. O que só judicializa esta já combalida democracia.

ATOR – I

Está nas suas memórias – ‘Cinquenta anos esta noite’, Record, SP, 2014: o ex-governador José Serra foi o palhaço na peça ‘O Auto da Compadecida’, de Ariano Suassuna, no Grupo Teatral Politécnico.

ALIÁS – II

Ele registra logo à página 28, ao citar o episódio do suicídio de Getúlio Vargas, que o nosso Café Filho foi cooptado pela direita para tentar impedir a posse de Juscelino, mesmo este eleito pelo voto direto.

AGENDA

Dificilmente o governo deixa, concluída e instalada, a Biblioteca Câmara Cascudo. É assim que nossa biblioteca pública completa 30 anos sem receber livros. E pior: agora sem sequer abrir as suas portas.

CAUSOS

Vai ser quinta-feira, comecinho da noite, o lançamento do novo livro de ‘Causos’, do doutor Valério Mesquita. A festa do autógrafo será no salão da Academia Norte-Rio-Grande de Letras, na rua Mipibu.

FEIRA

Filho de feirante e feirante, hoje DJ e chef de cozinha, Júlio Bernardo reuniu em ‘Feira Livre’, pela Companhia das Letras, crônicas sobre produtos da feira numa bela polifonia de cores, cheios e gostos.

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