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De Mulher para Mulher

Data: 08 março 2013 - Hora: 18:22 - Por: Carolina Souza
Com mais de 20 anos de diferença de idade, Flávia Pípolo e Josefa Tertulino são exemplos de mulheres que conciliam o papel de esposa, mãe, profissional e mulher. Foto: Wellington Rocha

Com mais de 20 anos de diferença de idade, Flávia Pípolo e Josefa Tertulino são exemplos de mulheres que conciliam o papel de esposa, mãe, profissional e mulher. Foto: Wellington Rocha

Não importa o ângulo que se olhe: as diferenças físicas e psicológicas entre homens e mulheres são evidentes e substanciais. Elas percebem o mundo através do próprio gênero, processando informações de maneira diferente. Ouvem, adquirem conhecimento e usam a língua a seu modo. Abordam o mundo e enfrentam os problemas a partir de várias perspectivas. De mulher para mulher: elas adoram trocar ideias, temores, sonhos, e mais do que tudo, sentimentos.

“Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda!”, diz uma das canções mais emblemáticas da Música Popular Brasileira. Há aproximadamente um século, é comemorado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Apesar de incerta, as várias origens desta data estão associadas às reivindicações do sexo feminino por uma vida uma mais digna e menos desigual.
A comemoração dá voz à luta contra qualquer forma de preconceito, seja ele sexual, racial, cultural ou econômico. A batalha enfrentada pelas representantes do – erroneamente intitulado – sexo frágil está longe de acabar. Porém, cada vez mais as mulheres mostram a sua força sob diversos ângulos, jeitos, cores e faces.

Flávia Pípolo e Josefa Tertulino. Uma arquiteta/blogueira, outra comerciante/dona de casa.Com mais de vinte anos de diferença entre uma e outra, ambas compartilham a mesma alegria de serem esposa, mãe, profissional e mulher.”A mulher já sofreu muito na vida e eu sei muito bem do que estou falando. O lugar que ocupamos hoje na sociedade, apesar de ainda ser pouco para nós, é muito merecido. Que me perdoem os homens, mas nós somos mais inteligentes”, afirmou a simpática Josefa, com um grande sorriso no rosto – sorriso esse que esconde uma longa história de batalha.

Casada há 29 anos com o mesmo homem, a quem lhe demonstra muito respeito e cordialidade, Josefa Tertulino, natural de Angicos, veio para Natal ainda jovem e já morou em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro para “tentar” uma vida melhor. “Sempre trabalhei muito para dar boas condições de estudo para as minhas duas filhas. A mais velha sempre estudou em escola pública e a mais nova conseguiu cursar o ensino médio em colégio particular. Hoje uma é concursada dos Correios e a caçula se formou em Medicina pela UFRN”, relembrou a senhora de 57 anos.

Para pagar a escola particular e cursinho da filha, Josefa disse que precisou trabalhar na rua como comerciante informal. “Passei quase sete anos em Natal vendendo café da manhã e almoço em um ponto na rua. Só eu e o meu esposo. Minha vida foi muito sofrida, mas graças à Deus eu consegui dar a volta por cima e ver minhas duas filhas bem, casadas e me abençoando com netos lindos”, disse.

Atualmente, a senhora de sorriso largo e o esposo José sustentam um ponto no Mercado Antônio Carneiro, no Alecrim, onde estão há mais de um ano. Ambos acordam por volta das 5h para poder abrir o comércio às 6h30 e começar a preparar um saboroso cardápio matinal. “Ficamos até umas 15h. Depois limpamos todo o espaço e voltamos para a casa. Minhas filhas não querem que a gente trabalhe mais, mas é muito ruim ficar em casa sem fazer nada. Pelo menos aqui eu estou me sentido ativa”, afirmou.

Perguntada sobre a vaidade, Josefa é direta: “Nada, não sou muito vaidosa. Quando era mais jovem ainda me preocupava mais em estar bonita. Mas meu marido também não liga muito para isso. Ele é um homem muito bom. Graças a Deus nunca tivemos nenhum problema”. Entre brincadeiras sobre traição, ela disse que se garante. “Tenho certeza que ele nunca me traiu. Sou uma mulher completa, realizada. Não preciso de muito para ser feliz”, disse.

O perfil de Josefa Tertulino é traçado por uma história de muito trabalho e pouco aproveitamento, realidade comum a muitas mulheres brasileiras que vivem em função da prole. Com uma representação mais voltada para mulher moderna e descolada, Flávia Pípolo reflete um outro lado das mulheres: antenadas, dinâmicas e sem medo de se arriscar perante as surpresas de um mundo cada vez mais tecnológico.

Independente, a jovem mulher diz se encaixar no perfil daquelas que não nasceram para ser donas de casa. “Cresci tendo como exemplo a minha avó sendo dona de casa (morei com ela e com minha mãe). Mas não foi por isso que eu me tornei uma. Na verdade, esse nunca foi meu desejo. Apesar disso, cresci em uma época em que as mulheres já eram bem independentes. Hoje me encaixo nesse perfil de total independência. Posso ser ‘dona de filhos’, mas ‘dona de casa’ jamais!”, afirmou.

Mesmo sem ter o perfil de “mulher do lar”, Flávia garante que consegue conciliar todos os papéis inerentes ao sexo feminino. “É possível conciliar o papel de esposa, mãe e profissional. Não é uma das tarefas mais fáceis, mas somos ‘mulher maravilha’. Conseguimos assumir esses papéis”, disse. A arquiteta nos contou que geralmente passa a tarde inteira na rua, mas sempre que pode leva os três filhos.

Pela manhã eles estão na escola, enquanto eu aproveito para fazer minhas coisas pessoais como atividade física, salão, estética, etc. Quando preciso viajar para eventos, o pai assume o papel de ‘pãe’”, afirma, com muito bom humor. Apesar de ter uma formação acadêmica de grande vislumbre, a profissão de arquiteta na vida de Flávia praticamente inexiste. O motivo do abandono seria o que hoje é o seu cartão de visita: o Blog da Flávia, um espaço reservado para moda, estilo de vida e cuidados com a beleza.

“Exerci arquitetura por um bom tempo. Quando resolvi ter um blog, em 2010, não imaginava tamanha proporção que isso fosse chegar a ter. Criei o blog sem perspectiva de abandonar minha profissão, mas sim de tê-lo como um hobby. Porém, ao contrário do que imaginei, ele acabou sendo parte fundamental da minha vida e responsável por todas as mudanças dela”, afirmou.

O Blog da Flávia (www.blogdaflavia.com.br) é hoje um dos mais acessados no mercado da moda, voltado para o público feminino sem idade específica. Personagem principal da sua própria vida, Pipolo agregou respeito e reconhecimento em torno de sua imagem de mulher. “As pessoas têm curiosidade de saber o que você faz, o que veste, onde você foi… tipo um BBB (Big Brother Brasil). Mas o mais interessante é poder ajudar as pessoas a se vestirem, a terem ideia do que elas têm em seus armários e como usar”.

Moda é um tema que sempre une as mulheres. Mas para a blogueira, é necessário ter um pouco de cuidado no mundo do glamour. “Eu tenho um relacionamento muito bom com esse mundo. Mas também tenho os pés no chão. É um mundo muito atrativo, ‘perigoso’. Se a pessoa não tiver a cabeça boa, pode afundar. Mas graças a Deus eu sei lidar muito bem com o glamour”.

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