De Multicultural

Não faz muito tempo escrevi aqui que em certas coisas a gente nasce para não entender. E entre outros mistérios…

Não faz muito tempo escrevi aqui que em certas coisas a gente nasce para não entender. E entre outros mistérios que a pobre inteligência não alcança, listei o tal do carnaval multicultural. Talvez por falta de modernidade, sequer consigo imaginar o que vem a ser. Mas agora, devo reconhecer, ganhei um certo alívio ao ler uma entrevista de Alceu Valença – a quem não se pode atribuir qualquer tipo de cafonice intelectual – muito menos no que se relaciona à ciência foliã do carnaval, tal como há de ser.

Ora, se há uma coisa que a manifestação popular sabe ser é natural. Sem artificialismos, pois quase carregam uma lógica clara por si só. A teoria nasce do olhar erudito e da observação sistemática, assim como a complicação parece nascer fácil nos olhos dos sabichões. Essa visão pretensiosa de pluralismo cultural piorou com deformações geradas pela complexidade de Edgar Morin passada no liquidificador da cozinha acadêmica e servida no Brasil ao molho modernoso dos modelos importados.

No portal da UOL o título da matéria da entrevista de Alceu Valença, ontem, quinta-feira – ele que fez um grande show aqui, em Ponta Negra, no nosso Carnaval Multicultural – diz assim: ‘Alceu Valença denuncia novo jabá e critica multiculturalismo forçado’. Ainda bem que desta vez não ando em má companhia em matéria de carnaval. E é, sinceramente, o que acho. Veste-se do pedantismo bem provincianamente nosso o que é, simplesmente, um carnaval de shows com financiamento público.

Certo? Errado? Não discuto. O que não posso é deixar de perceber – sem negar a inteligência da solução simpática – aquilo que Alceu Valença carimbou até com muito mais contundência. Não se pode em nome do tal pluralismo usado como forma de atrair público, é enfiar no carnaval tudo quanto possa gerar platéia. O financiamento da cultura, feito com recursos públicos e/ou patrocínios, sempre encontra formas jeitosas de diluição do culto à personalidade consagrando-se a partir das multidões.

Afirma, ainda, Alceu: ‘Inventou-se agora o conceito de multiculturalismo, que é uma forma de enfiar qualquer coisa em festas populares como São João e Carnaval’. E depois: ‘O que vejo aqui é preservação, em Olinda, por exemplo, folia é embalada por cancioneiro centenário’. E alerta: ‘Tem muito artista de forró, de brega, de rock, querendo entrar no carnaval’. E acrescenta numa bela lapada para não deixar dúvida em quem ainda possa duvidar: ‘Quando mais burro, melhor para o sistema’.

Alceu rebate além do multiculturalismo. Para denunciar o novo modelo de jabá que hoje vai aos poucos se alastrando no Brasil que atenta contra os verdadeiros artistas, principalmente os artistas do povo: os donos de emissoras de rádio compram ou montam suas próprias bandas e hoje ganham também o direito autoral. ‘Depois eles fazem um jogo entre eles, donos de rádio, para que um toque a música do outro’. E conclui, irônico, cheio de bom humor: ‘É a música sem alma ou ‘fuleirage music’’.

 

FÊNIX – I

Das cinzas, qual fênix, renasce uma teoria sobre o candidato do PMDB: 1) será Henrique, depois de reunidas todas as forças: 2) ou Fernando, se Henrique não topar e Wilma for sua candidata ao Senado.

REAÇÃO – II

Na pauta das especulações discretas, mas firmes: um combate duríssimo do PT com um combate direto contra Wilma. Com direito a um confronto radical na disputa de votos para o Senado. O tudo ou nada.

JOGO – I

Não será tão fácil quanto se pensa o jogo dos pequenos partidos que buscam aliança com PSB, PDT e a procura de sobras para eleger seus candidatos. Mesmo oferecendo em troca seu tempo de televisão.

ALIÁS – II

Com 32 partidos registrados, o cenário partidário brasileiro é de uma verdadeira feira ideológica com um escambo de jogadas e interesses. Fazer muitas alianças pode ser bom para uns e ruim para outros.

MEDO

Perguntou, entre cinzas frias, uma voz sibilina da política: quanto custa acalmar o medo?’. E uma voz, sussurrante respondeu: ‘Depende. Se for muito grande pode custar uma dúzia de milhões de silêncios’.

PALCO

Domingo, dia 9, às 16h30, no palco do Som da Mata, no Parque das Dunas (Bosque dos Namorados), a presença de João Vitor. Ele vai mostrar mais uma vez o virtuosismo dos seus 11 anos. É imperdível.

MAIS…

Um número altamente negativo na coleção de fracassos da estatística do Governo Rosalba Ciarlini: no RN está um dos índices mais elevados de mortalidade de portadores de Aids. E já foi muito positivo.

AVISO

Pode não ser tão pacífica assim a luta interna na chapa de deputado estadual do PC do B. Se desta vez for mantida preferência declarada do partido pela eleição de George Câmara. Como é da sua tradição.

MAS…

Desta vez há candidatos profissionais da política nos seus quadros e, mesmo sem nenhuma tradução comunista, exercerão com experiência e domínio o mando nas suas bases eleitorais. Não farão esteira.

FEIRA

Sábado e domingo próximos, ou seja, amanhã e depois, na pracinha da Vila de Ponta Negra, tem mais uma ‘Feira Feito por Nós’. Promoção do Coletivo Dez mulheres com show de Matuto Metropolitano.

UFRN

Em Natal, dia 17, Javier Pérez, o espanhol que vem fazer uma conferência e autografar seu novo livro ‘Hubertus Joseph Pilates: a Biografia’. Dia 17, Às 16h, Departamento de Educação Física, no Campus.

MEMÓRIA – I

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Instituto Histórico vão assinar termo de cooperação para a catalogação e digitalização do acervo garantindo aos parceiros acesso às consultas e pesquisas.

VALOR – II

O acordo tem não apenas o valor de preservar um dos mais importantes acervos da memória do Estado, salvando da deterioração, como assegura um acesso pleno aos pesquisadores da Universidade.

CHIQUE?

Do anúncio da revista Marie Clair sobre sua matéria de capa, nesta mesma décima-terceira página, edição de ontem, deste JH: ‘Chique é ser inteligente’. Aqui, não é. Aqui, chique é de ter Land Rover.

Compartilhar:
    Publicidade