Dedicatória

Dedico aos engajados ao inverso  as fotografias das duas novas celebridades do crime depois de presas pela polícia de Santa…

Dedico aos engajados ao inverso  as fotografias das duas novas celebridades do crime depois de presas pela polícia de Santa Bárbara d´Oeste(SP). Nenhum juízo de valor ou crítica será feita às entidades acostumadas a proteger criminosos cruéis enrolando ao desafino de um discurso  teórico e midiático.

Não darei nome aos dois sacripantas da fotografia. Quem quiser é só procurar no pai dos burros virtuais, o Google. É digitar assim: idosa é morta a facadas e pauladas por se recusar a emprestar 20 reais a dois rapazes de 22 anos. O caso chocou a cidade no interior paulista, pela brutalidade cometida contra outras duas senhoras da terceira idade, que conseguiram escapar.

Giormina Sconamiglio, de 83 anos, ascendência italiana e descendente dos primeiros imigrantes que aqui chegaram para ajudar na agricultura e no fomento ao setor rural, segundo a polícia e a imprensa, já havia emprestado aos dois ilustres a quantia de 300 reais para que conseguissem viajar à capital e procurar emprego. Foi a lábia que eles jogaram para a velhinha.

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Dona Giormina, sua sobrinha Edviges, 71 anos,  e a irmã, Margarida,a mais velha, com 88 anos, negaram o segundo pedido quando constataram a tapeação dos dois homens. Eles foram embora resmungando e retornaram pela madrugada. Arrombaram a janela. As três dormiam em quartos separados num sítio deserto.

Dona Margarida assustou-se com o barulho estranho, levantou e deparou-se com os dois, gritando imediatamente por socorro. Levou três facadas no tórax e morreu imediatamente. A dupla esperou a próxima vítima, que foi a sobrinha Edviges, atônita com a gritaria. Tomou golpes no ombro e no braço.

Os dois presumiram que estava morta e passaram a acertar pauladas na mais velha, Margarida, que também desmaiou, com o rosto esfacelado. Ainda assim, conseguiu acionar o número da PM. Caminhou um quilômetro até o posto telefônico para dar o alerta.

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Os bandidos que queriam 20 conseguiram levar 160  reais das senhoras e se fartaram comendo, bebendo e se drogando. Esconderam-se num matagal onde foram encontrados graças à delação – certamente nada premiada – do parente de um deles.

Caso de latrocínio, aquele em que o criminoso não se contenta em roubar, mas em se deliciar com a morte lenta e violenta das vítimas sem qualquer possibilidade de defesa. Os dois estão presos, serão julgados, condenados e a sociedade lhes pagará a hospedagem em cadeias públicas ou delegacias transformadas em presídios.

Ofereço a foto da dupla aos bravos tribunos das valias  de facínoras  para que eles se fartem e repitam que os dois assassinos da velhinha de 83 anos são vítimas de uma sociedade cruel, injusta e desigual  e agiram pela falta de educação e cuidados oficiais na infância e na adolescência.

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Uma resposta contrária ninguém vai me convencer que é aceitável: por que esse tipo de escória não pega prisão perpétua, não apodrece numa cela? Pena de morte no Brasil não vale porque nenhum rico criminoso seria punido. Mas a manutenção do preso, em regime fechado até sair da penitenciária para uma cova, é uma solução mediana para quem tem a perversidade de fazer o que eles fizeram.

Certa vez, numa conversa com um amigo olhando o mar calmo da Praia de Santa Rita, nos arredores de Natal, quando podíamos veranear sem o risco de um assalto assustador durante a madrugada – como fizeram com Dona Giormina, lhe disse que minha primeira providência se um dia tirasse um prêmio grande em Mega-Sena ou loteria qualquer seria ajudar velhos abandonados. Não desejo para ninguém a solidão que vi nos abrigos por onde passei para levar mantimentos ou conversar com os hóspedes do esquecimento.

Idosos sem família, vivendo em casas de repouso muitas vezes submetidos aos maltratos de cuidadores sádicos. Gente largada  pelos filhos bem criados e alguns deles, usufruindo da herança que gozam sem o mínimo esforço para o merecimento. O amigo olhou para mim, certificou-se de que havia tomado apenas dois ou três copos de cerveja e reagiu:

– E as criancinhas? Os menores abandonados?

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Respondi que esses são problema dos pais que devem pensar antes de colocá-los no mundo. Depois, dos governos, que por lei são obrigados a alfabetizá-los e, terceiro, porque velho no ostracismo jamais terá segunda chance. Os meninos que roubam e matam, são libertados algumas vezes minutos após o crime e continuam praticando a maldade.

Teórico na formação singular de um acadêmico, também nunca foi assaltado ou teve familiar vitimado, insistiu que a minha tese era simplista, arcaica e burra, adjetivos corriqueiros do recém-dogmatizado. Mantive minha posição sólida como as paredes do Corcovado:

– Fazendo pelos velhinhos, faço por  minha avó(que era viva na época)). Fazendo por eles, faria o bem que não desejo precisar. Faria sem piedade, que é sentimento escroto.

O diálogo, pelo bem da tarde morna,  descambou para a escola de samba que seria campeã no carnaval carioca daquele fevereiro. Quanto aos dois baluartes que assassinaram a aposentada Giormina Sconamiglio, de 83 anos, motivados por 20 reais, entrego as desculpas ou defesas  sociológicas  aos especialistas em tratar barbárie com Band-Aid panfletário.

 

Cascata na tela
Cascata foi embora de Natal levando na sacola a última sobra de categoria diferenciada. Ídolo em ABC e América, agora está no Boavista enquanto nem ABC nem América encontram alguém para substitui-lo com 32% de semelhança.

Estreia
Cascata estreia hoje às 18 horas no Campeonato Carica contra o Vasco, ou Ex-Vasco, como queiram, em São Januário. Vou assistir e rever sua  cadência de  partido alto.

Companhias
Cascata terá companhias com passagem pelo alvinegro: o goleiro Getúlio Vargas, o lateral Thiaguinho e o atacante Gilcimar. Apenas Thiaguinho rendeu algo que se possa chamar de bom futebol. O jogo passa no Canal Premiére da SKY.

América
Amanhã, 18h30, olho no América contra o Vitória pela Copa do Nordeste. Vai vai enfrentar um adversário enjoado, mas que lhe traz boas recordações. O título nordestino de 1998 foi ganho sobre os baianos por 3×1 no saudoso Machadão, eles com Petckovic e companhia.
 
Nostalgia
Pelo futebol nem tanto, mas pela nostalgia, tem atrativo o jogo ABC x Globo neste domingo no Frasqueirão. Os antigões poderão lembrar dos duelos de Jorginho, o Professor alvinegro contra o clássico e malandro Jácio Salomão.

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