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Defensor da Ética

Data: 02 fevereiro 2013 - Hora: 17:46 - Por: Alex Medeiros

Editorial do Estadão

Renan Calheiros é presidente do Senado Federal. A Casa está de joelhos. Cinquenta e seis senadores renderam-se aos interesses subalternos do caciquismo político que transformou o Congresso Nacional no mais desprestigiado poder da República. Cumpriu-se, de resto, mais uma etapa importante da consolidação do projeto de poder do lulopetismo.

Mais uma vez, os detentores da hegemonia política no plano federal demonstraram sua habilidade em usar a mão do gato para atingir seus objetivos. Para completar a destruição da credibilidade do Parlamento, só falta agora consumar-se a eleição do notório deputado Henrique Alves como presidente da Câmara dos Deputados.

Para os brasileiros que acompanharam pela televisão as sessões plenárias do julgamento do processo do mensalão pelo STF, a transmissão ao vivo da eleição de Renan Calheiros e da melancólica despedida de José Sarney foi ilustrativa, didática mesmo, por escancarar a falta de cerimônia com que muitos dos nobres parlamentares se esmeram em usar as palavras para esconder o que pensam e dissimular suas verdadeiras intenções. Sob esse aspecto, o comportamento dos petistas foi memorável.

Foi necessária uma eleição porque havia, teoricamente, dois candidatos à presidência. Pedro Taques (PDT-MT) e o notório Renan Calheiros (PMDB-AL). Mas a ampla maioria da base de apoio ao governo, diligentemente construída ao longo de 10 anos, não permitia qualquer dúvida quanto ao resultado. O próprio Pedro Taques se apresentou como “anticandidato”, em discurso deliberadamente elaborado para denunciar a farsa que se encenava. Uma tentativa quase quixotesca, saudada com aplausos frouxos, rápidos e encabulados.

Pela tribuna desfilaram 20 senadores. Ironicamente, a maioria manifestou apoio a Taques. Os apoiadores de Calheiros nem se deram ao trabalho de gastar o verbo. Deixaram a missão para os líderes, como o novo comandante do PT na Casa, o piauiense Wellington Dias, que se desincumbiu do modo mais protocolar possível. Eduardo Suplicy (PT-SP), que não perde uma oportunidade de aparecer, não teve coragem de declarar que não aprovava a candidatura Renan e apelou para o recurso esperto de sair pela tangente com a proposta delirante da eleição de um terceiro nome “de consenso”.

Os apoiadores da candidatura oficial insistiram no argumento de que o PMDB, como bancada majoritária, tinha o direito regimental de indicar o nome para a presidência. É verdade. Só não está escrito em lugar nenhum que o candidato teria que ter ficha suja, um comprometedor retrospecto de malfeitos exatamente no cargo para o qual estava sendo reconduzido depois de ter a ele renunciado para preservar o mandato de senador.

Os opositores bateram insistentemente na tecla do “resgate da credibilidade” do Congresso. Certamente interpretam o sentimento da grande maioria dos brasileiros – que quer exatamente isso. Mas há muito tempo perderam, eles próprios, a capacidade de fazer oposição séria e consequente.

Nos 20 minutos em que, antes da votação, apresentou seu programa, Renan Calheiros repetiu várias vezes, sem corar, que só assumira a condição de candidato havia menos de 24 horas, depois da reunião realizada na noite anterior pela bancada do PMDB que oficializou sua indicação. Uma afirmação tão deslavadamente falsa quanto a crítica que fez, aos brados, dos homens públicos que atuam não em defesa dos interesses nacionais, mas de seus próprios interesses pessoais e de grupos.

O que é verdadeiro é o regozijo de Lula & Cia. com Calheiros na presidência do Senado. Trata-se de um exímio operador, habilitado como poucos ao toma lá dá cá que viabiliza o apoio do Congresso às matérias de interesse do Palácio do Planalto. Certamente isso terá um preço, que não será baixo. Mas Lula já ensinou e Dilma parece estar aprendendo que há sempre um preço a pagar.

Empossado no lugar de Sarney, Renan voltou a discursar, dessa vez para fazer promessas, que não mereceriam qualquer referência não fosse o fato de ter-se declarado o guardião da ética no Senado! N. da R. – No editorial Combustíveis para crise (31/1), a influência citada no fim do segundo parágrafo é sobre os IGPs, não sobre os IPCs. (OESP)

 

Confronto
Não está nada fácil a relação entre o governo do Estado e o Tribunal de Justiça, que vivem no momento um clima de confronto quase declarado. Não será espanto se nas próximas horas for decretada a prisão da própria governadora Rosalba Ciarlini.

Refúgio
Há quem diga com todas as letras que os dois secretários cujas prisões foram decretadas pelo desembargador Virgílio Macedo não se escafederam para longe. Ficaram protegidos debaixo da asa de Carlos Augusto, na residêndia da governadora.

Mau exemplo
Nem sempre aquilo que é legal é moral e ético. A nomeação do pai e da esposa do prefeito de Umarizal, Mano Onofre (DEM), na sua própria administração não é bom exemplo, ainda mais quando seu irmão é o Procurador Geral de Justiça, Onofre Neto.

Faltou Mineiro
O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) criticou no Twitter a ausência do seu nome na pesquisa para governador em 2014 nos questionários da Consult. O reclame virtual sugere, então, que há mais um pré-candidato à sucessão de Rosalba Ciarlini.

Dobradinha
“Falando não como candidato, mas como político do PMDB, está firme o casamento entre PT e PMDB. É uma dobradinha que deu certo. É um governo equilibrado em gestão fiscal e em respeito à democracia”. De Henrique Alves, na revista IstoÉ.

Silêncio
“Ouçam esse silêncio, senhores senadores, esse é o silêncio dos covardes”. Assim o senador Pedro Taques (PDT) encerrou seu discurso, antes da derrota anunciada, e citando também Darcy Ribeiro: “Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.

Distantes e diferentes
A distância no talento dentro dos gramados entre Romário e Ronaldo Nazário vai além da vantagem numérica dos gols (uma goleada do baixinho). Fora de campo, no jogo da cidadania, essa distância se acentua, como mostram seus artigos hoje na Folha.

Inspeções
Boates e bares da cidade receberam ontem à noite a visita de autoridades policiais e técnicas que foram inspecionar os aspectos de segurança. O aparato da operação chegou a assustar clientes. Por todo o Brasil, estamos fechando as portas após o roubo.

Sucesso
A direção do Natal Shopping bem que já poderia ter providenciado mesas e cadeiras, ou alguns bancos de balcão, para o quiosque da Mister Beer, no segundo piso. Cresceu a frequência de clientes em busca dos muitos sabores das cervejas artesanais da casa.

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