Déficit de profissionais compromete trabalho de salva-vidas no litoral

Corpo de Bombeiros dispõe de apenas 35 profissionais para atender 400 km de faixa litorânea

Além do déficit de profissionais,  os salva-vidas que atuam  na praia de Ponta Negra estão, há cerca de seis meses,  trabalhando em um posto  improvisado na guarita de um hotel. Foto: José Aldenir
Além do déficit de profissionais,
os salva-vidas que atuam
na praia de Ponta Negra estão,
há cerca de seis meses,
trabalhando em um posto
improvisado na guarita de um hotel. Foto: José Aldenir

A chegada da temporada de verão, período em que as praias do litoral potiguar ficam normalmente repletas de banhistas, vai começar com o efetivo de salva vidas menor que o do ano passado, em função do reduzido quadro de profissionais. Hoje, o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte dispõe apenas de um efetivo de 35 salva-vidas para atender uma faixa litorânea de mais de 400 quilômetros de extensão. Sem a perspectiva de contratação de novos profissionais, a Operação Verão 2014, diferente da do ano passado que fiscalizou a faixa de praia entre Jenipabu e Camurupim, só deve ter profissionais salva-vidas em quatro praias: Redinha, Praia do Meio, Ponta Negra e Búzios.

Na praia de Ponta Negra, por exemplo, além do déficit de profissionais, os quatro bombeiros estão trabalhando em um posto improvisado. Em função das obras de enrocamento e urbanização do calçadão de Ponta Negra, o posto de salva vidas foi retirado. Temporariamente, até o término das obras, os salva-vidas estão trabalhando em uma guarita localizada no alto de um hotel, há aproximadamente seis meses. A previsão é que, após a conclusão das obras, o posto antigo seja reconstruído.

Entre os meses de dezembro e fevereiro, é comum os natalenses migrarem para as praias. Somado ao incremento turístico dessa estação e ao período das férias escolares, as praias ficam lotadas e é justamente nesse período que o Corpo de Bombeiros registra os maiores índices de ocorrência, principalmente de afogamento.

Diariamente, o efetivo só consegue dar conta de duas praias. São seis profissionais divididos na Praia do Meio, com quatro profissionais, e Ponta Negra, com  apenas dois salva-vidas. Nos finais de semana e feriados, o efetivo aumenta para atender as praias da Redinha, com quatro profissionais e Búzios, com dois. Desta forma, todo cuidado é pouco, principalmente em relação aos banhistas e crianças, ao tomar banho nas praias, sobretudo as desconhecidas dos banhistas. O problema é que não é todo bombeiro que pode se tornar um salva-vidas, pois para tal requer habilidades específicas.
Na temporada de verão, os salva-vidas do Corpo de Bombeiros reduzem o horário de folga de 48 horas para 24 horas na tentativa de atender ao grande fluxo de banhistas nas praias do litoral do Rio Grande do Norte. Mas mesmo assim, o déficit de profissionais impede a presença de bombeiros nos mais de 400 quilômetros de Costa litorânea.

Os salvas-vidas, apesar de necessários, também não conseguem atuar em lagoas e açudes, pela falta de efetivo. Como não há homens suficientes para atender a demanda, a solução é investir na prevenção. Anualmente, o Corpo de Bombeiros investe no trabalho de prevenção, através de uma cartilha com dicas de segurança que é entregue aos banhistas como forma de evitar riscos.

Um trecho de 250 metros na Praia do Meio, exatamente em frente ao posto de observação dos Guarda-Vidas, é o campeão em afogamentos no Estado.

O perigo é camuflado por um banco de areia que dá ao banhista a falsa sensação de segurança, uma vez que ele está com o pé apoiado no fundo.

Mas quando ele avança na direção da areia da praia, um canal com forte correnteza faz com que a pessoa seja levada para o fundo. Normalmente, o banhista se desespera, nada contra a correnteza e cansa.  É por isso que o Corpo de Bombeiros mantém naquele posto quatro guarda-vidas e uma ampla campanha de prevenção na área.

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