Delegado confirma: tiro que atingiu empresária partiu de policiais civis

Silvio Fernando, titular da 11ª DP, informou que os agentes da delegacia assumiram a autoria do disparo

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Diego Hervani

Repórter

Policiais civis da 11ª Delegacia de Polícia, que fica no bairro Cidade Satélite, foram os responsáveis pelo tiro que atingiu a empresária Poliana Carla, de 24, na última quarta-feira (30), após uma perseguição a um carro que os policiais pensaram que estava com um bandido. A informação foi passada pelo delegado da 11ª DP, Silvio Fernando.

“Foram policiais aqui da delegacia. Eles informaram que estavam perseguindo esse carro, que não tinha parado depois que eles deram voz de prisão, pois tinha acontecido um assalto nas proximidades. Quando chegaram na avenida dos Xavantes, eles estavam entrando na esquina quando um dos policiais atirou no pneu do carro que eles estavam perseguindo. Nesse momento, a mulher estava vindo do lado contrário. Provavelmente a bala desviou, passou pelo vidro do carro da mulher e a atingiu. Felizmente não pegou em um local que traria uma lesão mais grave e nem acertou a criança”, afirmou.

Ainda segundo o delegado, a confirmação de que foram os policiais só aconteceu nesta quinta-feira (1), já que Poliana Carla, a vítima atingida pelo tiro, só foi na delegacia na noite de quarta-feira (30). “Quando ela foi atingida, ela primeiramente foi para a casa da sogra. Então ninguém sabia o que tinha acontecido. Somente na parte da noite é que ela veio aqui na delegacia e falou que tinha sido atingida por policiais militares. Porém, sabíamos que a equipe da PM não estava no local no momento em que tudo aconteceu. Não iríamos deixar ninguém levar a culpa por algo que não fez. Então os policiais confessaram que efetuaram o disparo no pneu do carro que eles estavam perseguindo, mas que não perceberam que tinha atingido alguém”.

O delegado Matias Laurentino, titular da Diretoria de Polícia de Natal e Grande Natal, recebeu todas as informações do caso, assim como o depoimento dos policiais. As circunstâncias do fato serão apuradas por um delegado especial e o caso será investigado também pela Corregedoria da Secretaria Estadual de Segurança Pública. Ao final do inquérito e do processo administrativo disciplinar é que serão apuradas as responsabilidades de cada um e o nome dos envolvidos, até lá os policiais seguem trabalhando normalmente.

“A polícia é preparada para defender o cidadão. Infelizmente esse incidente aconteceu. Como falei, felizmente não aconteceu nada de mais grave com a vítima. Os policiais não fizeram isso por querer, foi um infeliz acidente. Os policiais vão seguir trabalhando normalmente, pois têm um histórico de bons serviços para a população”, destacou Silvio Fernando.

Todo o incidente começou por volta das 10 horas de quarta-feira, após um assalto à loja Space Nutrition. Segundo a comerciante Glaucielle, o bandido – que já seria bastante conhecido pelos moradores do Cidade Satélite – entrou no estabelecimento, fez algumas perguntas sobre os produtos e, em seguida, anunciou o assalto, puxando uma faca peixeira da cintura. “Ele pediu todo o dinheiro do caixa e ainda levou três potes de suplementos”.

Assim que ele saiu, Glaucielle acionou a polícia, como também seu marido, Wagner Riquelme. Enquanto os agentes tentavam localizar o ladrão pelo conjunto, presenciaram o proprietário, que chegava apressadamente, ao estabelecimento, em um Corolla Preto. “Ao dar voz de parada, Wagner se assustou com a abordagem e saiu em arrancada, dando início a uma perseguição pelo Satélite”, explicou.

Nas proximidades da avenida dos Xavantes, os agentes começaram a disparar contra o veículo. Foi quando a autônoma Poliana Carla, de 24 anos, passava no momento com sua filha, em um Ford Ka branco. A bala atravessou o vidro do veículo e atingiu o queixo da vítima, próximo ao pescoço. Desesperada, ela continuou dirigindo até a casa da sogra, e lá, pediu socorro ao Samu. “Cheguei ensanguentada e tremendo muito. Graças a Deus, minha filha não foi atingida. Os médicos disseram que eu tive muita sorte. Nasci de novo”, desabafou.

Ela pretende processar o Estado pela negligência cometida pelos policiais civis. “Além do terror que passei, fui ferida por quem deveria me proteger. Acredito que isso é fruto de uma péssima formação profissional, já que eles deveriam ter cautela e além de tudo responsabilidade, ao iniciar um tiroteio em via pública”.

O proprietário da loja, também vítima da violência, foi interceptado e a confusão foi desfeita. O carro dele ficou perfurado pelos disparos. Enquanto isso, o assaltante permanece foragido.

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