Delegado Geral descarta participação de membros do PCC em ataque à Denarc

Fábio Rogério acredita que fato está relacionado ao combate ao tráfico de drogas no RN. Ele diz que há modismo entre bandidos para uso de sigla da facção. Foto: José Aldenir
A Polícia Civil descartou o envolvimento da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no ataque à sede da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc), ocorrida na última sexta-feira (11) em Brasília Teimosa, zona Leste de Natal. A principal suspeita é que o atentado esteja relacionado às últimas ações policiais contra o tráfico de entorpecentes no Rio Grande do Norte, que tirou vários bandidos e dezenas de quilos de drogas das ruas.
Para o delegado geral da Polícia Civil do Estado, Fábio Rogério da Silva, a atuação mais constante da Denarc no combate ao tráfico local está incomodando profundamente os integrantes das quadrilhas existentes, principalmente as que sofreram baixas com as ações policiais efetuadas recentemente, como a chefiada pelo traficante “Toinho do Morro”, um dos maiores fornecedores de drogas da região, preso em novembro passado com 450 quilos de maconha em Parnamirim.
“Não tem nenhuma relação com PCC, que não existe no Rio Grande do Norte. O que há é um modismo entre os bandidos para usar sigla da facção criminosa, para tentar intimidar a população e a polícia. Só que eles não vão conseguir o que querem. Vamos intensificar ainda mais as ações de prevenção e combate ao tráfico e retirar esses bandidos das ruas”, afirmou.
Ele disse ainda que a Polícia Civil está atenta e vigilante e que esta afronta, que aconteceu em represália, não ficará impune. “Já temos uma testemunha ocular, que viu a aproximação do veículo usado pelos bandidos e também a ação, bem como as imagens captadas pelo sistema de monitoramento eletrônico local, que ajudará a identificar os criminosos”, explicou.
O delegado da Denarc, Ulisses de Souza, afirmou que a Polícia Civil já tem alguns nomes de suspeitos de terem relação com o atentado ao prédio onde funciona a delegacia e que o caso será investigado em sigilo. Para ele, as imagens captadas ajudarão a identificar os criminosos que participaram do evento e que a prisão deles é questão de tempo.
“Não podemos adiantar mais que isso. O que podemos dizer é que as investigações já estão encaminhadas e que esse atentado não ficará impune de forma alguma. Estamos atuando com mais rigor contra o tráfico de drogas no nosso Estado e isso causa incômodo aos traficantes, que agem em retaliação”, falou.
Tiros acertaram fachada do prédio
O ataque aconteceu na noite da última sexta-feira (11), por volta das 23h, quando quatro homens armados pararam um veículo escuro em frente ao prédio da Denarc e efetuaram vários disparos de revolver calibre 38 e pistola ponto 40 na fachada da unidade. Na ocasião, apenas um policial civil estava no local e não ficou ferido. Os tiros acertaram a fachada e paredes externas do prédio, bem como armários e o banheiro da delegacia.
Após os disparos, o policial civil, que não quis se identificar por precaução, acionou a Polícia Militar e comunicou o fato aos colegas das delegacias próximas, que foram para o local. Moradores das áreas próximas também foram para frente da Denarc, para ver o que havia acontecido.
Após ouvirem as testemunhas, os militares iniciaram as diligências nas regiões próximas, para tentar identificar algum suspeito, sem sucesso. Os peritos do Instituto Técnico-Científico de Polícia do Rio Grande do Norte (Itep/RN) foram ao local e encontraram várias cápsulas de balas caídas próximas à fachada da unidade. As buscas pelos suspeitos continuam.
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