Denúncia aponta que Catar distribuiu relógios de ouro para seduzir cartolas na Fifa

As pessoas que estiveram com o emir teriam saído do encontro com o grupo do Catar com um relógio de ouro que mal conseguiam erguer, tamanho o peso

Foto: Divulgação
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Em 2010, uma delegação que acompanhava o emir do Catar, Hamad bin Khalifa Al Thani, em uma turnê pela América do Sul tinha uma função especial na comitiva: se reunir com dirigentes e cartolas da região, na esperança de convencê-los a votar pelo país do Golfo para sediar a Copa de 2022. Mas as pessoas que estiveram com o emir teriam saído do encontro com o grupo do Catar com um relógio de ouro que mal conseguiam erguer, tamanho o peso. A denúncia está sendo investigada e faz parte da apuração que está sendo conduzidas sobre a forma pela qual o Catar conseguiu votos suficientes para ser escolhido como sede da Copa.

O emir esteve na Argentina e no Brasil em janeiro de 2010. Oficialmente, a turnê tinha como objetivo estreitar as relações como o Cone Sul. No dia 20 de janeiro, de fato, o emir foi recebido em um almoço pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.

Mas, um dia antes no Rio de Janeiro, o representante do Catar manteve um almoço com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Um dia antes, em Buenos Aires, sua delegação também se reuniu com o presidente da Associação de Futebol de Argentina, Julio Grondona. Outros dirigentes, como o paraguaio Nicolas Leoz e o guatemalteco Rafael Salgado, também foram abordados pelo Catar durante a viagem. Todos os quatro faziam parte naquele momento do Comitê Executivo da Fifa, que votaria naquele mesmo ano para escolher a sede da Copa de 2022.

Segundo fontes próximas à CBF naquele momento, informações apontam que alguns dos cartolas latino-americanos foram “presenteados” por uma verdadeira joia: um relógio de ouro.

No final daquele ano, o Catar foi escolhido para receber a Copa, numa decisão que chocou o mundo do futebol. Teixeira foi um dos que confessou que votou pelo Catar. Os demais latino-americanos também votaram pelo Catar.

Desde então, os rumores de propinas, de compra de votos e de manipulação no processo passaram a dominar os debates internos na Fifa, ao ponto que um recente informe independente contratado pela Fifa sugeriu que o tema fosse investigado até as últimas consequências. Em 2011, um ano depois da votação, outro cartola vazou um email do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, atacando o Catar por estar “comprando” a Copa.

Resistência

Todos esses elementos fazem parte de uma investigação que está sendo conduzida pelo americano Michael Garcia e encomendado pela Fifa a produzir um informe sobre o caso. Mas há quem resista a esse esforço. Há menos de um mês, Grondona liderou na Fifa um movimento para tentar desbancar Garcia de seu cargo. O americano acabou sobrevivendo, ainda que cada vez mais pressionado. Outro que chegou a propôr o afastamento de Garcia foi o presidente da Federação Espanhola de Futebol, Ángel María Villar Llona .

Fonte: Estadão

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