Depois da Copa, desafio agora é fazer Arena das Dunas emplacar

Estádio foi bastante elogiado pela imprensa durante os quatro jogos realizados em Natal durante a Copa do Mundo

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Após cumprir o seu primeiro objetivo, ser palco dos quatros jogos da Copa do Mundo em Natal, a Arena das Dunas agora pode ser o marco inicial para uma nova fase do futebol local: tratar o esporte considerado paixão nacional realmente como um espetáculo. Mas, obviamente, isso não depende exclusivamente da gestão do estádio.

Na opinião do especialista em marketing esportivo e diretor da 10 Sports, Alan Oliveira, esse é o momento do futebol potiguar evoluir e transformar cada jogo em um evento. “Só o futebol com esse formato não vai viabilizar a Arena. Futebol tem que ser show, tem que ser tratado como entretenimento”, defendeu.

Para ele, essa mudança consiste em transformar o estádio é um lugar que realize muito mais que partidas de futebol. “Com shows artísticos, agente consegue tornar a Arena mais viável, além disso tem que colocar a Arena no dia a dia do natalense”, acentuou.

Oliveira acredita que o melhor espelho para essa revolução no futebol local está na Europa. No velho continente as arenas possuem shoppings, restaurantes, centros de convenções, salas para reunião lojas de clubes e outros estabelecimentos que reforçam a cadeia do entretenimento esportivo.

“Em Madrid, no [estádio] Santiago Bernabeu, você chega cinco horas e vai no restaurante, vai no shopping com a esposa, na loja do clube”, exemplificou o especialista em marketing esportivo. No entanto, enfatiza, os serviços e produtos devem ser segmentados por público. “Mas também não podemos elitizar demais”, acrescentou. Ele destacou que o futebol é um esporte de massas e deve atingir diferentes mercados consumidores.

Ainda sobre a questão de preços, Oliveira ressaltou que o produto ou serviço deve está à altura do valor cobrado, caso contrário, o cliente, exigente em sua maioria, só consome uma vez e não volta mais.

Na sua visão, “a primeira coisa a ser feita é que cada jogo tem que se tornar um evento, tem que ser chamado de evento. Tem que se pensar como um grande evento de mídia”.

O presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), José Vanildo, também compartilha da opinião do especialista em marketing esportivo. Ele destaca que a conquista de novos públicos para os jogos de futebol já começou. “Acho que a Copa do Mundo oportunizou, principalmente o torcedor do Nordeste conhecer a nossa Arena, um equipamento que oferece conforto, acessibilidade e lazer agradável. O estádio, vai fomentar um novo público que foi pela primeira vez a Arena na Copa do Mundo, como o público feminino”, comentou.

Apesar do otimismo e projeções para futebol local, muitas críticas, inclusive da imprensa nacional, questionam a viabilidade financeira das arenas de Natal, Manaus e Cuiabá, sobretudo no que diz respeito ao público. Ele responde que “Nem o Maracanã, nem o Itaquerão, se autofinanciam. O que há é um novo padrão no uso dessas arenas e a intregração delas no cotidiano da cidade. Nenhum estádio sobrevive só com futebol”, contra-argumentou.

Outra questão que possivelmente poderá esvaziar a Arena da Dunas é a construção da Arena do Dragão pelo América Futebol Clube. Quando inaugurada, os dois principais times da capital terão seu próprio estádio. Mas para o presidente da FNF, isso não será um problema. “Os grandes teatros são mais utilizados para os grandes eventos. Quando o atrativo não for muito grande, os clubes poderão usar esses estádios, que são menores”, disse se referindo também ao ABC.

O alvinegro potiguar inclusive já possui contrato de realização de jogos na Arena das Dunas. “Para nós é uma situação auxiliar, mas boa parcela do público local também está interessada no conforto, comodidade e localização da Arena”, disse o dirigente executivo do ABC, Rogério Marinho. Os jogos com maior potencial de público são feitos na Arena.

Marinho também afirmou que o novo estádio abre uma possibilidade de Natal finalmente receber uma nova partida da própria seleção brasileira num futuro próximo. “Depois de quase 50 anos, poderemos receber um jogo da seleção. Poderemos também fazer competições internacionais”, acrescentou.

Ele também informou que o seu clube planeja um quadrangular com a participação de times internacionais para comemorar o centenário do ABC no próximo ano. O planejamento dessas partidas ainda depende de uma brecha no calendário do próximo ano.

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