Depois de afirmar não querer o DEM, Nélter comemora apoio de Democrata

Deputado peemedebista será apoiado por Marcílio Carrilho, presidente do DEM em Natal. Antes, afirmava que era preciso “descontaminar o PMDB”

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Ciro Marques

Repórter de Política

 

O deputado estadual do PMDB, Nélter Queiroz, é famoso por suas declarações polêmicas. Sempre fala o que pensa, mesmo que isso vá contra os interesses de seu partido. O problema é que, algumas vezes, o que Nélter Queiroz fala no passado, acaba sendo usado contra ele no futuro. Exemplo? As declarações contra DEM preferidas no ano passado e que agora confrontam com o apoio que ele está recebendo de lideranças do partido.

Afinal, Nélter foi um dos peemedebistas que fez as mais fortes declarações contra o partido da governadora Rosalba Ciarlini – e, sim, foram contra o partido e não contra ela. Pois é. Agora, no entanto, o deputado do PMDB aparece ao lado do democrata Marcílio Carrilho, presidente municipal do DEM em Natal, e comemora o apoio recebido por ele para a disputa pela reeleição na Assembleia Legislativa.

Ou seja: a questão não é apenas o fato do DEM estar junto a Henrique Eduardo Alves, candidato do PMDB, partido de Nélter. A questão é que o próprio Nélter está sendo apoiado por lideranças democratas, partido que ele, no passado recente, não queria ver nem perto – quanto mais no mesmo palanque.

Não lembra? Pois esta foi uma das declarações que Nélter deu nesse sentido: “Temos que descontaminar o PMDB do Democratas. Não existe em hipótese alguma a chance do PMDB estar ao lado do DEM na próxima eleição. A chance é zero”. A afirmação foi feita durante entrevista a uma rádio natalense, no dia 2 de setembro de 2013.

E é porque, já naquela época, o DEM já sinaliza para um apoio ao PMDB nestas eleições. Inclusive, a declaração de Nélter foi, justamente, em resposta a essa hipótese, que havia sido confirmada pouco antes, pelo presidente nacional do DEM, o senador José Agripino, de aliança nestas eleições.

Nélter não só não era convencido por essas sinalizações de Agripino, como também não demonstrava insatisfação com os demais aliados do Democratas, como, por exemplo, o PR, que depois do rompimento do PMDB com o Governo, continuou por dois meses junto a gestão Rosalba – e depois acabou rompendo e se unindo aos peemedebistas. “Não posso falar pelo PR, mas o PMDB não vai aceitar se o PR não tomar uma posição de oposição”, afirmou Nélter Queiroz.

 

MUDANÇAS

Não é de hoje que Nélter Queiroz é conhecido por dar opiniões fortes contra determinado assunto e, depois, usufruir dele, como faz agora com os democratas. Na eleição de 2010, por exemplo, o deputado peemedebista apoiou a candidatura de Iberê Ferreira, do PSB, ao Governo. Quando Rosalba ganhou, se aliou, junto a Henrique Alves, a gestão DEM.

Pouco tempo depois, no entanto, começou a demonstrar a insatisfação com os democratas e, em especial, com o casal Rosalba Ciarlini e Carlos Augusto Rosado – secretário-chefe do Gabinete Civil. Antes mesmo do PMDB romper oficialmente com o Governo, o que só ocorreu em setembro do ano passado, Nélter já defendia esse afastamento. E quando rompeu, Nélter passou a defender a tal “descontaminação”.

Com relação ao candidato que o PMDB lançaria em 2014, Nélter também demonstrou seguidas mudanças de opinião. Primeiro, apoiou Garibaldi Alves Filho, ex-governador e atual ministro da Previdência Social. Depois, defendeu Henrique e, quando o partido sinalizava para o lançamento de Fernando Bezerra, empresário e ex-ministro, Nélter Queiroz disse que essa era a “melhor opção” para a sigla. Henrique acabou sendo confirmado como candidato. E o deputado, claro, o apoiou.

Compartilhar: