Deputado que brigou na AL do RJ admite já ter matado uma pessoa

Domingos Brazão também foi investigado pela CPI das Milícias, presidida pelo deputado Marcelo Freixo, mas nenhuma das denúncias foi comprovada, e o caso também foi arquivado.

Presidente da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj, Domingos Brazão é comerciante, tem 49 anos e base eleitoral em JPA. Foto: Divulgação
Presidente da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj, Domingos Brazão é comerciante, tem 49 anos e base eleitoral em JPA. Foto: Divulgação

O bate-boca da última terça-feira entre a deputada Cidinha Campos (PDT) e o deputado Domingos Brazão (PMDB) manchou a imagem da Assembleia Legislativa e ambos vão responder por quebra de decoro parlamentar, o que pode acarretar, inclusive em perda de mandato de ambos. Os xingamentos entre os deputados ainda colocaram em xeque o passado de Domingos Brazão, que foi chamado de ladrão, bandido e acusado por Cidinha Campos de ter em sua folha corrida um assassinato.

“Ele me chamou de puta, vagabunda e disse que mandava matar vagabundo, mas vagabunda, não. Mas que tinha vontade de me matar”, reafirmou Cidinha Campos, que ainda na terça-feira registrou queixa contra o colega na Delegacia da Mulher (Deam), conforme o DIA publicou ontem. Domingos Brazão admitiu ter sido preso por assassinato, mas ressaltou que a Justiça entendeu como crime por legítima defesa.

“Matei, sim, uma pessoa. Mas isso tem mais de 30 anos, quando eu tinha 22 anos. Foi um marginal que tinha ido à minha rua, na minha casa, no dia do meu aniversário, afrontar a mim e a minha família. A Justiça me deu razão”, explicou. O deputado do PMDB negou que tenha ameaçado a colega ou dito que “mandava matar vagabundo” no passado. E prometeu processar a deputada, em todas as instâncias, por falsa comunicação de crime.

“Em ano eleitoral, ela faz isso para aparecer. Nunca falei nada disso. Não condiz com meu passado. Ela está misturando peixe com espinha. Eu não me orgulho de ter batido boca com ela, mas ela se orgulha, pois faz isso todo dia”, disse o deputado ontem. A briga entre Cidinha e Brazão é antiga. Em 2004, o Ministério Público abriu inquérito contra Domingos Brazão a partir de denúncias de Cidinha Campos. Ela preparou dossiê que deu origem a um processo de 398 folhas contra o colega. As denúncias envolviam Brazão e Alessandro Calazans com a máfia dos combustíveis, através de licenças ambientais da Feema para funcionamento de postos.

Os dois, segundo Cidinha, seriam sócios fantasmas de vários postos de revenda. A deputada pediu a cassação de Brazão e a abertura de uma CPI para investigar irregularidades cometidas na Feema. Temendo por sua vida, ela pediu à Alerj um carro blindado para sua segurança, mas o inquérito acabou sendo arquivado. Domingos Brazão também foi investigado pela CPI das Milícias, presidida pelo deputado Marcelo Freixo, mas nenhuma das denúncias foi comprovada, e o caso também foi arquivado.

Bate-boca foi publicado no Diário Oficial

A confusão na Assembleia inicialmente seria omitida do Diário Oficial. Mas, como o fato se espalhou rapidamente, as notas taquigráficas foram mantidas para evitar que a Assembleia fosse acusada de abafar o caso. No texto no Diário estão contidas partes da discussão entre Cidinha e Brazão publicadas ontem pelo DIA com exclusividade.

“Ele merecia um soco na cara. E ele encararia isso com naturalidade, porque ele mesmo disse que mata, e que atualmente não está matando puta porque senão eu seria a sua vítima”, disse Cidinha em plenário, pedindo para que os colegas confirmassem sua versão no Conselho de Ética.

O deputado Comte Bittencourt, corregedor da Assembleia Legislativa e que presenciou toda a discussão, entende que houve quebra de decoro parlamentar por parte tanto de Brazão quanto de Cidinha Campos.

“O uso de palavras indevidas é uma forma de quebrar o decoro e entendemos que houve, sim, quebra de decoro, e lamentamos este tipo de situação porque a sociedade espera do Parlamento outro tipo de comportamento”.

Comunicadora de sucesso

Cidinha Campos tem 71 anos e teve carreira de sucesso na Rede Record e na Rádio Tupi, mas também trabalhou em outras emissoras, como Globo, Manchete e Bandeirantes. Foi deputada federal sempre com grande votação. Em Brasília, denunciou a Máfia do INSS. De volta ao Rio, elegeu-se deputada estadual e está em seu terceiro mandato pelo PDT de Leonel Brizola.

Deputado de Jacarepaguá

Presidente da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão de Constituição e Justiça da Alerj, Domingos Brazão é comerciante, tem 49 anos e base eleitoral em Jacarepaguá, onde nasceu. Está em seu quarto mandato como deputado estadual e tentará o quinto neste ano. Em 2010, foi eleito com 91 .774 votos.

Fonte: IG

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