Deputados do PMDB avaliam nome de Fernando Bezerra para governador

Alex Viana Repórter de Política Após defender um “pacto pela governabilidade” e revelar que continua “considerando a possibilidade” de disputar…

Fernando Bezerra, ex-ministro da Integração Nacional, ainda não decidiu se vai ser ou não o candidato do PMDB em 2014. Foto: Divulgação
Fernando Bezerra, ex-ministro da Integração Nacional, ainda não decidiu se vai ser ou não o candidato do PMDB em 2014. Foto: Divulgação

Alex Viana
Repórter de Política

Após defender um “pacto pela governabilidade” e revelar que continua “considerando a possibilidade” de disputar o governo do Estado pelo PMDB nas eleições de 2014, o empresário, ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra (PMDB) foi alvo de avaliações na manhã desta quinta-feira, por parte de deputados estaduais do partido.

Para os peemedebistas consultados, o Estado só teria a ganhar com um homem como Fernando Bezerra conduzindo seus destinos. Eles apontam como possíveis dificuldades, superáveis, entretanto, o fato de Bezerra ter se afastado das bases políticas após a derrota ao Senado para Rosalba Ciarlini (DEM), em 2006, e também a falta de carisma.

“Um político que já ajudou muito o Estado, quando foi ministro e senador, e que tem muita experiência, tanto política e administrativa. Ele é um vencedor na vida empresarial, e deu a sua colaboração na vida pública. Como ele passou muito tempo cuidando mais das empresas e da família, se ele voltar a se dedicar à vida pública, quem ganha é o Estado”, afirma o deputado estadual Gustavo Fernandes (PMDB).

Ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, quando senador da República, de 1995 e 2006, ou ministro da Integração Nacional durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1999, Fernando Bezerra é apontado pelo deputado Nélter Queiroz como “um homem que tem serviços públicos prestados em todos os 167 municípios do Estado, na capital e no interior”.

“Fernando Bezerra foi um homem de visão e preparado. E na circunstância do momento vejo o nome dele como muito bom para o Estado do RN”, minimizando o fato de Bezerra ser, segundo avaliação ainda da época em que ele militava na política, “pouco carismático”. Para Nélter, o Estado não está precisando de carisma, e sim de competência.

“O que o eleitor do RN, na minha visão, tem que ver, não é só político simpático, o político carismático. Nós temos que ver a pessoa com visão de futuro, para tirar o Estado desse atoleiro. Ele tem essa visão. Em minha opinião, o Estado merecia muito um homem como Fernando Bezerra governador do Estado”, avalia Nélter.

ACEITAÇÃO

Aos 72 anos, Fernando Bezerra foi “sondado”, como costuma dizer, por lideranças políticas do PMDB, como Henrique Eduardo e Garibaldi Filho, a respeito da possibilidade de se candidatar a governador do Estado em 2014. Em entrevistas recentes, o dono da construtora Ecocil admitiu estudar a hipótese, analisando, porém, com muita cautela, devido considerar a situação do estado bastante crítica.

Nesta quarta, em entrevista ao Jornal de Hoje, Bezerra considerou como “positiva” a sugestão de um “pacto pela governabilidade” do Estado, independentemente de ele vir a ser candidato, ou não. “Seja qual for o quadro, acho que tem que restabelecer as condições de governabilidade do Estado, com um grande pacto em torno dessa governabilidade, que envolveria, não apenas o Executivo, mas o Legislativo e o Judiciário, através de uma análise mais aprofundada dos problemas, que são sérios”, diz. Segundo Fernando Bezerra, “algumas decisões de candidaturas poderão ser tomadas em função disso”.

 

“Estado paga caro por escolher Rosalba e não Fernando Bezerra”

Ao eleger a então ex-prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini para o Senado, em 2006, no lugar de reeleger Fernando Bezerra, o Rio Grande do Norte “está pagando caríssimo”. A afirmação é do deputado estadual Nélter Queiroz. “Se for olhar na visão de peso político, ele há oito anos deixou a política, perdeu a eleição para o Senado, por estratégica política do marido de Rosalba. E ele, talvez pela inexperiência política, perdeu a eleição. Mas, na verdade, quem perdeu foi o RN. E o Estado está pagando caríssimo o fato de ele não ser senador no lugar de Rosalba na época” declarou o parlamentar.

Segundo Nélter Queiroz, eventuais fragilidades numa candidatura de Fernando Bezerra seriam supridas pela força do PMDB, hoje o maior partido do Estado. Prova disso foi lançar Hermano Morais candidato a prefeito de Natal em 2012, saindo do último lugar e chegando ao segundo turno. “O PMDB é um partido muito forte, e está montando aliança com vários partidos.

Rosalba só foi senadora por conta do PMDB. O PMDB hoje é um partido simpático, popular, forte. Se Fernando for candidato nesse partido, tudo que falta nele o partido tem: carisma, popularidade, raízes e fortaleza. O que falta em Fernando, popularidade, o partido tem”.

Para o deputado Gustavo Fernandes, outra dificuldade a ser superada por Bezerra é o distanciamento que ele impôs após a derrota para Rosalba em 2006 junto ao interior do estado. “Quando se fala o nome dele, sempre se fala com muito respeito e admiração. As pessoas do interior, nas vezes o que falam em relação a ele, é essa distância que houve de 2006 para cá, quando ele se afastou um pouco do contato com o interior. Mas, na verdade, ele nunca se afastou da política a de uma forma geral. Porque sempre esteve em contato com nossos líderes Henrique e Garibaldi, e tem influência em nível nacional. As pessoas comentam isso, mas não vejo isso como empecilho a uma volta dele à vida pública. Já dizia o ditado, ninguém se perde no caminho da volta”.

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