DERROTA – Túlio Lemos

Mais uma vez, inquestionável a vitória da tese defendida pelo senador José Agripino na convenção do DEM. Assessorada precariamente e…

Mais uma vez, inquestionável a vitória da tese defendida pelo senador José Agripino na convenção do DEM. Assessorada precariamente e sem respaldo das bases de sua legenda, a governadora foi derrotada pela maioria dos convencionais. Poderia ter vencido; independente de qualquer coisa, os números revelam isso: de 243 delegados, 121 votaram com Agripino e 63 optaram pela reeleição de Rosalba. Porém, se somar os 63 da Rosa, mais 9 nulos, 2 brancos e 48 abstenções, o placar pró-Rosa seria 122 contra 121. São números que não valem mais.

ARGUMENTOS

O senador José Agripino, exímio craque na arte da oratória, sempre acostumado a usar a retórica em seu favor, se viu diante da falta de justificativa consistente para argumentar que marcava sua gestão como presidente do DEM, com um gesto histórico de traição a sua única governadora. Falou que a derrota de Rosalba representava a sobrevivência do partido. Ou seja: no momento de crise, mais vale a sobrevivência do mandato do que a dignidade do gesto de solidariedade.

TRAIÇÃO

A governadora Rosalba Ciarlini perdeu a força política a partir do gesto de traição de Agripino. Para se aliar aos tradicionais adversários, estes pediram-lhe a cabeça de sua única governadora. Ao invés de lutar com dignidade pela sobrevivência de todos, ele escolheu quem deveria morrer para atender aos adversários. Travestiu-se de Francesco Schettino, comandante do navio Costa Concórdia, que abandonou à própria sorte seus comandados, em nome de sua sobrevivência. Mácula indelével para sua história.

AMOR

Apesar de usar a desfaçatez para simular que estava preocupado com os demais candidatos a deputado do DEM, o senador José Agripino foi movido por uma força ilimitada que sugou até seus raros sentimentos de amizade. Essa força chama-se amor de pai. Como político, ele maculou sua biografia com um gesto de traição. Como pai, não pode ser condenado por tentar salvar o filho da derrota.

SENSIBILIDADE

Domingo de chuva incessante em Natal. Alagamentos, deslizamentos de terra, desabrigados. Apesar disso, o DEM resolve realizar sua convenção. Uma prova de absoluta insensibilidade. Ali estavam a governadora do Estado, um senador da República, tres deputados estaduais e alguns prefeitos. Todos precupados com seu futuro político, sua vida; a dos outros, fica pra depois.

ÁGUA

O final de semana foi de destruição parcial em Natal, provocada por um verdadeiro dilúvio. Oportunistas políticos de parte a parte tentaram tirar proveito da situação. Alguns foram absorvidos por um raro sentimento de solidariedade que costuma aparecer apenas de quatro em quatro anos; ou de eleição em eleição.

CULPA

Imperioso registrar que a natureza fez a sua parte e os gestores esqueceram, ao longo dos anos, de fazer a oficial. Os alagamentos, associados aos deslizamentos, não podem ser creditados somente na conta da mãe natureza. A omissão do poder público tem uma grande parcela de culpa. Todos sabem que as chuvas passaram do limite normal; mas, em alguns casos, se o poder público tivesse feito sua parte, as consequencias teriam sido menores.

RESPONSABILIDADE

Neste domingo, dois políticos visitaram a devastação que ocorreu em Mãe Luíza: Wilma de Faria e Carlos Eduardo. A soma de tempo dos dois na Prefeitura de Natal se aproxima dos 20 anos. Ou seja: Quando for falar em responsabilidade oficial em relação a infraestrutura, é bom não esquecer quem governou Natal em tempos recentes, acrescentando José Agripino e Garibaldi Filho.

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