Desafio do Hospital Giselda Trigueiro é superar o déficit de recursos humanos

Referência no Rio Grande do Norte em doenças infectocontagiosas completa 71 anos

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Uma cerimônia nostálgica e a encenação da peça teatral “Giselda Trigueiro: ícone da humanização” marcou as festividades pelos 71 anos de funcionamento do Hospital Giselda Trigueiro (HGT), referência estadual em doenças infectocontagiosas do Rio Grande do Norte, que conta com 129 leitos de enfermarias, além de sete leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

O evento contou com a participação do secretário estadual de Saúde Pública (Sesap), Luiz Roberto Fonseca, da diretora geral da unidade, Milena Martins, funcionários ativos e aposentados, pacientes e do atual secretário adjunto de Saúde, Marcelo Bessa, que também é sobrinho e afilhado de Giselda Trigueiro, e na ocasião, representou a família.

O diretor clínico do Hospital Giselda Trigueiro, João Bosco Barbosa, que também foi aluno da professora Giselda Trigueiro, está à frente da Direção Clínica da Unidade há cinco anos. Ele considera que a “fórmula” para o bom trabalho desenvolvido pelo hospital é a dedicação dos funcionários. “Todos nós fazemos parte dessa história e o hospital funciona como uma família, pois todos vestem a camisa. Sempre o amor e a humanização, defendida pela doutora Giselda, está incorporado em cada um de nós”, destacou.

João Bosco Barbosa reconhece que nos últimos meses houve uma redução no número de atendimento, em função da regulação da porta de entrada do Pronto Socorro. “O número de atendimento caiu, mas o nosso objetivo é qualificar esse atendimento e atendermos apenas pacientes dentro do nosso perfil, que são as doenças infectocontagiosas”, afirmou o diretor clínico do Hospital.

Desde o dia 1º de janeiro deste ano, o Hospital Giselda Trigueiro, recebe apenas pacientes referenciados, ou seja, encaminhados por outros serviços de saúde. O objetivo é possibilitar que a unidade hospitalar cumpra sua missão, atendendo com qualidade os pacientes com demandas adequadas ao perfil do hospital, destinado a serviços terciários de doenças infectocontagiosas.

Além disso, no final do ano passado, o Hospital promoveu um seminário reunindo médicos e profissionais de enfermagem do município, com a finalidade de oferecer um treinamento de profilaxia antirrábica e antitetânica. Antes, esses procedimentos eram disponibilizados no Giselda Trigueiro, mas hoje são realizados pelas unidades básicas de saúde, a quem cabe essa responsabilidade.

Segundo a diretora geral do HGT, Milena Martins, “ao focarmos o atendimento nos casos de pacientes realmente condizentes com o papel do hospital, poderemos oferecer um atendimento com maior qualidade e resolutividade. O Giselda é um hospital terciário e, quando passar a funcionar com ‘porta regulada’, vamos aprimorar o nosso atendimento de emergência e internação em casos graves de doenças infectocontagiosas”.

Para o diretor clínico do Hospital, João Bosco Barbosa, o grande desafio para o hospital é vencer as dificuldades da falta de recursos humanos, principalmente na área de enfermagem, como enfermeiros e técnicos de enfermagem. “Os trabalhadores vestem a camisa, mas como há um déficit muito grande de recursos humanos, acaba sobrecarregando os demais, em especial as enfermarias, onde temos o maior contingente. O nosso desafio é suprir essa barreira do déficit de recursos humanos e avançar na assistência à população”, destacou o diretor. Ele alertou para a crescente no número de pacientes com doenças infectocontagiosas, como pacientes com AIDS e Tuberculose.

A Unidade conta com 29 leitos de enfermaria para pacientes com tuberculose e 20 para pacientes com AIDS, que sempre estão ocupados. Os sete leitos de UTI também, costumeiramente, ficam ocupados. “Essa é a nossa demanda reprimida, porque geralmente ficamos com pacientes que precisam de leitos de terapia intensiva no Pronto Socorro por falta de vaga e pela tipologia da doença, apenas nós que podemos internar esses pacientes. Infelizmente ainda temos pacientes internados na UTI por doenças que poderiam ser prevenidas na atenção básica”, disse o diretor João Bosco Barbosa.

O secretário Estadual de Saúde Pública (Sesap), Luiz Roberto Fonseca, considera o Hospital Giselda Trigueiro como um ícone dentro da assistência do SUS no Rio Grande do Norte, não só por ser referência no atendimento a doenças infectocontagiosas. “Mas também por dois outros motivos. Ele é a grande referência na área de infectologia para toda formação médica, de enfermagem, para a área de saúde em todo o estado. O outro motivo é a peculiaridade da forma como o hospital foi gerido e administrado desde a época de Giselda Trigueiro e que isso ficou como arraigado dentro da cultura de cada um dos diretores que a sucederam, pois todos eles foram alunos dela. O compromisso com a casa, a devoção ao paciente e ao hospital, a caridade e o amor são marcas que diferenciam o Hospital Giselda Trigueiro. Ainda é uma forma sacerdotal de se fazer medicina, com dedicação ao outro”, destacou o secretário Luiz Roberto Fonseca.

O secretário disse que dos 13 hospitais que estavam em reforma desde o ano passado, o Hospital Giselda Trigueiro foi o primeiro a concluir a reforma e que apresentava problema estruturais, no almoxarifado, com o tratamento de resíduos líquidos e sólidos, que, apesar de serem oriundos de doenças infectocontagiosas, eram liberados diretamente na rede coletora, além da UTI, que precisava passar por uma reforma.

“Hoje, temos uma UTI mais moderna no estado, tanto na rede pública, quanto na rede privada, com filtros de rede, filtros bacteriológicos, pressão negativa, da forma como deve ser uma UTI vocacionada para pacientes com doenças infectocontagiosas. Além disso, a nova central de água e esgoto é uma das mais modernas do RN, impedindo que os materiais sejam despejados na rede coletora. Construímos também uma ala nova no almoxarifado. É um hospital que priorizamos para o atendimento de doenças infectocontagiosas, e o mais importante que fizemos foi tirar de dentro do hospital o atendimento de baixa complexidade de dentro da unidade.

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