Descadastro do app que ‘avalia mulheres’ pode expor ainda mais, diz programador

Na próxima quarta-feira (4), o Tubby, aplicativo que ‘avalia mulheres’, será lançado –ou pelo menos é o que prometem os…

Aplicativo virá como resposta ao "lulu", aplicativo onde as mulheres dão nota aos homens. Foto:Divulgação
Aplicativo virá como resposta ao “Lulu”, aplicativo onde as mulheres dão nota aos homens. Foto:Divulgação

Na próxima quarta-feira (4), o Tubby, aplicativo que ‘avalia mulheres’, será lançado –ou pelo menos é o que prometem os desenvolvedores.

O Tubby surgiu como uma suposta resposta hipersexualizada ao Lulu, serviço em que mulheres classificam o comportamento de homens. A proximidade da data gerou uma corrida para descadastramento de mulheres que não querem participar do serviço, mas isso pode ser mais “perigoso” ainda, alertam especialistas em TI.

Como no Lulu, o Tubby atribui uma nota para cada perfil avaliado e também “hashtags” descrevendo suas características. No Tubby, os termos são mais ofensivos, como #curtetapas e #engoletudo.

Segundo orientação do próprio app, quem quiser remover o perfil (que ainda nem existe) precisa logar-se no site com o Facebook. Assim, ao sair, o usuário pode acabar, na verdade, por fornecer mais informações ainda: lista de amigos, e-mail, relacionamento, fotos etc. Tal funcionamento difere do da maioria dos aplicativos que se conectam ao Facebook, afinal, o pedido de acesso aos dados do usuário costuma ocorrer quando ele baixa o conteúdo, e não cancela um acesso.

“Como se descadastrar de um serviço que ainda nem foi lançado? Não existe nenhuma prova que o aplicativo existe”, diz Gus Fune, fundador e programador da Epic Awesome, produtora digital que desenvolve sites e aplicativos. “Pode ser apenas uma fachada para coleta de informações”, completa.

“Quando você executar esse procedimento de remoção tenha consciência que seus dados podem estar sendo minerados –em outras palavras, copiados pela equipe do Tubby para uso futuro”, diz o programador Fernando Aquino.

Gus Fune alerta para outro fato. “O Tubby também não tem termos de uso disponível para consulta no site, o que é obrigatório para qualquer aplicativo que use dados do Facebook.”

O tempo reduzido de desenvolvimento também chamou a atenção. “Muito, muito estranho que um aplicativo como este seja desenvolvido e lançado em uma semana”, diz Fune. “O desenvolvimento de um app deste naipe costuma levar muito mais tempo.”

Folha entrou em contato com a equipe responsável pelo Tubby e obteve como resposta que a demanda por entrevistas está alta e será atendida aos poucos.

Fonte:FSP

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