A descoberta da verdade sobre o Papai Noel – Kátia Azevêdo, estudante de Jornalismo-UFRN (katianatal@hotmail.com)

O momento tão temido chegou! As perguntas sobre os mitos que criamos durante a infância de um filho ou neto…

O momento tão temido chegou! As perguntas sobre os mitos que criamos durante a infância de um filho ou neto começam a ser feitas. Perder a inocência pela verdade dita dói mais na gente do que neles, porque é como se sentimos um pedacinho daquela vida que vai embora de vez, uma mudança que não aceitamos: o bebê começou a se tornar um ser pensante! A realidade nem sempre é muito boa e por isso tentamos preservar a todo custo o seu conhecimento. Sempre tive medo de que a realidade entrasse com violência pela janela da vida dos meus pequeninos. Rezava para que minha netinha de 8 anos, a Bárbara, descobrisse que não existem fadas, coelhinho da Páscoa, Papai Noel e outros mitos, sem que um trauma se instalasse em sua existência.

Ontem, ela chegou e me perguntou, sem rodeios: “Tata, Papai Noel, não existe, não é? Meu pai é quem é Papai Noel? Diga a verdade!” Eu fiquei sem chão para responder. A cabeça já rodava em mil explicações, pensando em diversas maneiras de se dizer a resposta verdadeira, com muito tato. A princípio, após a surpresa dessa pergunta, pensei na possibilidade de que as coleguinhas terem dito algo a respeito durante o recreio. Indagada sobre o fato, disse que não, que pensara porque nunca vira o tal senhor depositar seu presente. E olha que nem estamos perto do Natal ainda! Como somos duas que não gostamos de mentir, resolvi que iria lhe contar a verdade, nada mais que a verdade. Melhor conhecer a explicação por mim do que sofrer um trauma da descoberta de algo em que acredita, alimentado pela família e pela mídia.

Comecei lhe explicando que aquele velhinho, com a barba branca, roupa vermelha e que morava no Polo Norte, realmente não existia. O que existia era um homem batalhador, honesto, que trabalhava o ano inteiro para juntar um dinheirinho e no Natal comprar o que sua filha mais desejava. “Então, papai é o Papai Noel, mesmo!”, respondeu ela. “E as minhas cartinhas que escrevia para ele? Você não enviou?” Respondi que as guardava todas, dentro de um baú que iremos lhe entregar ao fazer quinze anos.

Após a confirmação de sua suspeita, ela apenas disse, sem traumas e nem tristeza: “Meu pai continuará sendo o Papai Noel, pois é ele quem coloca o presente embaixo de minha cama e que me ama mais que todo mundo!”. Em seu amadurecimento para o mundo, Bárbara descobriu a razão mais forte de um pai para ser um eterno Papai Noel: o amor!

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