Descoberta de gene ligado à puberdade precoce pode antecipar diagnóstico

Doença causa desenvolvimento acelerado do corpo pelo aumento prematuro de hormônios

Estudo da USP identificou um gene relacionado à doença. Foto: BBC
Estudo da USP identificou um gene relacionado à doença. Foto: BBC

Crescimento da mama, aparecimento de pelos nas axilas e na região pubiana, menstruação, mudança do tom de voz são sinais comuns da puberdade.

Os que estão relacionados às meninas aparecem, normalmente, entre os 8 e os 14 anos; nos meninos, eles despontam entre os 9 e os 15 anos.

A transformação natural do corpo humano já é uma fase que requer acompanhamento. Quando ela ocorre de forma precoce, às vezes aos 5 anos, os reflexos podem ser físicos, como a interrupção do crescimento, mas também psicológicos.

Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) identificou um gene relacionado à doença que pode antecipar o diagnóstico e facilitar o tratamento.

A pesquisadora Ana Claudia Latronico, que atua na área de genética de doenças endócrinas, percebeu, ao longo dos mais de 20 anos de carreira, que era recorrente a presença de histórico familiar entre os casos de puberdade precoce.

A doença causa o desenvolvimento acelerado do corpo pelo aumento prematuro na produção do hormônio que libera as gonadotrofinas: o GnRH, que comanda o amadurecimento sexual do organismo.

O estudo não tem como objetivo trazer mudanças no tratamento da puberdade precoce. A partir da compreensão da causa, no entanto, é possível antecipar o diagnóstico e iniciar o uso dos remédios assim que aparecerem os primeiros sintomas.

Quanto mais cedo é iniciado o tratamento, mais se evitam os efeitos negativos da doença. Entre eles, os de viés psicológico, como a estigmatização da criança em razão do aparecimento de sinais puberais estranhos à faixa etária.

— A menina passa a ter mama, até a menstruar muito cedo, e isso é um desconforto psicológico muito grande para a criança e para a família.

Do ponto de vista endocrinológico, há também o comprometimento da estatura.

— Com o aumento dos hormônios sexuais, como o estradiol, nas meninas, e testosterona, nos meninos,  há alteração da maturação óssea e diminui o tempo de crescimento.

Na vida adulta, as mulheres com puberdade precoce estão mais sujeitas a ter câncer de mama e de endométrio. Além disso, são mais frequentes os transtornos de ordem psicológica.

 

Fonte: Agência Brasil

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