Descoberta de petróleo na costa potiguar é bem recebida

Com produção em declínio, notícia veio em boa hora

“Descoberta vem numa boa hora, quando o  setor se encontra sob grande apreensão quanto ao seu futuro no RN”, disse Jean-Paul Prates. Foto: Divulgação
“Descoberta vem numa boa hora, quando o setor se encontra sob grande apreensão quanto ao seu futuro no RN”, disse Jean-Paul Prates. Foto: Divulgação

A descoberta de uma acumulação de petróleo em águas profundas da Bacia Potiguar, na sua porção localizada no Rio Grande do Norte, foi recebida como um bom presente de fim de ano para o Estado.
O Diretor-Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, disse que a descoberta tem o potencial de descortinar um novo horizonte para o setor de petróleo no Estado caso seja declarada comercial.

A descoberta aconteceu durante a perfuração do poço informalmente conhecido como Pitu, em profundidade de água de 1.731 metros e localizado a cerca de 60 km da costa do Rio Grande do Norte, e foi comunicada pela estatal de energia ontem no começo da noite.

O intervalo portador de petróleo líquido foi localizado por meio de perfis e amostragens de fluido que só serão caracterizados por análise de laboratório. O poço ainda está sendo perfurado a uma profundidade de 4.197 metros e continuará até atingir 5.028 metros.

A Petrobras é a operadora da concessão BM-POT-17, com 80% de participação, em consórcio com a empresa Petrogal Brasil S.A., que detém 20%.

Agora, o consórcio dará continuidade às operações para concluir o projeto de perfuração do poço até a profundidade prevista, verificar a extensão da nova descoberta e caracterizar as condições dos reservatórios encontrados.

Para Jean-Paul Prates, a descoberta vem numa boa hora, agora em que o setor “se encontra sob grande apreensão quanto ao seu futuro no RN, com o esperado declínio e maturação dos seus campos terrestres”.
Ele acrescentou que a descoberta, porém, vislumbra no offshore a continuidade da sua tradição petroleira e a manutenção com possibilidade de crescimento dos investimentos na área.

“O sucesso na avaliação destas descobertas poderá aumentar a importância da nossa bacia na lista de prioridades de investimentos da Petrobras como também de outras empresas já concessionárias ou potenciais interessadas”, afirmou Prates.

O presidente do Cerne observou que a nota da Petrobras não faz menção ao tipo de formação onde a descoberta foi realizada, “mas certamente não se trata de pré-sal”.

Mas ressalvou que isso não diminui ou afeta o potencial da descoberta e o reservatório  que ainda deverá ser delimitado por poços e perfurações adicionais e, uma vez avaliado técnica e economicamente, poderá ser declarada, ou não, a sua respectiva comercialidade”. Só depois disso se iniciará a fase do desenvolvimento da produção e finalmente a produção.

Sobre declarações a respeito de uma possível lentidão do Estado no acompanhamento dos interesses voltados à energia eólica, e que teria sido responsável pelo insucesso do RN no penúltimo leilão de energia (já que no último houve uma importante recuperação), Jean-Paul Prates esclareceu que se referia ao período de 2010/2012.

Num e-mail endereçado ao O JORNAL DE HOJE, Prates comenta que os atrasos nas linhas de transmissão deveram-se a “leniência da CHESF (Centrais Eletricas do São Francisco) que subestimou o novo mercado imobiliário e as exigências burocráticas e ambientais do projeto das LTs a serem construídas sob sua concessão no RN”.

No entanto, ressalta que é parte da atribuição do Estado “cobrar, assistir, acompanhar e ajudar nestes processos, até mesmo indo ao Governo Federal – como recentemente passou a ocorrer de novo”.

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