Desembargador mantém a ordem de demolição do hotel Reis Magos

Dúvida é saber se donos assimilarão tanta confusão

Nos últimos anos, o hotel dos Reis Magos não tem rendido outra coisa a não ser dor de cabeça para a família Pedroza. Foto: Divulgação
Nos últimos anos, o hotel dos Reis Magos não tem rendido outra coisa a não ser dor de cabeça para a família Pedroza. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

 

Com a decisão, ontem, do desembargador Ibanez Monteiro, de indeferir o recurso impetrado pelo promotor do Meio Ambiente, João Batista Machado, proibindo a demolição do Hotel Reis Magos, na Praia do Meio, começa na Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico do município um trabalho de pura persistência.

A palavra de ordem é manter o Grupo de Hotéis Pernambuco – dono do prédio – interessado no projeto de construir uma praça e um centro comercial no local, afastando de vez a perspectiva de abandono. Não vai ser fácil, pois ainda cabe mais alguma discussão no âmbito do segundo grau, o Tribunal de Justiça.

O promotor João Batista ainda terá dez dias para apresentar documentos novos que corroborem a tese que ele defende de manter a construção intacta, apesar das péssimas condições do local depois de 18 anos de abandono.

Uma solução para o prédio vem sendo costurada há anos pelo secretário Fernando Bezerril, do Turismo, desde a última gestão de Carlos Eduardo, quando ele ocupava a mesma pasta.

Nos últimos anos, o hotel dos Reis Magos não tem rendido outra coisa a não ser dor de cabeça para a família Pedroza, que tentou diversas fórmulas para recuperá-lo.

Para isso, precisou quitar as parcelas de IPTU em atraso e não pagas pelos ex-arrendatários, que ainda foram indenizados para se retirarem do local. Enquanto isso, os efeitos do tempo foram implacáveis com a estrutura voltada para o oceano.

Uma perícia feita no local pelos proprietários viu mais desvantagens do que vantagens em manter o imóvel de pé – o molho sairia mais caro que o peixe. Ainda havia as limitações impostas para a área pelo Plano Diretor, que são duras para com os empreendimentos imobiliários naquela região.

Diante disso, o filho do fundador do Grupo de Hotéis Pernambuco, José Pedroza Filho, a quem coube o hotel por herança, engendrou um plano interessante para que o novo projeto fosse aceito tanto pela família quanto pela cidade, sem correr o risco de reeditar episódios como o hotel da BRA, na Via Costeira, embargado há anos por desrespeitar o gabarito do local.

O projeto modular começaria com uma grande praça aberta, ensejando um centro comercial horizontal que iria se expandindo com o tempo, de acordo com as mudanças da legislação, atuando diretamente na revitalização da praia do Meio. Parecia simples, prático e respeitoso para com a cidade.

A idéia enfrentou a resistência de José Pedroza que, aos 88 anos, adquiriu uma compreensível falta de paciência com as coisas corriqueiras da vida. Numa operação de salvamento do projeto, algumas semanas atrás, o secretário Bezerril liderou um grupo de colaboradores com a missão de mostrar para Pedroza que a coisa toda tinha jeito.

Num desfecho surpreendente, ele conseguiu. Depois de uma reunião em Recife, Pedroza reuniu a família para informar que o projeto do centro comercial na praia do Meio fora aceito por ele e que o hotel seria demolido depois que a Semurb aprovasse o projeto e desse o OK.

 

Os ambientalistas

Hoje, o secretário Fernando Bezerril disse que o Ministério Público cumpriu o seu papel ao ser provocado, mas admitiu que a situação poderia ser melhor. “Eu vejo o José Pedroza como um empresário sério, competente, mas também o vejo com um passarinho, que bate as asas ao primeiro sinal de incêndio na mata”, comparou. Por “incêndio” entenda-se “insegurança jurídica”. Agora, o trabalho da Prefeitura será mais complicado e a reaproximação com Pedroza lenta e gradual. “Afinal, ele não tem feito outra coisa a não ser perder dinheiro com o hotel nos últimos anos”, reconhece Bezerril.

Quando assumiu o município, começo do ano passado, o prefeito Carlos Eduardo declarou que não toleraria mais a presença do que qualificou de “escombros” na praia do Meio. E aventou pela primeira vez a possibilidade de desapropriação.

Segundo o procurador geral do município, Carlos Castim para iniciar um processo desses seria necessário pelo menos cinco anos. Advogados ouvidos pelo JH comentaram que Castim foi extremamente otimista em sua previsão.

 

 

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