Desocupação de área em PE tem confronto entre PM e manifestantes

A área é destinada a construção de 12 torres comerciais e residências ao longo do antigo cais da capital pernambucana

Manifestante é ferido por bala de borracha em ação da PM no Cais Estelita, em Recife. Foto: Mídia Ninja/Reprodução
Manifestante é ferido por bala de borracha em ação da PM no Cais Estelita, em Recife. Foto: Mídia Ninja/Reprodução

Com a violência e a truculência que já se tornou marca das polícias militares no Brasil, manifestantes que ocupavam o terreno do Cais José Estelita, em Recife (PE), desde o último dia 21 de maio foram retirados à força nesta terça-feira (17) pela Tropa de Choque pernambucana.

A desocupação, segundo a polícia, cumpria ordem judicial. Houve tiros de balas de borracha, uso de bombas de efeito moral e muita gente se machucou, segundo relatos de ocupantes nas redes sociais.

Os manifestantes da ocupação que ficou conhecida no Brasil inteiro como #OcupeEstelita acusam o governador do Estado de Pernambuco, João Lira – substituto de Eduardo Campos, e o prefeito de Recife, Geraldo Júlio (PSB), de descumprirem acordo firmado com a Secretaria de Direitos Humanos e retirar à força os ocupantes do local, descumprindo o acerto de desocupação pacífica do local.

Os principais acessos ao cais foram fechados pela PM e ao menos três pessoas foram presas. Segundo a PM pernambucana, as prisões foram efetuadas por incitação à violência e descumprimento de ordem judicial.

A desocupação começou às 04h30 da manhã,horário que a Tropa de Choque chegou armada e com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, segundo os manifestantes.

Através do Facebook, a própria secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, Cida Pedrosa, se manifestou contra a ação policial e disse que houve truculência exagerada da Polícia Militar.

Houve um tempo em que qualquer cidadão era ameaçado pela polícia, que entrava em sua casa na calada da noite, para prender e praticar abuso de poder. Foi assim que aconteceu hoje no Caís José Estelita. A polícia cercou os ocupantes às 04:30h, armados com bala de borracha e bombas de gás, prontos para essa guerra particular em defesa da propriedade privada. Isso é um absurdo que rompe um processo de negociação que estava sendo construído com a participação de várias entidades e sob a coordenação da Prefeitura do Recife. Escrevo esse texto muito triste e com muita raiva pois ontem estava sentada numa mesa de negociação que foi totalmente desrespeitada”, afirmou a secretária.

A desocupação do Cais José Estelita foi um pedido de Consórcio Novo Recife, proprietário do terreno. A área é destinada a construção de 12 torres comerciais e residências ao longo do antigo cais da capital pernambucana.

A Ocupação Estelita se deu em virtude da demolição dos galpões, que começou dia 21 de maio, mas foi interrompida pela manifestação dos defensores da cidade, que querem que a área seja destinada à moradia popular e tenha projetos sociais, de Cultura e Educação.

A construção das torres será feita por um consórcio formado pelas empresas Moura Dubeux, Queiroz Galvão e GL.

A ocupação Estelita recebeu apoio de vários artistas e políticos pelo País, que apóiam causas sociais e são contra a especulação imobiliária.

No Facebook, vários manifestantes postaram fotos de gente ferida no confronto com a polícia militar, nesse que é mais um triste episódio da violência policial no Brasil.

Outro lado

Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, o prefeito de Recife, Geraldo Júlio (PSB), se isentou da responsabilidade pela desocupação violenta e disse que a responsabilidade pela ação é toda do governador João Lira:

“A desocupação não é um ato da prefeitura.Nos últimos quinze dias eu tenho me dedicado nas negociações com a OAB, membros da Universidade Federal,Universidade Católica e ficou definido que a revisão do projeto iria ser julgada. A reintegração é uma ato da Justiça cumprido com apoio da polícia. Acredito que esse processo de negociação aberto pela prefeitura, deve continuar para que o desejo de todos, que é o redesenho do projeto, venha a beneficiar a população”, afirmou o prefeito.

O mandato de reintegração de posse do Cais Estelita foi expedido pelo desembargador Márcio Aguiar e executado pela tropa de choque da Polícia Militar de Pernambuco, comandada pelo Secretário de Defesa Social, criada por Eduardo Campos. 

Fonte: Terra

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