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Despedida

Data: 31 janeiro 2013 - Hora: 17:05 - Por: Gabriel Negreiros

Esta é a minha última coluna no Jornal de Hoje. Pelo menos neste espaço diário dedicado ao esporte. Mudar os rumos nem sempre é fácil, mas é preciso. Principalmente para quem não teme novos desafios e tem objetivos traçados. Deixar de escrever aqui é largar um prazer diário de externar ao mundo os meus pensamentos sobre os diversos temas que abordamos. O tempo necessário para escrever todos os dias o conteúdo de esportes do jornal, acabou por tomar um precioso espaço do dia que precisarei ocupar com outras atividades. Acompanhar o futebol potiguar, ir aos jogos, treinos, entrevistas, requer dedicação a fatos que neste momento não é mais meu objetivo de vida.

 

Sou muito grato ao que o futebol do Rio Grande do Norte me proporcionou no jornalismo. Conquistei espaços importantes e conheci pessoas que realmente trabalham firme por uma paixão que as vezes extrapola o limite do bom senso. E são muitas as pessoas que todos os dias batalham para trazer informação, organizar suas equipes, cuidar do seu elenco, fazer com que a camisa do seu clube ou emissora brilhe e faça sempre o melhor trabalho.

São atividades do dia-a-dia que a maioria dos torcedores não conhecem. E por ser fiel em cometer excessos acaba por vulgarizar as atitudes e o trabalho de quem realmente é militante de uma causa. Minimizam a importância e chegam a perseguir, como se jornalistas ou dirigentes tentassem a todo custo destruir o seu time do coração. Por isso esquecem que é necessário respeitar as pessoas, as famílias. Engolir esses excessos é algo que aos poucos destruiu minha vontade de permanecer nesse ramo. Nada é mais insuportável do que estar no seu trabalho e alguém tentar lhe intimidar com ameaças, xingamentos e até agressões.

Mas existe o outro lado. Gente que pode até não concordar com o que você diz ou escreve, mas que respeita e sabe debater. Que lhe dá suporte quando o texto é bom ou que faz críticas bem estruturadas quando algo não agrada. A informação é democrática, ninguém é obrigado a ouvir, ler ou assistir algo que não seja de sua vontade. Existem vários meios para escolher. E é justamente esse debate que realmente acrescenta algo em nossas vidas.

A partir de amanhã, quando acordar, tenho novas tarefas a cumprir e que não dizem respeito ao esporte potiguar, exceto quando chegar hora de apresentar o Jogo Aberto da Band Natal, tarefa que continuará na minha agenda. Por isso essa não é uma despedida por completo. Talvez seja uma despedida, em definitivo, do meio impresso. O jornal é uma escola especial para o jornalista. É aqui que escrever realmente faz sentido e que a complexidade dos temas ganha espaço e profundidade. Não são apenas 140 caracteres e informação em tempo real, geralmente com poucos detalhes de cada caso. Só é triste ver o número de publicações a cada dia diminuindo e o espaço no jornalismo potiguar se tornando escasso.

Nessas últimas linhas repito o agradecimento que tenho feito nos últimos dias. Agradeço ao esporte do Rio Grande do Norte, seus dirigentes, clubes, torcedores. Aos amigos que fiz a partir deste espaço. Estarei por perto, mas em outro segmento do jornalismo. Automobilismo é meu novo espaço e os Estados de Pernambuco, Paraíba e Ceará meu novo território, além do Rio Grande do Norte. Que o esporte potiguar possa ser palco de boas histórias para contar.

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