Desprezado pela Globo, Falcão vira ‘Galvão Bueno’ na TV a cabo

Na Globo, Galvão Bueno vira até apresentador do Jornal Nacional, que perfilou com emoção os 23 convocados de Felipão

Falcao_Prandelli

Se a Copa ainda não esquentou nas ruas, não se pode dizer o mesmo da televisão.  O blá-blá-blá futebolístico já tomou de assalto as telas das tvs abertas e dos canais a cabo.  É overdose. Tem de tudo.  E geralmente, é mais do mesmo. O estilo é de mesa-redonda, com nuances de Fátima Bernardes, inclusive no figurino. E dá-lhe bancadas, sofás,  poltronas, arquibancadas, banquetas, estúdios panorâmicos, fundos com telas gigantes para conectar o admirável mundo do futebol e, para quem pode, por que não um cenário virtual e um videografismo, se possível.

Por ser a Copa no Brasil, as emissoras dizem que não pouparam investimentos. Repórteres, muitos deles prontos para entrar ao vivo a qualquer hora, espalhados por todos os cantos do país e do mundo. Os tradicionais especialistas se juntam a outros, de oportunidade, especialmente ex-jogadores e técnicos, escritores e outros escribas apaixonados pela arte da bola.  Como nos times de futebol há craques, poucos, e muitos operários. Além de outros tantos pára-quedistas. Grades das emissoras são alteradas para abraçar o espírito da Copa, sem limites. É Copa, o que inclui manifestações, claro, no café da manhã, no almoço, no jantar e no after hours.

Na Globo, Galvão Bueno vira até apresentador do Jornal Nacional, que perfilou com emoção os 23 convocados de Felipão. A Globo, espécie de dona da festa, também adotou Neymar e o subtmeteu a superexposição. O astro já passou por todos os programas da casa nas duas últimas semanas, do intimista Faustão ao assistencialista Luciano Hulk.

A emissora escalou ainda um novo locutor, Alex Escobar, que na estréia para o telespectador paulista foi recebido com críticas, e Ronaldo, para fazer dupla com Casagrande nos jogos do Brasil. Casagrande é o que a Globo tem de melhor, mas junto com Ronaldo, não orna. Casagrande é objetivo e transparente, sem papas na língua. Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local da Copa, empresário, que administra a imagem inclusive de Neymar, é político e ensabonetado. Só não o é quando é de seu próprio interesse. Durante a transmissão da partida amistosa contra a Sérvia, informado por Galvão de que um atleta da Alemanha teria se contundido gravemente durante partida no mesmo momento, Ronaldo não titubeou e soltou, rindo: “Não seria o Klose”. O alemão Miroslav Klose, explique-se e Galvão o fez, jogará a sua terceira Copa e se marcar dois gols  conquista o trono de maior artilheiro do torneio dele mesmo, o Ronaldo.

No festival de imagens da Copa, a Granja Comary ganha status de Capitólio e Praça do Vaticano.  Foi longe o bairro que teve origem no loteamento da antiga fazenda de Carlos Guinle. É onipresente.  Dizem que teve até cevada. E que dela fizeram uma cerveja. Dizem.

É tanta gente espremida – 1600 jornalistas – que não raro se vê uma emissora ao vivo com o logo da concorrente ao fundo, estampada na camisa de um transeunte que passa sem querer ou querendo. Tem aquelas intermináveis entrevistas diárias dos jogadores do Brasil sentados à frente do mosaico de patrocinadores. E também, claro, tem o velho truque de jornalista entrevistando jornalista. E nesse caso, nem os gringos são poupados para externar opiniões que vão das chances do time de Felipão ao clima bélico que assola o país. Afinal, vai ter Copa.

No meio da mesmice que assola a cobertura, há poucas novidades, ao menos neste periodo pré-copa. Falcão é uma delas. O ex-jogador e ainda técnico nas horas vagas, foi anunciado como o principal comentarista da Copa da Fox Sports, e virou âncora e entrevistador. Na Globo, era desprezado e burocrático. Ou seria burocrático e por isso desprezado. E sempre muito criticado.

Como âncora, de um programa diário na Fox, o “Boa Noite, vai na média. O melhor, no entanto, é ”O Giro com Paulo Roberto Falcão”. Com seis episódios, entrevistou Felipão, Kaká, Neymar e Hernanes, os técnicos Cesare Prandelli (Itália), Carlo Ancellotti (Real Madrid) e Mac Willmots (Bélgica) e o ex-jogador da seleção italiana, Bruno Conti. Com acesso privilegiado, tirou conteúdo de primeira e inédito nesta cobertura. Imperdíveis as entrevistas com Prandelli e Ancellotti.  Falcão disse que quer voltar aos campos, como técnico, sua eterna obsessão. Mas talvez o melhor caminho, pelo que se viu até agora, seja pegar a estrada. E virar Galvão Bueno. Com muito mais propriedade e qualidade.

 

Fonte: Terra

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