Detentos prometem caos no sistema prisional, se diretor não deixar pavilhão em Alcaçuz

Presos de seis penitenciárias do Rio Grande do Norte estão em greve de fome desde esta segunda-feira (1)

RTHERH

Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Depois de passarem mais de 24 horas sem aceitar as refeições que foram servidas pelos agentes penitenciários, nesta terça-feira (2) os detentos de um dos seis presídios do Rio Grande do Norte que estão fazendo greve de fome divulgaram uma carta com reivindicações para que a manifestação acabe, caso contrário ameaçam que um verdadeiro “caos” pode ser instalado no sistema prisional do Estado.

As reivindicações foram recebidas e divulgadas pela advogada Magda Martins, que tem clientes nos presídios que estão promovendo a manifestação. “Eu estava saindo de uma audiência quando a mãe de um dos meus clientes chegou com essa carta, pedindo para que eu divulgasse. Ainda estou me inteirando sobre o assunto e irei procurar os responsáveis para tentar discutir essa situação”, destacou.

Na carta, são sete os pontos apresentados pelos detentos. O principal deles é a cobrança pela saída do diretor do Presídio Rogério Coutinho Madruga, mais conhecido como Pavilhão 5 de Alcaçuz, Osvaldo Rossato Júnior. “Queremos, através deste comunicado, levar ao conhecimento da sociedade e das autoridades a degradação humana e os maus tratos que estamos sofrendo através do diretor deste presídio, Oswaldo Júnior, com a conivência da administradora do sistema penitenciário, Dinorá Simas”, diz um trecho da pauta.

Os presos ainda pedem a liberação para o uso de aparelhos de televisão nas unidades onde não é permitido, como o pavilhão Rogério Coutinho Madruga; fim de supostos atos de tortura; dois dias para visitas, sendo um dia para visita íntima e outra para visita social; fim das sanções coletivas; e facilitação para atendimento médico e odontológico.

Também na carta, os detentos ameaçam transformar o sistema prisional do Estado em um verdadeiro “caos”. “Caso essa reivindicação não seja atendida (a saída de Osvaldo Júnior), o que é uma rebelião pacífica, pode se tornar em um verdadeiro caos no sistema prisional, o que não queremos que aconteça”. O Jornal de Hoje tentou contato com a diretora da Coordenadoria de Administração Penitenciária do Estado (Coape), Dinorá Simas, mas até o fechamento desta edição ela ainda estava em reunião com os diretores dos presídios que estão tendo problemas com a greve de fome.

A ação dos detentos começou na manhã desta segunda-feira (1), quando eles não quiseram se alimentar com a comida servida durante o café da manhã, rotina que se seguiu com as outras refeições. A greve ocorre nas seguintes unidades: Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta; Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz; Penitenciária Estadual de Parnamirim; Cadeia Pública de Natal; Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó; e Centro de Detenção Provisória de Ceará-Mirim.

Na Penitenciária de Alcaçuz, maior unidade prisional do estado, dos quatro pavilhões onde estão encarcerados 900 detentos, três aderiram à greve, totalizando 550 presos sem se alimentar. Na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz, 350 dos 400 presos se mobilizaram. Na Penitenciária Estadual de Parnamirim, os 497 detentos dos dois pavilhões evitaram as refeições. Na Penitenciária do Seridó, 310 dos 470 apenados não aceitaram as refeições. Já na Cadeia Pública de Natal, os 400 presos dos dois pavilhões aderiram ao movimento.

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