Devoto do Padre João Maria é guardião do busto do religioso há mais de 30 anos

Gabriel atribui ao padre ter sobrevivido a um grave acidente de carro

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Quem passa com frequência pela Praça Padre João Maria, na Cidade Alta, já está acostumado com as dezenas de pombos que vivem no local. Mas é no lugar, que está presente, todos os dias, o “guardião” do busto do religioso, transformado em ponto de peregrinação de fiéis de todo o Brasil, que vão ali para rezar, acender velas e pedir a proteção ao que pode vir a ser o primeiro santo do Rio Grande do Norte. De domingo a domingo, o aposentado Gabriel Fabrício cuida da manutenção do altar erguido para o padre e da alimentação dos pombos, durante toda a semana.

“Estou aqui pagando promessa ao Padre João Maria, que salvou a minha vida e a do meu filho, há muitos anos atrás. E faço isso com alegria e amor. A primeira vez que ele agiu nas nossas vidas foi há 30 anos, quando me livrou da morte após um acidente em que o carro que eu estava capotou várias vezes e não sofri nada grave. Com meu filho foi mais grave. O carro capotou e pegou fogo, ele sofreu queimaduras gravíssimas, quase morreu, mas fiz promessa e ele sobreviveu. Por isso, estou aqui e ficarei até eu ir embora”, explicou.

Sentado em frente ao busto, Gabriel afirmou que gosta de passar o dia na praça, pagando sua promessa e que os pombos são uma atração para quem passa pelo local, assim como os poucos gatos que circulam por ali. E que, assim como ele mesmo faz diariamente, muitas pessoas jogam milhos para as aves, que passam parte do dia nas fachadas dos prédios próximos.

“São animais dóceis, não fazem mal a ninguém, apesar de dizerem que transmite doenças ao homem. Eu gosto muito dos pombos e muitas pessoas também, mas sempre tem quem não goste. Antes, tinha mais de cem pombos aqui na praça, só que há algum tempo atrás, colocaram veneno junto à comida e a maioria morreu, infelizmente. Hoje, são poucos, mas trazem alegrias e atraem as pessoas que passam ou vem aqui rezar para o padre”, disse.

Gabriel afirmou ainda que as aves ajudam na limpeza da praça, já que comem os restos de comida que muitos deixam no local. E que, apesar da fama de sujo do pombo, ele nunca sofreu nenhum problema com o cocô deles, foco de reclamação de muitas pessoas que frequentam a área pública, como o comerciante Cícero Ferreira, que já passou por apuros por duas vezes.

“Passo aqui de vez em quando porque é um local tranquilo, apesar de ser no centro da cidade. Gosto dos pombos, mas às vezes é complicado, porque eles fazem cocô e sujam os bancos e até a nossa cabeça, como já aconteceu comigo duas vezes. A sorte é que eu estava usando boné nessas duas ocasiões, ou seja, não me sujei tanto. Mas, tirando isso, está tudo bem”, afirmou.

 

Promessa vitalícia

Franzino, Gabriel Fabrício tem a voz tranquila e um sorriso simpático. Casado há 53 anos, ele relembra os momentos de terror que viveu quando soube que seu filho tinha sofrido um grave acidente e estava entre a vida e a morte. “Naquela hora, só me lembrei de rezar muito e pedir ao Padre João Maria que salvasse meu filho, assim como ele tinha feito comigo anos antes. Vou pagar minha promessa até o fim da minha vida”, falou.

Ele contou que o carro em que seu filho estava pegou fogo e que ele acabou sofrendo queimaduras de terceiro e quarto graus e que só não morreu carbonizado porque o socorro chegou rápido. “Queimou ele todo, quem via, dizia que não sobrevivia, mas a minha fé no padre é muito grande e eu me agarrei a ele, para que intercedesse pela vida do meu filho, que graças a Deus e ao padre, conseguiu se recuperar e hoje está vivo”, desabafou.

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