Rosalba culpa gestão do PSB por problemas que a deixaram “impopular”

Governadora relembrou convites para deixar DEM como forma de cobrar apoio de colegas

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Ciro Marques

Repórter de Política

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) foi uma das últimas que chegou a reunião desta segunda-feira, no DEM, e foi uma das primeiras a ir embora. Não participou da votação que acabou por confirmar o desejo do senador José Agripino, de fazer o DEM se coligar com o PMDB e PSB e, consequentemente, acabar com as possibilidades de reeleição de Rosalba. Porém, antes de deixar o encontro, a atual governadora aproveitou o espaço concedido a ela e criticou a gestão anterior, da ex-governadora Wilma de Faria. Afinal, a mesma Wilma que agora o DEM queria (e decidiu) apoia-la, foi à responsável por prejudicar a única administração estadual democrata no País.

“Encontrei um estado falido, sem credibilidade, incapaz de exercer com eficiência as funções que lhe são atribuídas constitucionalmente. Tive que assumir posições políticas desgastantes para, inicialmente, viabilizar obras como Estádio Arenas das Dunas, as de mobilidade do Pro Transporte, a barragem de Oiticica, o maior programa de saneamento da nossa história e o RN Sustentável, em parceria com o Banco Mundial e dar as condições para o avanço na educação, aferido por institutos internacionais. O Rio Grande do Norte tinha ficha suja perante o Tesouro Nacional. O BNDES ou qualquer outro órgão não firmaria compromissos financeiros conosco, se essa ficha suja não se tornasse limpa. Consegui limpá-la, a custa de muitos sacrifícios pessoais, porém tendo sempre em mente”, afirmou a governadora, diante de um público que era, em sua maioria, defensor da aliança com a ex-governadora – tanto que assim decidiu após a saída de Rosalba Ciarlini do recinto.

E não foi só isso. No longo discurso, Rosalba também confirmou o desejo de ser candidata a reeleição e, por isso, pediu que seus correligionários não votassem na matéria proposta pelo senador José Agripino, de se aliar com PMDB e PSB. “Não tenho de que envergonhar-me, nem muito menos envergonhar o meu Partido, por mais que se propaguem inverdades a meu respeito”, afirmou ela, acrescentando, em outro momento, que “não há razões para complexo de inferioridade política dos Democratas potiguares. Temos discursos e argumentos, que amealharão os votos dos nossos conterrâneos”.

Como forma de cobrar retribuição do DEM, inclusive, Rosalba relembrou no discurso que foi convidada para deixar a sigla algumas vezes, mas não o fez, justamente para que o Democratas não perdesse a única governadora que tem. “Devo deixar claro que jamais contribuirei para cisões, ou divisionismo partidário. A minha posição é no sentido de expor fatos e fundamentos estatutários e jurídicos, visando, juntos, participarmos do embate eleitoral de 2014. Ressaltei não contribuir para cisões ou divisionismos, pelo fato de que nas flutuações da política brasileira tive oportunidade de liderar siglas partidárias que me foram oferecidas. Em todas as ocasiões me mantive firme”, ressaltou.

“A mesma firmeza ao defender o nosso partido nos momentos difíceis e decidi nele permanecer, quando inúmeros convites foram formulados a ter uma nova opção partidária, com garantias em muito reduziriam os obstáculos que tive que enfrentar, mas optei pela lealdade e respeito aos democratas”, acrescentou a governadora, em uma clara cobrança de retribuição.

Em outro momento da fala, Rosalba Ciarlini afirmou que o apoio político que o deputado federal Felipe Maia, filho do senador José Agripino, cobrou para que o partido apoiasse a candidatura dela, poderia ser facilmente conquistada por meio da união do DEM. E, claro, se o próprio José Agripino aceitasse trabalhar nesse sentido.

“O bom senso indica que seria impossível esse trabalho de convencimento partidário com esse clima. Além do mais, a formação de uma aliança passaria também pela ação pessoal do líder do partido senador José Agripino Maia e todos os Ilustres membros. Essa não seria uma tarefa individual, mas também partidária. De minha parte proponho-me a colaborar na montagem desse arco de alianças, inclusive por já existirem entendimentos em andamento, sendo necessária a demonstração de confiança e solidariedade do meu partido, sem o que a tarefa será enormemente dificultada. Não tenho dúvidas de que a partir da liderança incontestável do senador José Agripino, que tem uma história de lutas escrita no estado e a participação de todos nós, seremos competitivos, na eleição majoritária e proporcional”, afirmou.

INELEGIBILIDADE

A governadora Rosalba Ciarlini também tocou no delicado ponto da inelegibilidade imposta a ela por duas condenações sofridas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por atitudes praticadas durante a eleição de Mossoró, em 2012.

“Não posso negar que uma interpretação desconhecendo o sagrado principio da ‘presunção de inocência’, antes do transito em julgado da condenação, conclua pela minha presumida inelegibilidade. Todavia, a justiça eleitoral já prolatou reiteradas decisões, assegurando o registro de candidatos que, porventura, tenham inelegibilidade declarada por Colegiado judicial, como seria o caso do TRE estadual. Como se vê não há essa inelegibilidade automática, que me impeça de pleitear, como pleiteio, o direito de disputar a reeleição. Prevalecerá a presunção de inocência e a regra de que a justiça não pode retirar do eleitor o direito de votar em quem não tenha contra si – como é o meu caso pessoal – condenação judicial definitiva”, garantiu Rosalba.

É bem verdade, entretanto, que a tal presunção de inocência não evitou que Cláudia Regina (DEM) e Larissa Rosado (PSB) tivessem os registros de candidaturas na eleição suplementar de Mossoró negados.

Ney compara direção do DEM aos militares que deram golpe em 64

A possibilidade da governadora Rosalba Ciarlini ser candidata a reeleição no Rio Grande do Norte foram sepultadas na reunião desta segunda-feira, do Diretório Estadual do Democratas. E quem afirma isso não é o presidente estadual do partido, o senador José Agripino. A afirmação é do ex-deputado federal do DEM, Ney Lopes, justamente, um dos únicos apoiadores da chefe do Executivo Estadual. E, por isso, não são poucas as críticas que a cúpula partidária merece por “cassar” o direito a reeleição da única governadora democrata da atualidade.

Merece, até, ser comparada ao Comando Revolucionário de 1964, responsável por instalar a Ditadura Militar no País – fazendo referencia a um período delicado da vida político do DEM, que até hoje ainda é lembrado como um partido que evoluiu beneficiado pela ditadura brasileira, com inclusive a indicação de José Agripino para o cargo de prefeito de Natal.

“A governadora Rosalba Ciarlini está, portanto, de fato absolutamente fora da disputa eleitoral de 2014. O seu próprio partido afastou-a impositivamente, sem dar-lhe o direito de dispor de um prazo para reverter à situação política e jurídica que lhe atinge. Ela pediu esse prazo na reunião e lhe foi negado. Tudo foi negado”, afirmou Ney Lopes em artigo enviado aO Jornal de Hoje após a reunião desta segunda-feira, quando a maioria do partido aprovou o desejo do senador José Agripino, do DEM formar coligação com o PMDB na proporcional.

Mas se foi isso que foi aprovado, a coligação, por que Rosalba Ciarlini já está automaticamente fora da disputa pela reeleição, mesmo ela afirmando que ainda tentará reverter a decisão na Convenção do partido? “O DEM aprovou na reunião a recomendação de que o partido deve coligar-se na eleição proporcional com os partidos de Henrique e Wilma. Ora, no instante em que o DEM se coligar na eleição proporcional, após decisão da Convenção, estará automaticamente coligado na eleição majoritária e terá que apoiar Henrique para o governo e Vilma para o senado”, respondeu Ney Lopes, relembrando que, com isso, o Democratas “se juntará no RN aos correligionários de Lula e Dilma Rousseff”.

“Somente acredita que a Convenção do DEM conceda o direito de Rosalba Ciarlini pleitear a reeleição, aquele que também acredite na existência de Papai Noel. Trata-se de um sofisma, pura enganação dos dirigentes do DEM fazerem tal afirmação. O DEM armou uma ‘emboscada’, ‘uma cilada’ contra Rosalba. Não se trata de ‘emboscada’ contra o próprio partido, mas sim contra a governadora Rosalba Ciarlini e tirar-lhe a chance de disputar a sua reeleição”, acrescentou Ney Lopes.

“Os dirigentes do DEM para esconderem o ‘sol com uma peneira’ teimam em fazer essa afirmação. Entretanto, mesmo diante da possibilidade de recorrer à Convenção, consumou-se a ‘cassação branca’ de Rosalba Ciarlini de fato e não de direito, através de manobra política escusa e pela forma autoritária e rude como a reunião foi conduzida. Todos perceberam os propósitos revelados pela cúpula dos Democratas, que são de levar, a todo custo, o apoio do partido para os candidatos Henrique Alves e Wilma de Faria”, ressaltou o ex-deputado federal, que poderia ser candidato a senador se Rosalba Ciarlini fosse mesmo escolhida como candidata a reeleição.

CONVENÇÃO

Segundo Ney Lopes, mesmo que a votação desta segunda-feira no DEM, que confirmou que o partido terá coligação com o PMDB na proporcional, possa ser anulado na convenção, para Rosalba será muito difícil reverter essa possibilidade. Isso porque José Agripino, como descreveu Ney, tirou do bolso de sua algibeira a data de 15 de junho para marcar a Convenção do Partido, “a fim de criar dificuldades à governadora buscar o apoio dos convencionais do partido, todos eles ‘já trabalhados’ pelos que apoiam a tese de coligação com socialistas e pemedebistas locais, sacrificando a sua candidatura”.

“Observe-se que o dia 15 de junho é a véspera do jogo em Natal, pela Copa do Mundo, da equipe dos Estados Unidos, quando estará presente o vice-presidente daquele país. Uma data dificílima para o deslocamento dos convencionais, que virão do interior do estado. Até a locomoção nas ruas e rodovias terá a presença de severa vigilância, inclusive do FBI americano, no sentido de garantir a segurança dos visitantes”, analisou. (CM)

 

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