Dicá e a Ponte Preta

Resolvi tripudiar da meninada. Dos garotos metidos a espertos quando o assunto é bola. Quer dizer que Juninho Pernambucano é…

Resolvi tripudiar da meninada. Dos garotos metidos a espertos quando o assunto é bola. Quer dizer que Juninho Pernambucano é o máximo batendo falta né? É. Roberto Carlos, o lateral-esquerdo mascaradão, era O Cara, chutando com força e curva, como nenhum outro no mundo, ok? ok. Ronaldinho Gaúcho parece cobrar com uma pluma nos pés transformando a barreira numa fachada de inúteis invisíveis, não é mesmo? Claro.

Pois junte Juninho Pernambucano, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e mais uns três dessa geração que esteve brilhando até uns anos atrás, mais na mídia do que pela competência e tenha a certeza de que na soma haverá a metade da sola do pé de um meia-armador chamado Dicá, da Ponte Preta.
Dica foi o maior cobrador de faltas do Brasil nos anos 1970/80 . Sim, batia tão lindamente quanto Zico, Zenon do Guarani e Corinthians, Roberto Dinamite e Rivelino. Chutava com a parte interna do pé direito, enviesado, a bola fazia uma parábola e morria no ângulo do goleiro. Dicá raramente errava uma cobrança. Os adversários tinham por ordem expressa dos seus técnicos evitar faltas na entrada da área.

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Dicá punha as mãos na cintura, dava dois passos, descia o peitoral e tocava levemente na bola. O passeio aéreo era lento, belo e agonizante. Goleiros grandes e ruins como Jairo, do Corinthians, se esticavam inutilmente. Outros, ótimos como Leão do Palmeiras e Raul do Cruzeiro ou o mediano Valdir Peres do São Paulo ficavam plantados, esperando que a bola não chegasse até a trave. Imóveis, resignados, evitando saltos decorativos.

Em torno do talento cerebral de Dicá, girava o time mais charmoso daquela segunda metade dos anos cabeleira, das camisas Volta ao Mundo e das calças boca de sino. A Ponte Preta de Campinas assombrava o Brasil com seu jogo ofensivo comandado por um camisa 10 de inteligência enxadrista de tão serena.

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Era Dicá quem dava as ordens, apontava os caminhos, fazia os lançamentos, chutava forte quando era preciso, devagar e com sutileza sempre. Dava o toque de plasticidade a um meio-campo de raça e disciplina tática, composto pelo volante Wanderley, tarimbado e campeão brasileiro pelo Atlético Mineiro, e o marcador Marco Aurélio, que também sabia trocar passes com qualidade nota seis.

A Ponte Preta transformava o seu estádio, o Moisés Lucarelli, num campo de batalha insuperável. Ninguém vencia a Macaca. A Ponte Preta era o Vasco de São Paulo, com seu uniforme preto e branco com listra cruzando a camisa. Era o Vasco também pela triste vocação de sucumbir nas finais.

Seu ano prateado foi 1977. Uma campanha impecável levava todos os especialistas a apontá-la campeã paulista pela primeira vez, ultrapassando o Trio de Ferro formado por Corinthians, Palmeiras e São Paulo e o decadente Santos de Fernando Narigão, Totonho e Toinzinho, sofrendo os três primeiros anos de viuvez de Pelé.

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A Ponte Preta contava com três jogadores da seleção brasileira que seriam convocados para a Copa do Mundo da Argentina no ano seguinte: o goleiro Carlos, e os zagueiros Oscar e Polozzi. Seu ataque tinha a rapidez dos pontas Lúcio Bala e Tuta e a irreverência do polêmico artilheiro Ruy Rei, revelado pelo Flamengo nos tempos de Zico na escolinha.

O destino começava a castigar a Ponte Preta e tirar de Dicá, o direito de usar uma faixa de campeão. Em 1977, o Corinthians parecia ungido pelo carisma transcendental do técnico Oswaldo Brandão e pela força da Fiel torcida esperando há 23 anos por um campeonato.

A Ponte Preta venceu quatro vezes o Corinthians durante os dois turnos. Na pontuação final, foram para a decisão. O Corinthians venceu a primeira e seria campeão na segunda partida, um domingo com 140 mil pessoas superlotando o Morumbi.

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O Timão abriu o placar com o ponta Vaguinho e o estádio celebrou em alegria contida. Botijões de gás usados para encher balões haviam explodido antes da partida e ferido dezenas de torcedores. A comemoração antecipada do Corinthians daria errado. Dicá, de falta, parecia encestar no basquete, empatando a partida. Ruy Rei virou e forçou o jogo extra.

O Corinthians foi campeão com o gol de Basílio, o predestinado. A Ponte Preta tinha melhor time e o camisa 10. Dicá jogava pelo meio-campo inteiro do Corinthians naquela decisão: Ruço, Luciano e o heroico Basílio.

A Ponte Preta nasceu sem a obstinação pela glória. Perdeu de novo em 1979 para o Corinthians e em 1981 para o São Paulo. Este ano, foi rebaixada para a Série B do Brasileirão, mas está na decisão da Copa Sul-Americana. O título seria uma maravilha. Numa cobrança de falta. Em homenagem ao craque Dicá.

 

América ágil
O América demonstra agilidade e garante o goleiro Andrey e o volante Márcio Passos, duas peças importantes para o próximo ano. Andrey foi decisivo para o clube para a permanência na Série B e Márcio Passos joga o feijão com arroz.

ABC
A renovação de Junior Timbó é uma boa notícia.

Gatos de casa
A nova edição da Revista Mundo Estranho, da Editoria Abril, traz um especial sobre mentiras e aborda os gatos do futebol, jogadores acusados de adulterar idade para menos. Entre os cinco maiores casos apontados pela revista, estão dois e boleiros com passagens por América e ABC.

Hiroshi
O meia Sandro Hiroshi, que jogou em Natal em 2008, é citado pela farsa do seu registro de nascimento com idade reduzida em um ano. Sandro foi descoberto em 1999, quando revelado pelo Rio Branco (SP).

Schmoller
O outro caso é o do volante Michel Schmoller, que andou pelo ABC este ano na Série B com passagem discreta. Em 2007, foi cortado da Seleção Brasileira Sub-17 quando a CBF o descobriu quase três anos mais velho que o permitido. A Revista Mundo Estranho elenca outros três felinos famosos: O nigeriano Taribo West, o equatoriano Max Barrios e Emerson Sheik, do Corinthians.

Gol de Rondinelli
Há 35 anos, o Flamengo conquistava o Campeonato Carioca na famosa cabeçada do zagueiro Rondinelli aos 41 minutos do segundo tempo, vencendo o Vasco por 1×0 no Maracanã com 120.433 pagantes. Começava ali a arrancada de um dos maiores times da história do futebol brasileiro.

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