Diego, o campeão – Rubens Lemos

Diego, o bom, sempre esnobou fora de campo. Diego, o mau, tratava bem os fãs e estripava os adversários no…

Diego, o bom, sempre esnobou fora de campo. Diego, o mau, tratava bem os fãs e estripava os adversários no gramado. Nem precisava. Maradona, o bom, o gênio, comandava a Argentina do final dos anos 1980 até a exclusão por doping na Copa de 1994 sobrevivendo de lampejos e usurpando em neuroses.

Simeone, o Diego mau, formava com Fernando Redondo, um cabeludo de longas madeixas lisas e loiras, uma dupla formidável de meio-campo. Os dois armavam ataques, municiavam laterais com toques inteligentes, ultrapassavam a linha média com estilo e fôlego.

Simeone secundarizava seu talento. Nos clássicos contra o Brasil, encarnava o Nosferatu de jogadas desleais, pisões, cotoveladas e chutes por trás. E um olhar entre o desafiador e o quase psicopata.

Levou porrada de Romário, Dunga deu-lhe dois ou três trancos corretivos, o zagueiro cabra macho Ricardo Rocha juntou-lhe com bola e grama pela lateral do Estádio do Arruda em Recife. Simeone nunca mais se atreveu contra o time que imaginava feito apenas dos frouxos Bebeto, Raí e Leonardo.

O futebol preservou um volante e meia-armador de classe na condução de bola, mantidas a raça e a deslealdade natas. Diego Simeone, o mau, estava longe de jogar o feio, se o cineasta Sérgio Leone, do faroeste italiano, resolvesse fazer um filme de tríade futebolística. Era um lutador em campo que carregou sua postura para o banco de reservas.

Foi bacana vê-lo comemorando o título espanhol pelo Atlético de Madrid, onde se tornou ídolo, após 18 anos de espera. Um homem mau não iria, paciente e sensibilizado, até o velhinho chorando de felicidade e o abraçaria, como um filho consolador.

Sem caixa milionário, eficiente , nada de pancada, o Atlético de Madrid consagra o técnico Simeone, o Diego Campeão. O próximo comandante argentino, jogando bonito e na bola.

Bom começo

Na história da Série B, geralmente um ganha e o outro perde. A rodada de sábado foi uma das melhores de todos os tempos para ABC e América, ambos em colocações impensáveis antes do campeonato. O ABC no G-4 e o América se aproximando, com 7 pontos, três a menos que o rival. Manter o ritmo é o desafio.

Desfalques nem tanto

O ABC estará sem o zagueiro Suélinton e o lateral Luciano Amaral para o reencontro com o Atlético de Goiás amanhã no Serra Dourada. São duas peças que não fazem tanta falta. Com substitutos meramente razoáveis, se resolve o assunto.

Na parede

O técnico Zé Teodoro se esgoelou na suada vitória contra o Sampaio Corrêa para que o ABC não ficasse preso à defesa. Sou sua testemunha. Pedia o tempo inteiro para o time tocar a bola e sair para o ataque. Os jogadores recuavam jogando com a “bundjinha na parede”como dizia o amigo Pedro Albuquerque, técnico campeão no Nordeste inteiro.

Passe

Rogerinho voltou a jogar mal. Está perdoado pelo passe perfeito para o gol de Dênis Marques. Parecia dizer: faz, está aí, na tua cara.E Dênis Marques completou. O ABC não pode jogar sem armadores no meio-campo. Volante demais não parava Lampião no cangaço. Volantes eram milícias formadas por policiais e pistoleiros, geralmente surradas por Virgulino.

Torcida do América

Ficou animada ou reanimada pela vitória impensável contra a Portuguesa, no finalzinho, de virada. Teve quem desligasse a TV e o rádio certo da derrota. Acordou com foguetões e estranhou ao abrir a internet. A torcida se anima para o jogo de amanhã contra o Ceará.

Revanche

Não deixa de ser uma oportunidade para o América – na bola – devolver o azedume engasgado pela eliminação na Copa do Brasil derrotando o Ceará na Arena das Dunas. Perspectiva de bom público apesar do horário inconveniente das 21h50.

Torcer contra

Fanáticos acusam muita gente de torcer contra a seleção brasileira. Ninguém torce contra. O que algumas cabeças não aceitam, com equilíbrio e ponto de vista formado sem fundamentalismo, é o futebol feio da seleção da CBF que nunca foi e não deverá ser com Felipão, o que se convencionava chamar de futebol brasileiro de verdade. Simples, nem precisa desenhar.

Chinelo proibido

Se uma medida ridícula do tipo fosse tomada no Nordeste, viraria piada nas redes sociais e reportagem em todos os programas de televisão. O Oeste de Itápolis proibiu os seus torcedores de entrar no seu estádio usando sandálias japonesas. É todo mundo descalço de sapato ou tênis.

Sandália autônoma

O argumento idiota é de que o clube pode ser punido se uma sandália for jogada no gramado. Seria mais sensato fechar os portões e impedir a entrada do público, porque nunca se viu, nem nos filmes da Sessão da Tarde, sandália entrando em campo por vontade própria. Rádios, cornetas, bandeiras e objetos que podem ser escondidos por dentro da roupa continuam entrando, sem problemas. Essa é pro Troféu Cangalha 2014.

Menino e o Poema

O jurista e escritor Carlos Roberto de Miranda Gomes revisa parágrafos e alinha pontos finais em seu livro O Menino e o Poema de Concreto, uma homenagem biográfica ao seu irmão, o arquiteto Moacyr Gomes. Interessantes episódios sobre a construção e demolição do Machadão, desenhado por Moacyr e fatos importantes sobre a Arena das Dunas, o sucessor imposto.

Petinha contra o América

Para não perder a convivência com a bola, por absoluto vício, o artilheiro Petinha, nascido em Parnamirim e com passagem nos principais clubes de Natal, Londrina(PR) e Náutico(PE), decidiu disputar o Campeonato Estadual de 1977 pelo hoje extinto Atlético. E deve ter se arrependido. Petras, falecido há nove anos de problemas cardíacos, fez 1×0 para o Moleque Travesso. O América enfiou 8×1.

Gols

Na noite de 19 de maio de 1977, 729 pessoas compareceram ao Castelão(Machadão) para ver a partida pela 4a rodada do primeiro turno. Foram dois gols de Aluísio, dois de Alberi, dois de Marinho Apolônio, um de Joel Copacabana e outro de Argeu, contra o gol solitário de Petinha,que já cuidava de sua loja de artesanato no Aeroporto Augusto Severo.

Times

América: Cícero; Ivã Silva(Joel Copacabana); Joel Santana; Argeu e Jorge Nei; Washington, Alberi e Marinho Apolônio; Pedrada (Ivanildo Arara), Aluisio e Soares. Atlético: Bastos; Edilson (Etevaldo); Birino, Normando e Paulinho; Francisquinho, Paulo Roberto e Jaime(Maia); Pompila, Petinha e Bosco.

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