Dilma capitaliza com insatisfação e cresce com aumento de brancos e nulos

Com uma taxa de 13% de brancos e nulos – eram 7% em 2010 – Dilma saltaria para 45%, Aécio para 27% e Campos para 10%

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A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é a maior beneficiada pelo aumento de brancos e nulos verificado pelas pesquisas de intenções de voto, especialmente nos maiores colégios eleitorais do Brasil, onde a média de abstenção chegou a triplicar em relação ao mesmo período da campanha presidencial de 2010 (tomando por base as pesquisas de intenção de voto do Ibope nos Estados realizadas no final de julho de 2010 com a do mesmo período deste ano).

De acordo com a última pesquisa Ibope, Dilma está com 38% das intenções de voto em todo o Brasil, seguida pelo tucano Aécio Neves (23%) e por Eduardo Campos (PSB), com 9%. Se a eleição fosse hoje, o TSE excluiria da conta os votos brancos e nulos, mudando os índices dos candidatos.

Com uma taxa nacional de 13% de brancos e nulos – em 2010 ela estava em 7% – Dilma saltaria para 45%, Aécio para 27,2% e Campos para 10,6%. Esse número se aproxima ao que Dilma obteve quando foi ao segundo turno em 2010, ao atingir 46,9% dos votos, contra 32% de Serra e 20% de Marina Silva.

Nos maiores colégios eleitorais do País – Rio de Janeiro, São Paulo e Minas –, os nulos e brancos chegam a 15,6%, quase três vezes mais (5,6%) do que as pesquisas apontavam no mesmo período de 2010.

A média de votos nesses três Estados é de 32% para Dilma, 27% para Aécio e 5,3% para Campos. Sem os brancos e nulos, a presidente salta para 38%, Aécio vai a 32% e Campos a 6,2%.

Especialista em pesquisas de opinião e marketing eleitoral, o cientista político da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Rodrigo Mendes Ribeiro atribui os altos índices de abstenções à estagnação econômica e aos protestos de junho. “Também tivemos o julgamento do mensalão, o que afasta os representantes dos representados, que não se identificam com os candidatos.”

Ribeiro lembra que, ao retirar da conta brancos e nulos, todos os candidatos crescem proporcionalmente, o que pode aumentar as chances da presidente se reeleger no primeiro turno. Mas essa não é sua principal aposta.

O professor lembra que Aécio e Campos são muito desconhecidos em todo o Brasil e o horário eleitoral deve apresenta-los a um público que pode desistir de anular ou votar em branco. “Dilma é muito conhecida. Serra também era em 2010. Agora, cerca de 37% do eleitorado nunca ouviu falar de Aécio. Imagina de Campos”, diz. “Ao mesmo tempo, 80% do eleitorado diz que quer mudança. Isso explica muito o atual cenário.”

 

Fonte: iG

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