Dilma muda estratégia e adota discurso ‘terrorista’ contra Marina

Presidente repetiu a artilharia contra a adversária do PSB em evento no Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC paulista, reduto petista em São Paulo

Dilma Rousseff: ato em reduto petista em São Bernardo do Campo . Foto:Divulgação
Dilma Rousseff: ato em reduto petista em São Bernardo do Campo . Foto:Divulgação

Dando sequência à estratégia de centrar fogo na candidata do PSB ao Palácio do Planalto, Marina Silva, a presidente-candidata Dilma Rousseff realizou nesta terça-feira um ato político com sindicalistas em São Bernardo do Campo, tradicional reduto petista na Grande São Paulo, e adotou um discurso de terrorismo contra a adversária. Para combater o avanço de Marina nas pesquisas de intenção de voto, o PT alçou a ex-senadora ao posto de principal adversária de Dilma – e alvo direto dos ataques da presidente. Nesta terça, Dilma se referiu nominalmente a Marina em um palanque. E associou as propostas da candidata do PSB para a economia ao desemprego. Dilma desfilou em carro aberto ao lado do ex-presidente Lula pelas ruas da cidade. O candidato petista ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, ficou de fora do evento.

“Fiquei muito preocupada com o programa de governo da candidata Marina. Ela reduz a pó a política industrial”, afirmou a presidente, referindo-se às políticas adotadas por seu governo para estimular a indústria automobilística. “Nós temos uma única métrica: se gera emprego é bom para o país. Se não, é ruim”, prosseguiu. Dilma ainda afirmou que o plano de governo de Marina tira dos bancos públicos o poder de financiar projetos na indústria e na agricultura. “Essa proposta da candidata é simplesmente a nova destruição da indústria naval”, disse a presidente. “Fico muito preocupada quando querem acabar com o papel do BNDES”, completou.

O programa de Marina Silva critica a orientação “excessivamente protecionista” da política industrial do atual governo. Em outro trecho, o documento afirma: “As políticas de conteúdo local só são efetivas enquanto constituírem casos especiais, e não a regra da política industrial”, dos mesmos benefícios tributários das filantrópicas. Também estabelece que os fiéis que trabalham no dia a dia das igrejas não tenham vínculo empregatício – o que Dilma também se referiu à política de conteúdo local de seu governo, um conjunto de medidas protecionistas com o objetivo de incentivar a instalação de indústrias no Brasil. Segundo ela, a proposta de Marina “acaba com a política de produção local e com a indústria automobilística”.

O ato político desta terça foi decidido na noite de segunda em reunião entre coordenadores da campanha à reeleição e o ex-presidente Lula. O grupo decidiu que é hora de Dilma priorizar o chamado corpo a corpo, com mais contato com o povo. Nas palavras de um dirigente petista, Dilma “precisa estar mais presente” e “se fazer visível o máximo possível”. Não à toa o encontro desta terça reúne duas das principais centrais sindicais: CUT e UGT. Pelo menos 1.000 pessoas acompanham o evento. Ao lado de Dilma estão prefeitos petistas de duas cidades do ABC: Carlos Grana (Santo André) e Luiz Marinho (São Bernardo).

Fonte: Veja

Compartilhar:
    Publicidade