Dilma x Dilma – Alex Medeiros

Por Eduardo Giannetti Na Folha de S. Paulo   O passado não pode ser mudado – é lenha calcinada. O…

Por Eduardo Giannetti

Na Folha de S. Paulo

 

O passado não pode ser mudado – é lenha calcinada. O futuro será o que fizermos dele – é promessa de combustão. Daí que todas as nossas escolhas na vida prática, como ensina George Shackle, “se dão sempre entre pensamentos, pois será sempre tarde demais para escolher sobre os fatos”.

O início formal da campanha convida a refletir sobre o caminho trilhado e as opções em jogo. Ao término do mandato, há duas formas básicas de se avaliar um governo.

A primeira é interna: o governo realizou o que se propôs a fazer? Trata-se de medir a gestão por sua própria régua: o hiato entre propósitos declarados e resultados obtidos. Já a avaliação externa questiona o teor da visão estratégica – ou a falta dela – que norteou a ação do governo.

O exame recai sobre o projeto perseguido: a pertinência dos valores e prioridades revelados pelas políticas implementadas.

Como o espaço é exíguo, atenho-me neste artigo a uma avaliação interna do governo Dilma na área de atuação em que o hiato entre o almejado e o obtido foi mais gritante –a economia.

Três grandes paradoxos marcam a atual gestão.

Dilma elegeu-se e governou sob o signo da aceleração do crescimento. Ultrapassado o impacto da crise global, a intenção era dar sequência à vigorosa recuperação de 2010 e superar os 4% de média anual dos governos Lula.

Apesar de todo o empenho sincero –e em boa parte por causa dele, na medida em que a adoção de uma pletora de medidas “ad hoc” gerou grave incerteza sobre as regras da economia– o resultado foi justamente o contrário do pretendido.

O governo Dilma encerra o mandato com a menor taxa de crescimento de toda a era republicana, excetuados os governos Floriano Peixoto e Collor. No acumulado de 2011 a 2014, nosso crescimento deverá ficar em 61% do verificado na América Latina.

O segundo paradoxo decorre do voluntarismo na política monetária. Movido pela intenção louvável de reduzir o custo dos investimentos, o governo Dilma fez da queda da taxa Selic sua grande bandeira.

Só que em vez de criar condições reais para isso, forçou uma redução prematura e viu a inflação extrapolar o teto da meta.

Deu no que deu: o Brasil volta a ostentar a maior taxa de juros real planetária e a Selic deverá terminar o atual mandato acima do patamar inicial –fato inédito desde a adoção do regime de metas em 1999.

E, por fim, a joia da coroa. Um governo de claro perfil estatizante mas que, graças a barbeiragens e gambiarras em série, logrou a proeza de prejudicar seriamente nossas duas maiores estatais, Petrobras e Eletrobras, deprimindo seu valor patrimonial e tolhendo sua capacidade de investimento.

Os resultados, outra vez, tripudiam das intenções. Obra de rara alquimia. (EG, na Folha de S. Paulo)

Reajustes

O governo Rosalba Ciarlini pode até ter feito uma boa ação para um setor do funcionalismo público, mas inchou mais ainda a máquina pública com os aumentos para delegados, agentes e escrivães da Polícia Civil. A folha de pagamento não tá fácil.

Disparidade

Agentes e escrivães, que receberam aumentos de 35%, não ficaram satisfeitos com a distância aumentada para os delegados, que perceberam reajuste de 66%. Mesmo aprovada, a mensagem do governo deixou parlamentares preocupados com o erário.

Deputado

O pernambucano Tadeu Alencar, ex-chefe da Casa Civil do governo Eduardo Campos, vai tentar uma cadeira de deputado federal pelo PSB. Alencar vem muito a Natal e Pipa, sempre ciceroneado pelo amigo de longa data, o potiguar Albimar Morais.

Pesquisas

Toda solidariedade ao candidato do PSOL ao governo do estado, Robério Paulino, no seu pedido para que o MP abra os olhos sobre a indústria das pesquisas eleitorais no RN. Não todos, mas por aqui há institutos que operam como consultoria partidária.

Boiou

Camisetas da seleção, bonés, perucas verdes e amarelas, apitos, cangas, bandeirolas, óculos extravagantes, tiaras, sandálias, toalhas e mais um monte de bugigangas para torcer na Copa estão empacados em gôndolas e estoques de lojas por todo o país.

Promoção

Nas ruas do Rio de Janeiro, onde comerciantes e camelôs sempre são criativos e irônicos, já existe uma promoção cheia de picardia para desovar os produtos encalhados. Muitos deles são expostos com a hilária oferta: “De 7 por 1″. Em real ou euro.

Impostos

Agora é oficial. O Brasil deixou de arrecadar da FIFA R$ 1,1 bilhão em tributos, enquanto entidade faturou mais de R$ 10 bi. Na Copa 2006, a Alemanha arrecadou dos organizadores impostos no valor de R$ 326 milhões. A civilização não faz mimo.

Adivinhação

Muita gente impressionada com um vídeo que circula no WhatsApp de um tal “Carlinhos Vidente” que teria previsto a goleada alemã e a contusão de Neymar. Mais um “hoax” (e-farsa) nas redes, pois o depoimento é gravado após os fatos da Copa.

Pirataria

Se há um legado da Copa, este seria o esquema organizacional da FIFA no controle dos seus direitos autorais e no respeito ao consumidor. O Brasil deveria aprender, a começar pelos filmes gravados em celular ou baixados da internet e comercializados nas ruas.

 Luís Suarez

O atacante uruguaio expulso da Copa pela mordida num italiano já não pertence ao Liverpool. O time do Barcelona fechou contrato com ele até 2019 e já vende sua camisa. O clube catalão comunicou formalmente o fato a Neymar e Lionel Messi.

A bola rola

A Copa 2014 acaba no domingo, mas o futebol já estará de volta 48 horas depois pelos gramados do mundo. Se iniciam as temporadas na Europa e retornam as séries do Brasileirão, a Copa do Brasil, a Taça Libertadores e a preparação para as Olimpíadas.

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