Dirceuzinho dois – Rubens Lemos

Oscar é a dança com irmã imitada de Dirceuzinho de 1974/78. No meio-campo quadrado nulo de jurássicos regentes. Da academia…

Oscar é a dança com irmã imitada de Dirceuzinho de 1974/78. No meio-campo quadrado nulo de jurássicos regentes. Da academia da bola. Sem credenciais ante expectativas presunçosas: saber driblar e tocar suave. Caderno de encargos do criativo.

Salve exclamações a Oscar. Fez um belo terceiro gol. Terá chutado para se livrar do beque ou batido na perfeição? Do Bueno, o Galvão. Para a maioria geral, palavra de Bueno, Galvão é sentença.

O Brasil passou pelo estádio no segundo tempo. Templo. Da presidente fazendo figa. Mandingueiros dirão que, por ideologia, ela estaria vibrando por Modric.

Dilma é brasileira concorde-se ou não com seu mandato pífio. Petrolífero. Dilma fazendo figa fomos nós, Hulk e Fred dando voltas pelo Cemitério da Aclimação, fugindo da estreia.

Oscar, o Dirceuzinho de hoje. Má vontade jamais. Costume com passes perfeitos no setor socrático do raciocínio. Diminutivos nunca serão. Sem driblar, não.

Comparando

Mané Garrincha desmoralizou a seleção chilena no Estádio Nacional de Santiago dia 13 de junho de 1962, na vitória por 4×2 que classificou o Brasil para a final da Copa contra a Tchecoslováquia. Sublimação de Mané. Fez 1×0, de canhota, 2×0 de cabeça, driblou e redriblou os donos da casa. Vavá marcou os outros dois. Toro e Sanchez descontaram.

Reação

De tanto apanhar, Mané reagiu no impulso jamais visto em toda a carreira. Sempre que enfileirava adversários e era agredido por um deles, voltava para fintá-lo no revide de tourada. Rojas bateu tanto que Mané deu um biquinho em sua bunda.

Delação

Rojas encenou teatro mais descarado que o pastelão e o árbitro Arturo Yamazaki expulsou o gênio. Baseado na delação do bandeirinha uruguaio Esteban Marino. Garrincha levou pedrada na cabeça ao sair.

Tancredo na área

Sem Pelé desde a primeira fase, perder Garrincha na decisão seria fatal para o Brasil. Uma competente e ardilosa trama de bastidores fez desaparecer o uruguaio Marino, supostamente premiado com dólares e longas férias na Europa. O então primeiro-ministro Tancredo Neves, reunindo a maestria de um Didi e a perspicácia natural de Garrincha, fez uma carta apelando para as boas relações diplomáticas entre Brasil e Chile.

Absolvido

Sem o relatório do desaparecido auxiliar, Garrincha foi absolvido. Seu futebol contra o Chile confirmou a sentença de que jogara por ele e pelo Rei ausente desde a segunda rodada. Garrincha estava inspirado e dedicava suas vitórias à diva da música Elza Soares, com beijos e insinuantes incursões em territórios secretos e protuberantes.

Solitários vencedores

A vitória sobre o Chile em 1962, nunca deve ser esquecida pelos mais jovens. Garrincha ganhou 1962. Como em 1986 Maradona deu o título para a Argentina e em 1994, Romário matou o tetra no peito e na malícia. Só os três venceram mundiais em carreira-solo.

Times

O Brasil do técnico Aimoré Moreira venceu com Gylmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. O Chile: Escutti; Eyzaguirre, Contreras, Raul Sanchez e Rodriguez; Rojas e Ramírez; Toro, Landa, Tobar e Leonel Sanchez. Técnico: Fernando Riera

Glória e morte

O Estádio Nacional viveu naquela tarde sua última jornada gloriosa de futebol, com 76.594 torcedores pagando ingresso para ver o impossível real em vias tortas de um anjo feito criança desengonçada.

Sangue

Nove anos mais tarde, com a queda do presidente Salvador Allende, assassinado pelo ditador Augusto Pinochet, o estádio virou matadouro de presos políticos. Milhares foram fuzilados em seu campo e corredores.

Melhor jogo

Natal ficou em transe pelo jogo Marrocos x Camarões, do grupo do Brasil. Parte da cidade em frenesi, outra em desconfiado sossego, clima de quase refúgio domiciliar. Bom mesmo será Espanha x Holanda.

Remake ou vingança

A Espanha terá de mostrar que ainda está viva e graciosa, a bem do futebol bailarino e sofisticado. A Holanda é um perigo e quer vingar a derrota na final da Copa da África do Sul. Todos, juntos, vamos, para frente da TV. É o maior clássico da primeira fase (empatado com Itália x Uruguai) o desta sexta às quatro da tarde.

Para francês ver

A revista francesa “Le Équipe” não é mais a mesma. Escolheu os 50 melhores jogadores brasileiros e colocou o ciscador Robinho à frente de Taffarel e Ademir Menezes. Pior: Ronaldinho Gaúcho, para jornalistas gauleses, foi (ele é um ex-jogador) mais jogador do que Zizinho, Nilton Santos, Gerson e Jairzinho. Seria como deixar Zidane e Platini fora do filé dos cobras bléus.

Rei e vice

“Le Équipe” obedeceu a lógica e escalou Pelé em primeiro e Garrincha em segundo. Errou ao botar Ronaldo no terceiro lugar. Nem por ameaça de invasão de Barack Obama, ele chega perto de Zico ou de Romário. Ou de Tostão. Ou de Rivelino. Nem de Rivaldo.

Pardal traíra

Um clube da tradição do América não deve lamentar a saída de um atacante comum. Adriano Pardal era destaque pela escassez geral. Acertou seu retorno e quebrou compromisso por dinheiro. Vai para o Oriente Médio. Lá, voará baixo porque as regras são rígidas. Na vida, nada é maior que o peso da palavra dada. Os fracos se quebram. Só eles.

Somália

O volante Somália, lateral nas horas vagas, ainda é muito útil ao ABC e sua recuperação deve ser bem recebida pela Frasqueira na volta da Série B. Quem precisa dar sinal é o meia-atacante Júnior Timbó. Em forma, não vi ninguém melhor em qualquer outro time da Segunda Divisão.

Chinês na área

Neste domingo, uma equipe de televisão chinesa vai conhecer e documentar o trabalho da Escolinha de Futebol 1o Gol, do professor Paulo Victor Duarte. A partir das 97h45horas no campo da comunidade do Leningrado. O trabalho voltado aos meninos pobres e sementes puras de boleiros, atraiu o interesse estrangeiro para a produção de documentário. Escolinha gratuita.

Almanaque

O jornalista Dionísio Outeda, uruguaio de cepa guerrilheira, lançou o Almanaque da Copa e recebi meu exemplar com atraso de salário de emergência na seca. É um belo trabalho do gringo, com a participação de nomes competentes do jornalismo local, abrindo alas o mestre Everaldo Lopes. Dionísio Outeda é Peñarol desde os tempos de Pedro Rocha e Spencer. Contemporâneo do ídolo do ABC, Danilo Menezes, quando estava no Nacional de Montevidéu.

Compartilhar:
    Publicidade