Direção apela para que não enviem pacientes de clínica médica

Desde a última-sexta-feira, Hospital Walfredo Gurgel concentra demandas ortopédicas de alta complexidade

Hoje, apenas no setor de politrauma havia 15 pacientes vítimas de acidentes de moto. Foto: Heracles Dantas
Hoje, apenas no setor de politrauma havia 15 pacientes vítimas de acidentes de moto. Foto: Heracles Dantas

Fernanda Souza
fernandasouzajh@gmail.com

O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel registrou um alto número de atendimentos no primeiro fim de semana após o anúncio da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) de concentrar as cirurgias ortopédicas de alta complexidade na unidade. No início da manhã desta segunda-feira (20), era intensa a saída e a chegada de ambulâncias, vindas de vários municípios do interior do Estado. Apenas no setor de politrauma havia 15 pacientes, sendo a grande maioria vítima de acidentes de motos.

De acordo com dados da direção da unidade, da última sexta-feira (17) até o início da manhã de hoje foram registrados 15 acidentes de moto, 94 acidentes de trânsito envolvendo motoqueiros – o que dá uma média de 30 acidentes por dia – e 16 casos de acidentes de trânsito gerais. Consultas de urgência e emergência somaram 426, o que dá um total de 767 atendimentos diários. Apenas nas demandas ortopédicas foi realizada uma média de 150 atendimentos, sendo por dia cerca de 50 atendimentos ambulatoriais e entre 180 e 200 cirurgias mensais.

O médico Rogério Santos, chefe do grupo de ortopedistas cooperados do Deoclécio Marques que estão atuando no Walfredo desde a última sexta-feira, confirmou a alta demanda de atendimentos no setor nestes últimos três dias. “Só tem o Walfredo de porta aberta e foram realizadas várias cirurgias, como casos de fratura exposta de fêmur. Neste início de manhã, já temos seis pacientes esperando cirurgia, sendo três com fratura exposta, que deram entrada na madrugada deste domingo. Dos quatro ortopedistas, dois estão agora no centro cirúrgico, um medicando os pacientes cirurgiados e outro está atendendo. Se o Hospital Ruy Pereira fizesse cirurgias eletivas e se, pelo menos, as Prefeituras de cidades maiores tivessem o serviço ambulatorial com o atendimento de um especialista, ajudaria muito”, frisou.

O ortopedista também lamenta o alto número de acidentes com motoqueiros. “Além da realização de blitz, deveria haver uma campanha de conscientização como há com os carros quanto à Lei Seca, que mostrou grande efetividade. A maioria dos casos é causada por imprudência”.

Jusely Miranda, que mora em Ceará-Mirim, entrou para a estatística de vítimas de acidentes com motos. “Estava vindo com um amigo e ele sobrou na curva, que era muito fechada. Foi nesta madrugada e o Samu chegou logo. Ele está muito mal e com o rosto todo deformado. Quebrei o braço e estou em jejum desde as três da manhã esperando uma vaga para a cirurgia, mas disseram que a previsão é só para depois do ameio dia”.

APELO

A diretora geral do Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro, vê com preocupação a alta demanda gerada após a concentração dos atendimentos ortopédicos de alta complexidade no hospital. “Se o Walfredo tomasse conta do trauma estaria funcionando bem, mas estamos recebendo pacientes de clínica médica vindos de todo o Estado e num momento delicado como esse. Ontem chegou um paciente de Poço Branco, mandado pela unidade básica de saúde e ele veio acompanhado de um técnico de enfermagem. Faço um apelo às prefeituras do interior, que pelo menos até o dia 31, cuidem dos seus pacientes de clínica médica ou encaminhem para outros hospitais ou para as UPAs [Unidade de Pronto Atendimento]. As UPAs de Macaíba e Parnamirim mandam muitos pacientes para cá mesmo sabendo que não temos condições”, disse.

TRANSFERÊNCIA

Na última terça-feira (14), a Central Metropolitana de Regulação transferiu 21 pacientes para o Hospital Médico Cirúrgico. Os pacientes estavam internados, aguardando vaga para cirurgias consideradas de segundo tempo, nos Hospitais Monsenhor Walfredo Gurgel, Deoclécio Marques (Parnamirim), Tarcísio Maia (Mossoró) e no Hospital Regional de Caicó. A Central Metropolitana de Regulação aguarda que o Hospital Médico Cirúrgico libere mais vagas para que novas transferências sejam feitas, o que, segundo a Sesap, deverá ocorrer na medida em que os pacientes recebam alta médica e os leitos sejam liberados.

A transferência de pacientes é possível após a renovação do contrato regular da Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) com o Hospital Médico Cirúrgico (HMC). A partir de hoje dois ortopedistas estão realizando cirurgias eletivas (de segundo tempo) no Hospital Deoclécio Marques e a previsão é de que sejam realizadas entre seis e oito cirurgias por dia, a depender da complexidade de cada caso.

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