Diretora do Hospital Walfredo Gurgel cobra providências dos municípios

A diretora do Walfredo Gurgel ressalta que a prática da ambulancoterapia continua sendo realizada

Após um período com os corredores de politrauma vazios, setores de ortopedia aumentaram movimento. Para Fátima Pinheiro, situação é preocupante, pois superlotação poderá causar o desabastecimento. Foto: Heracles Dantas
Após um período com os corredores de politrauma vazios, setores de ortopedia aumentaram movimento. Para Fátima Pinheiro, situação é preocupante, pois superlotação poderá causar o desabastecimento. Foto: Heracles Dantas

Roberto Campello
Roberto_campello1@yahoo.com.br

Depois de meses de tranquilidade, pelo menos no corredor do politrauma, já que o corredor de pacientes de clínica médica sempre esteve lotado, o maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel voltou a sofrer com a superlotação de pacientes, inclusive no setor de politrauma. A superlotação está sendo ocasionada pelo fato de o município de Natal não ter renovado o contrato com os Hospitais que realizam o segundo tempo cirúrgico da ortopedia (Policlínica Paulo Gurgel e Hospital Memorial), bem como com os hospitais que realizam procedimentos cardiológicos (Hospital Natal Center, Incor, Hospital do Coração), como cateterismo e angioplastia. Na manhã de hoje, por exemplo, havia 68 pacientes com encaminhamento para cirurgia ortopédica, mas não havia nenhuma perspectiva de transferência.
A diretora geral do Hospital, Fátima Pinheiro, cobra que os municípios, em especial Natal, resolvam as pendências com os hospitais conveniados para que possa haver maior rotatividade dos pacientes internados no Walfredo Gurgel. “Hoje o paciente passa bem mais tempo, ocupando por mais tempo um leito e tudo isso significa mais gasto. É importante que a Secretaria resolva esses problemas e é inadmissível que uma cidade como Natal não tenha um hospital do município. O Hospital Walfredo Gurgel não é problema e sim solução para o Estado inteiro”.
“Nunca ficamos como o ideal, sem ter pacientes no corredor de clínica, mas tínhamos pelo menos um corredor vazio. Mas se as ações não forem contínuas voltaremos ao caos novamente. Não adianta fazer o mutirão da ortopedia e zerar a fila, pois o trauma não para, principalmente de acidente de motos. É necessário mais fiscalização e um trabalho de educação, pois o trauma precisa ser combatido lá fora. O mutirão é importante, pois, além de retirar os pacientes, dá tempo de o município tomar alguma providência de forma definitiva. Espero que alguém tome alguma providência para que o Walfredo não seja penalizado e não retroceda tudo o que avançou ao longo deste ano”, destacou a diretora Fátima Pinheiro.
A diretora do Walfredo Gurgel ressalta que a prática da ambulancoterapia continua sendo realizada. “Continuam agindo de forma sem controle. Além do mais, por mais que se coloque médicos no interior, na baixa complexidade, se não equiparem os postos de saúde para fazerem um exame de sangue, os médicos continuarão encaminhando pacientes para o Hospital Walfredo Gurgel. O PSF precisa funcionar e para isso precisa estar equipado. Isso é responsabilidade dos municípios e o Hospital Walfredo Gurgel continua sofrendo com esse problema que é dos municípios”, afirmou a Fátima Pinheiro.
Há um ano, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel passava por uma grande crise de desabastecimento. Hoje, a realidade é diferente. A situação está estabilizada com abastecimento girando em torno de 85%. No entanto, essa situação pode ficar comprometida com a superlotação. A diretora Fátima Pinheiro conta que o Hospital está abastecido até março do próximo ano, já que nos próximos dias fecha-se o ano fiscal que só é reaberto no mês de março do próximo ano, impossibilitando qualquer compra durante esse período.
“Conseguimos correr contra o tempo para garantir o abastecimento. Colocamos Kanban (ferramenta de gestão) em todos os processos e agilizamos as nossas compras, mas infelizmente com essa superlotação os insumos vão acabar. É necessário que os municípios façam alguma coisa, antes que comecemos a ficar desabastecidos, por um problema que não depende da gestão interna. Temos insumos até março, mas com essa superlotação não podemos prever”, destacou a diretora. Fátima Pinheiro conta que diante da situação de superlotação, os profissionais já voltaram a ficar sobrecarregados e aumentou o número de afastamento por licença médica.

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