Distribuição de colírios contra glaucoma poderá ser suspensa no RN

Desde agosto, Ministério da Saúde não faz repasses para prefeituras. Programa atende mais de 5 mil pessoas no RN

Equipe de oftalmologistas atende e acompanha pacientes trimestralmente. Colírios podem chegar até R$ 100 nas farmácias. Foto: Canindé Santos
Equipe de oftalmologistas atende e acompanha pacientes trimestralmente. Colírios podem chegar até R$ 100 nas farmácias. Foto: Canindé Santos

As clínicas de oftalmologia que prestam serviços aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que dependem do tratamento do glaucoma podem parar o atendimento já no próximo dia 1º de fevereiro. O motivo é a falta de pagamento por parte do Ministério da Saúde, que desde agosto do ano passado não faz o repasse para as prefeituras do Estado.

O Programa do Glaucoma é uma iniciativa do Governo Federal que atende a mais de 5 mil pessoas somente no RN. A cada três meses uma equipe de oftalmologistas faz o atendimento para avaliação da pressão do olho e distribui os colírios específicos para o tratamento. Nas farmácias, alguns colírios chegam a custar mais de R$100.

De acordo com o um dos prestadores de serviço, o oftalmologista Diego Sampaio,  já foram realizadas diversas tentativas de negociação, mas todas sem êxito. “Entramos em contato com o Fundo Nacional de Saúde, mas a alegação é que não há previsão de pagamento porque não há recursos. Estamos sendo tolerantes, mas a situação está insustentável e há clínicas que recorreram até a empréstimos. No nosso caso, atuamos em 23 municípios, e além da distribuição dos colírios de alto custo, nos deslocamos até as cidades para fazer o acompanhamento do paciente consultando e verificando a pressão ocular trimestralmente. O programa sempre funcionou bem, mas os repasses não estão sendo feitos e vamos ter que parar, prejudicando milhares de pessoas”, disse.

O glaucoma é uma doença que afeta o principal nervo do olho, chamado de nervo óptico, e está associado a um aumento na pressão intraocular. Quando essa pressão se mantém muito elevada há o risco do paciente ficar cego. Estima-se que 50 milhões de pessoas sejam portadoras do mal.

Em natal, serviço ainda é ofertado

Em Natal, a Prefeitura adquire os colírios de alto custo com recursos próprios e realiza a distribuição. Na manhã desta terça-feira (21), na Unidade Especial de Dispensação de Medicamentos do PROSUS, da Secretaria Municipal de Saúde, cuja estrutura funciona no Centro Clínico José Carlos Passos, na Ribeira, estavam disponíveis para os cadastrados todos os sete colírios que fazem parte da padronização.

O  PROSUS atende programas de doenças crônicas, como Glaucoma, Mal de Parkinson e diabetes especiais. Alberto Luiz, que há vários anos vai em busca dos colírios para a glaucoma da sua tia de quase 90 anos, contou que há cerca de um ano não tem mais problemas em conseguir os medicamentos de alto custo. “Acho que melhorou muito nesta nova gestão. Só para você ter ideia passei quatro anos sem pegar. Antes também só davam para um mês e as filas eram enormes e agora recebo uma quantidade que dura dois meses. Não tenho o que reclamar. Também tenho um tio mais novo que vem pegar e que eu saiba também não está tendo problemas”.

Compartilhar:
    Publicidade