Divã verde e amarelo – Vicente Serejo

Se tivessem um tempinho lá de Cima e resolvessem analisar o Brasil, o mestre psicanalista Freud, seus discípulos Lacan, Klein,…

Se tivessem um tempinho lá de Cima e resolvessem analisar o Brasil, o mestre psicanalista Freud, seus discípulos Lacan, Klein, e demais gênios da Psicologia – Jung, Reich, Hellinger, Rogers, Beck, Erikson, Maslow, Frankl, Perls…- poderiam explicar que “loucura coletiva” é essa, fenômeno da Copa do Mundo. É certo que os sintomas estão bem mais fracos nesta edição do evento, mesmo realizado em terras brasileiras. Mesmo assim, convém aguardar que os jogos comecem para fazer tal afirmação. Há quem diga que ao soar a primeira vuvuzela, o transe irá se iniciar, se intensificando até o último minuto do segundo tempo do último jogo.

Eles observariam as prioridades invertidas, os discursos repetidos sem um raciocínio prévio, o “patriotismo” pontual, a manipulação dos meios de comunicação e o mais grave: a ânsia em completar álbum de figurinhas dos jogadores. Beck certamente trabalharia para extinguir esse comportamento, especialmente entre os que passaram dos dez anos de idade.

Quando circulo pelo largo do Atheneu, em Petrópolis, fico pasma – logo pela manhã – com a cena de tantos barbados imersos nas figurinhas, ávidos por encontrar o atleta pendente. O fato só não me surpreende mais, porque há coisas piores em tempos de Copa do Mundo no Brasil: uma partida de futebol justifica ausências, negligências, adiamentos. Tudo é permitido em nome de uma ilusão. Neste momento da análise, creio que Freud buscaria interpretar o que está por trás dessa permissividade. O que a nação brasileira estaria encobrindo com esse discurso futebolístico? Que mecanismos de defesa são esses que impedem o país de se desenvolver, que aprisionam sua “energia vital”? Reich ficaria pensativo.

Se o Brasil deitasse no divã, em tempos de Copa do Mundo, o que seria revelado? Que comportamentos são esses de uma nação que tem como meta de vida ser hexacampeão? Seria preciso rastrear os sentidos ocultos nesse roll de ações sem sentido.

Hellinger – o pai das constelações familiares – talvez se interessasse por entender o “não pertencimento” e a exclusão de quem se recusa a mergulhar na fantasia da massa. Em uma dinâmica grupal, todos os membros se afetam, a cada movimento executado. Pensaria sobre o respeito à hierarquia, por ele defendida, mas que, no Brasil da Copa, só é reverenciada quando se trata dos antepassados do futebol. E talvez chegasse a entender porque o fluxo de “dar e receber” esteja tão obstruído em nosso continental país.

E Maslow questionaria sua pirâmide de necessidades humanas, que tenta explicar como funciona a nossa motivação. Na teoria dele, as necessidades fisiológicas pertencem ao primeiro nível e a auto-realização ao último. Surgiriam provavelmente interrogações sobre o motivo de, no Brasil, prioridades elementares serem colocadas em segundo plano, em nome do futebol.

Creio que o time da psique humana consideraria a afirmação do Papa João Paulo II (atualmente circulando pelas redes sociais) de que, no Brasil, “de todos os assuntos sem importância, o futebol é, sem dúvida, o mais importante” e torceriam, de vuvuzela nas mãos, pelo amadurecimento dos brasileiros, já que os 500 anos cronológicos apenas foram suficientes para a mentalidade de completar um álbum de figurinhas.

Queridos leitores:

Estou de volta a este espaço, mais uma vez, durante as férias de Serejo. Daqui a um mês, ele voltará cheio de histórias para contar. Enquanto isso, eu vou contando histórias por aqui. É sempre muito bom compartilhá-las com vocês. Boa leitura!

Taciana Chiquetti

Reta final

Nesta reta final para os pré-candidatos, mês de convenções, cada passo dado pode ser “fatal”. Um exemplo está aí na decisão de não disputar a reeleição, tomada pela deputada Gesane Marinho, quase ex-PSD. As convenções, de acordo com o TSE, devem ocorrer até o dia 30.

A tapioca vira

Incrível como a “tapioca vira” – e rápido – na política: o mesmo Robinson Faria que reclamou desprestígio por parte de Rosalba Ciarlini, tempos atrás, hoje amarga o resultado de ter desprestigiado a colega, que ajudou a fundar o seu partido.

Sonho antigo

A “sede” de se tornar governador pode custar a ele nenhuma cadeira na Assembleia Legislativa do RN – Casa onde ele sempre esteve bem representado. Os deputados, na última sessão plenária, lamentaram a decisão de Gesane, enfatizando a contribuição da parlamentar para o Estado.

Enquanto isso, no PT…

Pivô da discórdia PSDista, o PT já tem sua chapa organizada. Além de Fátima Bezerra para o Senado (prioridade máxima), Beto Medeiros – ex-vice de Mineiro na campanha para prefeito de Natal em 2012 – será o nome do PT para federal nas próximas eleições. A aposta é no cálculo de que o mais votado do PT se elege na coligação com o PSD de Fábio Faria.

De olho em 2016

Completando a chapa, o deputado estadual Fernando Mineiro insistirá na reeleição, vislumbrando votação bem superior a que obteve em 2010 e, principalmente, visando se credenciar para as eleições municipais de 2016.

Ritmo de Copa

A Câmara de Natal divulgou a agenda para o período da Copa do Mundo. Nos dias de jogo do Brasil, o expediente será pela manhã e, nos dias de jogos em Natal, ponto facultativo. Nesta quinta (12) de estreia da seleção brasileira, a CMN funciona das 7 às 13h. Ponto facultativo nos dias 13 (sexta) e 16 de junho (segunda-feira).

Campanha no aeroporto

Começa, nesta quarta-feira (11), no aeroporto Aluízio Alves, uma campanha para informar e sensibilizar os turistas estrangeiros de que a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil é crime. A ação é promovida pelo Ibepis.

Berçário da vida

Como primeira unidade de conservação marinha brasileira, a Reserva Biológica do Atol das Rocas, no RN, completou 35 anos, neste mês. Berçário de diferentes espécies ameaçadas de extinção, o Atol se transformou, nos últimos 23 anos, na causa da vida da chefe federal da unidade, a potiguar Zélia Brito.

Legado

Uma pesquisa sobre os impactos da realização da Copa do Mundo no Brasil, feita pela empresa Gomes de Matos – Consultores Associados, no Ceará, constatou que 62% dos empresários estão preocupados com os efeitos negativos que o período do evento pode acarretar aos negócios. Poucos dias úteis, a diminuição do fluxo de clientes e a possibilidade de problemas com segurança são alguns dos motivos apontados.

Para lembrar

A ONG Amico lembra que este dia 12 de junho é o Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita. Apenas 30% das crianças diagnosticadas recebem o tratamento adequado. No RN, a situação é ainda mais grave, já que muitas delas dependem de instituições filantrópicas.

Olhar de mudança

A 2ª edição da Casa Cor, importante mostra de arquitetura, decoração e paisagismo das Américas, foi lançada, nesta semana, no RN, com o tema “Um olhar muda tudo”. A feira acontece de 17 de outubro a 30 de novembro e estima receber mais de 20 mil visitantes, no América Futebol Clube.

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