“Do Amor – Uma Comédia Pouco Romântica” critica banalização das relações

A peça estará em cartaz nos próximos três sábados, no Teatro de Cultura Popular

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Nos três próximos sábados (10, 17 e 24), a peça Do Amor – Uma Comédia Pouco Romântica ganha o palco do Teatro de Cultura Popular. Após uma pré-estreia ainda em 2013, durante o Circuito Cultural Ribeira, o espetáculo ganhou corpo para entrar no circuito natalense como um das comédias sobre um tema cotidiano. Escrito pela jovem atriz Alice Carvalho, de 18 anos, o texto traz uma mulher (Linda) obcecada por cerimônias de casamento. Enquanto procura o grande romance de sua vida, ela passa por situações engraçadas, dignas de sua mania matrimonial. Com sessões às 20 horas, a proposta stand up comedy explora piadas com temas contemporâneos – o que forjou simpatia no público jovem, no ano passado.

“Tudo foi criado a partir de fatos pessoais, mas ludicamente. Alice usou os fatos amorosos da vida dela e de pessoas conhecidas de uma forma muito divertida”, diz o diretor do peça, José Neto Barbosa. No elenco, também estão os atores Matheus Giannini (formado em artes cênicas na Espanha) e o Mister Macau, Claudio Diego. Alice estava em um ônibus no instante em que a história surgiu. Ao sacar o celular e abrir o bloco de notas, começou a escrever o que viria a ser Do Amor. A montagem da encenação foi intensa, com cerca de 15 dias de ensaios contínuos. “O insight que Alice teve foi baseado em experiências malucas. Depois que passar para o papel e dos ensaios que fizemos, a coisa ficou mais profissional”.

O próprio José Neto, escolhido pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio Grande do Norte (Sated/RN) como melhor ator de 2013 por sua participação em Boderline (houve ainda a indicação no Troféu Cultura), confirma a qualidade do trabalho de Alice, integrante e fundadora do grupo Comédia Potiguar. “Ela é muito boa. É hilária. É a primeira mulher a fazer stand up comedy no Estado. Só tem 18 anos, mais tem uma sintonia muito grande, principalmente com o público da idade dela”. Com a atual banalização das relações, cada vez menos duradouras e mais conflitantes, uma das propostas da peça é satirizar a ‘poesia’ que ainda existe em torno da união entre duas pessoas.

“Casar hoje em dia é muito fácil. As pessoas mal se conhecem e estão morando juntas. A peça tem esse tom de crítica quanto a banalização das relações”, aponta José Neto. Feito viciados em velórios e enterros, existem pessoas vidradas em festas pomposas para ratificar uma união nem sempre feliz – para muitos, quanto maior a despesa em um buffet, maior a certeza de que a coisa dará certo. Gente que faz de tudo para entrar nos salões e ver a felicidade alheia. A personagem Linda é uma dessas maníacas (beberrona, passional, estourada). Com ‘um pouco de romantismo’, ela aguarda sua vez e promete fazer a plateia sorrir.

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