Dois homens velhos
Nem faz tanto tempo, os filmes com Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger eram verdadeiros blockbusters, os chamados “arrasa-quarteirão”. Até porque, pelo menos no Brasil, os quarteirões eram congestionados pelas saudosas lojas locadoras de vídeos.
Quem está hoje na faixa dos 25, 30 anos viveu a puberdade em contato direto com as produções dos dois atores brutamontes, senão como espectadores, mas, pelo menos, vendo as caixas de VHS que os pais traziam aos montes nas promoções da sexta-feira.
As sequências do soldado Rambo e do boxeador Rocky Balboa, com Stallone, e do Exterminador do Futuro e Conan, com Schwarzenegger, renderam milhões de dólares e milhares de aluguéis de fitas, sem contar os licenciamentos em produtos de toda sorte.
Mas, o tempo passou e nem todo mundo em Hollywood tem o destino iluminado para brilhar na velhice, como Clint Eastwood, Sean Connery, Helen Mirren, Dustin Hoffman ou Al Pacino, cada um deles sendo certeza de sucesso de crítica e de bilheterias.
E, ao passar, o tempo às vezes assume seu lado iconoclasta, deixando que sua poeira encubra carreiras e estampas, como agora faz com esses dois ícones do cinema espetáculo, atores que chegaram a confundir-se com o heroísmo dos seus personagens.
O fracasso que ambos experimentam no momento, quando tentam retornar ao glamour da sétima arte com produções que sinalizam um novo ciclo após um passado de popularidade, remete ao limbo literário em que foi jogada a escritora Pearl S. Buck. Nascida nos EUA, filha de missionários, ela ganhou um prêmio Pulitzer em 1932 e superou ninguém menos do que James Joyce na disputa do Nobel de 1938. Seus livros conquistaram plateias por todo o planeta, e ela era leitura obrigatória nos anos 1950.
Buck foi viver na China, onde se estabeleceu como cidadã por mais de quarenta anos, o que pode ter sido determinante para um processo de esquecimento que perdura até os dias de hoje. É esse limbo, não seu valor artístico, que comparo com os dois atores.
O filme “O Último Desafio”, o primeiro de Arnold Schwarzenegger como protagonista após a carreira de político como governador da Califórnia (antes apareceu em A Volta ao Mundo em 80 Dias e Os Mercenários) está sendo um fiasco de lançamento.
Já “Uma Bala na Cabeça”, que tinha melhor expectativa para Sylvester Stallone após sua volta em 2006 e 2008 com seus velhos arquétipos de combate, também fracassou na estreia em 2.404 salas dos EUA, arrecadando a ínfima quantia de US$ 4,5 milhões.
Há quem diga na mídia americana que a final do campeonato de Superbowl influenciou na fuga dos espectadores, que guardaram a grana para torrar inteira no estádio ou nos bares com seus telões. Mas, são apenas palpites superficiais desprovidos de precisão.
E há também os especialistas que imaginam a volta do sucesso para os dois velhos ícones, quando reeditarem (pela enésima vez) seus clássicos de porrada. Lembrem que “O Exterminador do Futuro 2″ foi o primeiro a romper custos de US$ 100 milhões.
Creio que ambos erram quando insistem em aumentar a distância entre a fantasia e o real, ás vezes não captada pelo inconsciente coletivo dos assistentes. Nem Charles Bronson nos convenceu que um homem velho derruba facilmente tantos inimigos.
Cinema pode ser a fusão de história e lenda, verdade e mentira, fantasia e realidade, entretenimento e arte, mas também impõe o bom senso estético na construção dos personagens, figuras essenciais para o êxito ou o fracasso do conjunto da obra.
O ator, no seu mundo interpretativo, pode ser tudo que a imaginação do roteirista criou, claro, mas os filmes, “como um vendaval, espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal”, como cantou Caetano Veloso na canção magistral “O Homem Velho”. (AM)
The Day After
Os principais veículos de comunicação do país destacam hoje a vitória e posse do deputado Henrique Alves, mas sem poupar críticas ao parlamentar, ao seu partido, o PMDB, e ao aliado PT. Os jornalões tipo Folha e Estadão carregaram nas tintas.
Editorial
O Estadão diz que Henrique “é o que mais se parece com o próprio PMDB. Como o partido ao qual sempre pertenceu nos últimos 42 anos e 11 mandatos consecutivos, ele se molda às situações políticas, aos governos do momento, às tendências eleitorais”.
Artigo
Na Folha, o jornalista Janio de Freitas refuta a fala de Henrique sobre o Legislativo ser o poder mais injustiçado: “a Câmara não pode ser transparente se seus integrantes não puderem sê-lo. Henrique tratou de interceptar a quebra dos seus sigilos financeiros”.
No JB
“O que incomoda a consciência dos mais bem informados é a permanência dos mesmos atores políticos no poder. Como lamentava o jornalista José Aparecido durante a ditadura, o único consolo é que podemos contar com a inexorável sucessão biológica”.
Os adversários
O que a maioria dos analistas políticos não disse, não diz e talvez não dirá é aonde estava a diferença se o eleito para a presidência da Câmara não fosse Henrique Alves. O que ganharia o Brasil com Julio Delgado, Rose de Freitas ou Chico Alencar?
Cumprimentos
Entre os cumprimentos conterrâneos que recebeu logo após a eleição, dos colegas de bancada e de lideranças que foram a Brasília assistir, o único que Henrique recebeu já na cadeira de presidente foi do senador José Agripino, que fez questão de ir à Câmara.
Palavras de Dilma
“Nesse momento em que a atividade política é tão vilipendiada, faço questão de registrar nesta mensagem o meu sincero reconhecimento ao imprescindível papel do Congresso Nacional na construção de um Brasil mais democrático, justo e soberano”.
Linha sucessória
Foi só Henrique criticar a TV Câmara e a sua própria emissora errou e lhe tirou um degrau da linha sucessória dizendo ser ele o “terceiro”, quando na verdade é o segundo logo depois do vice-presidente da República. Porque Dilma não sucede a si mesma.
Ironia do destino
No dia em que novos documentos sugerem a contraprova definitiva de que a morte do jornalista Vladimir Herzog foi sob tortura, morreu o jornalista que primeiro desvendou os mistérios em torno da sua prisão e assassinato: Fritz Utzeri, aos 68 anos, ontem.
Kkkkkkkkkk
Uso pela primeira vez a letra K multiplicada (nunca usei no Twitter) só para informar que um exército brancaleônico e militonto lançou um “manifesto” contra a revista Veja. No sábado, a publicação da Abril deverá bater novo recorde de anúncios. Kkkkkkkk.
O homem do tempo
Hoje às 19h, a ANORC promove para a palestra do meteorologista alagoano Luiz Carlos Mollion, que tem se destacado como um crítico das teses do aquecimento global, a exemplo do professor de meteorologia do MIT, o americano Richard S. Lindzen.


