Dois leitos da UTI do Varela Santiago fechados por falta de recursos

Por causa disso, dezenas de pedidos por leito, recebidos de vários hospitais do Estado, tiveram que ser negados

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Dois leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, foram desativados nesta sexta-feira por falta de recursos financeiros. Inaugurado há dois meses, o setor atende bebês extremamente prematuros e com alto risco de morte pela rede pública de saúde, e possui equipamentos tecnológicos de ponta, como o respirador de alta frequência para prematuros abaixo de um quilo.

“Infelizmente, já desativamos dois leitos porque não temos dinheiro para mantê-la. É uma pena, porque o setor foi criado com muito carinho e estava funcionando bem, mas por falta de condições financeiras, somos obrigados a fechá-lo”, afirmou o diretor superintendente do Hospital Infantil Varela Santiago, Paulo Xavier.

Ele revelou que a UTI vinha sendo custeada com recursos financeiros obtidos de empréstimos contraídos pelo hospital para outros fins, mas que diante das necessidades, foi usado para o funcionamento do setor, que atende bebês prematuros de diversas partes do Estado. E, desde a sua inauguração, aguarda a habilitação dos leitos pelo Ministério da Saúde.

“Vivemos uma situação insustentável, causada pela burocracia estatal e hoje, não temos mais condições financeiras para manter essa UTI em pleno funcionamento. Isso é do interesse do Governo do Estado, já conversamos com o deputado federal Henrique Alves, que nos garantiu que o ministro da Saúde assinaria o acordo de repasse na segunda-feira passada, mas até hoje, nada foi feito”, explicou o diretor.

Paulo disse ainda que a maioria dos casos atendidos são relacionados a doenças respiratórias, mas há ainda bebês com má formação devido a problemas neurológicos. “Para custear a demanda, foi fechado acordo de repasse de R$ 1 mil por diária, dos quais R$ 800 seriam repassados pelo Ministério da Saúde e os demais R$ 200, pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN).

Pedidos de leitos negados

Por causa disso, dezenas de pedidos por leito, recebidos de vários hospitais do Estado, tiveram que ser negados. Já os oito pacientes que continuam internados continuarão recebendo tratamento até que possam receber alta médica, o que pode demorar semanas para acontecer.

“Temos dois pacientes com cerca de 750 gramas apenas, que necessitam de cuidados extremos e que, por isso, não podem ser transferidos para outras unidades. Sem ela, essas crianças já teriam morrido, assim como todos os bebês que continuam internados e aqueles que já estiveram internados. Mas, infelizmente, não há interesse político, já que ela não gera votos nas eleições, então, ninguém liga e todos os dias, bebês morrem sem assistência”, desabafou Paulo Xavier.

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