Dois ônibus e mais dois taxistas são assaltados na Zona Norte no final de semana

Um dos motoristas conseguiu escapar após ser colocado no porta-malas

Onda de violência motivou um protesto de motoristas de ônibus e taxistas na semana passada. Foto: Divulgação
Onda de violência motivou um protesto de motoristas de ônibus e taxistas na semana passada. Foto: Divulgação

Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

 

Mesmo depois de todas as medidas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), os criminosos seguem “tocando terror” na população natalense. Nesse último final de semana, dois táxis e dois ônibus foram assaltados na capital potiguar, todos na Zona Norte.

Os assaltos aos ônibus aconteceram no domingo (24) e ambos na Avenida Tomaz Landim. A primeira vítima foi o condutor da linha S, que faz o percurso Natal/Aeroporto Aluízio Alves, em São Gonçalo. Segundo informações da Polícia Militar, um adolescente entrou no veículo e rendeu o motorista, para depois pegar o dinheiro e fugir.

Pouco tempo depois, um homem e um menor entraram em um ônibus da linha 08, que faz o percurso Redinha/Mirassol. Depois de renderem o condutor, a dupla fez um arrastão dentro do transporte, recolhendo pertences dos passageiros e levando o dinheiro do caixa. “Pela característica dos assaltantes, existe a possibilidade de que o menor que assaltou os dois ônibus seja o mesmo. Ele é suspeito de outros casos na região. Como no primeiro caso o ônibus estava praticamente vazio, ele assaltou sozinho. No segundo, com o ônibus com alguns passageiros, ele agiu com um comparsa para poder fazer o arrastão”, frisou um PM que atendeu as ocorrências e não quis se identificar.

Já os assaltos aos táxis ocorreram em dias diferentes. O primeiro aconteceu no sábado (23), na Avenida Cidade Praia, depois que o motorista pegou um passageiro no conjunto Nova Natal. O homem pediu que o taxista seguisse pela avenida. Em um determinado momento, já em uma região com pouca movimentação, o criminoso anunciou o roubo. Ele pegou o condutor e o jogou dentro do porta-malas. Porém, o trabalhador conseguiu abrir a fechadura e escapar. O assaltante levou o veículo, que foi encontrado pouco tempo depois pela polícia, mas já sem a carteira e dinheiro do taxista. No domingo, um suspeito pegou a corrida em frente ao Hospital Santa Catarina e pediu para ser levado até o loteamento Câmara Cascudo. Chegando ao local, o homem anunciou o assalto. O criminoso levou R$ 200 e o celular da vítima.

Os casos revoltaram ainda mais os taxistas. “Infelizmente são mais dois casos de violência sobre a nossa categoria. Nesse fim de semana ainda aconteceram tentativas de assalto. Os taxistas novamente tiveram suas vidas colocadas em risco. No primeiro caso (do sábado) quem sabe o que poderia ter acontecido se o motorista não tivesse conseguido escapar? O motorista nos falou que pretende até mudar de praça com medo da insegurança, pois ele não pode mudar de profissão. É uma situação revoltante e preocupante”, afirmou Roberto Campos, presidente da Associação dos Taxistas da Zona Norte de Natal.

Na última sexta-feira (22), os taxistas, juntamente com os rodoviários, paralisaram as atividades e fizeram um grande protesto que durou mais de duas horas e interditou as duas marginais da BR-101 na altura da Governadoria. O objetivo foi mostrar para as autoridades que a situação da segurança para a categoria está longe da ideal. O estopim para a revolta foi a morte do motorista João Batista da Silva, de 54 anos, que foi encontrado morto em Extremoz, na região metropolitana da capital. Ele teve o carro roubado durante um assalto e foi levado como refém pelos criminosos. Depois de uma reunião com o titular da Sesed, Eliéser Girão e o comandante geral da Polícia Militar do Estado, coronel Francisco Araújo, a categoria encerrou a manifestação já que escutou várias promessas do Governo.

“Nos foi passado uma série de ações que poderiam ser feitas e nós resolvemos encerrar a paralisação. Na próxima quarta-feira (27), nós iremos ter uma nova reunião com os órgãos de segurança para saber quais medidas serão adotadas para diminuir essa onda de violência. Falam muito em passar a ter apenas bilhetagem eletrônica nos ônibus. É uma boa medida, mas aí os táxi podem passar a sofrer as consequências. Não queremos que isso ocorra e vamos saber o que será feito”, destacou Roberto Campos, que não descartou uma nova paralisação da categoria.

“Vamos esperar o desenrolar da reunião e também observar se as medidas que o Governo pretende fazer se irá surtir algum efeito. A categoria não quer prejudicar a população. Nós não queremos parar, mas é a única forma que temos de exigir um direito que é nosso. O Estado tem obrigação de nos garantir segurança e isso não vem acontecendo”.

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