Dono de app de namoro se diz por trás de “1 milhão de bebês”

O serviço já atraiu mais de 70 milhões de usuários do mundo inteiro

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O empresário canadense Markus Frind, fundador e chefe do site e aplicativo de encontros Plenty of Fish, um dos maiores do mundo, alega não apenas ter desvendado os mistérios do amor, mas também ser o responsável pelo nascimento de pelo menos 1 milhão de bebês.

“Apesar de as pessoas gostarem de pensar que todos são únicos e individuais, quando falamos de encontros e relacionamentos, elas seguem uma série muito comum de padrões”, afirmou. “Cerca de 70% do tempo conseguimos prever exatamente com quem você vai ter um relacionamento.”

O serviço já atraiu mais de 70 milhões de usuários do mundo inteiro, gerando milhares de relacionamentos bem-sucedidos que produziram, segundo Frind, 1 milhão de filhos.

Frind ainda é o proprietário de 100% da companhia que ele fundou em 2003 e alega que o segredo para desvendar os mistérios do coração humano é muito simples: dados.

Na sede da Plenty of Fish (POF, na sigla em inglês), em um grande edifício em Vancouver, no Canadá, dezenas de telas mostram tabelas e gráficos que monitoram, em tempo real, milhões de mensagens que usuários enviam a cada minuto.

Essas mensagens formam a espinha dorsal da companhia, que rastreia para quem os usuários mandam mensagens, com quem eles se encontram (e por quem deixam o site) e, claro, se e quando eles voltam a procurar um parceiro.

Com todos estes dados em mãos, o serviço pode rapidamente sugerir pretendentes adequados para novos usuários que respondem questionários detalhados ao se cadastrarem.

O POF também estimula seus clientes a responderem um teste de personalidade grátis, e assim consegue mais dados para verificar a compatibilidade com outros membros.

Tudo de graça

Apesar de ser menos conhecido do que outros sites de encontro como o Match.com ou o eHarmony, o POF tem mais de 2 bilhões de acessos por mês, o que o coloca bem acima de qualquer outro serviço do tipo em termos de tráfego.

Mas o negócio de Frind tem uma vantagem que pode tê-lo ajudado a chegar a estes números: o usuário não paga nada para se registrar no serviço e suas funções básicas são gratuitas.

Ao invés de levantar dinheiro com taxas de inscrição, como outros sites, a companhia arrecada dinheiro com propaganda no site.

Os destalhes financeiros do POF não estão disponíveis para consulta, mas estima-se que a fortuna pessoal de Frind gire em torno dos US$ 200 milhões (R$ 450 milhões).

Curiosamente, Frind só iniciou o site porque queria aprender uma nova linguagem de programação, a ASP.net.

“Nunca quis criar um negócio, o que eu estava tentando fazer era melhorar meu currículo”, disse.

O empresário escolheu o nome Plenty of Fish (Muitos Peixes, em tradução livre) em referência à frase “há muitos peixes no mar” pelo fato de todos os outros nomes relacionados a encontros e namoro já estarem em uso quando ele fundou o site.

Duas semanas

Frind se formou em ciência da computação no Instituto de Tecnologia da Colúmbia Britânica e afirmou que criou o código para o site em menos de duas semanas, em fevereiro de 2003. Quase imediatamente, os usuários começaram a aparecer.

O criador do POF afirma que o site foi criado para ser gratuito para os usuários principalmente pelo fato de que seria mais fácil de operar, já que tudo começou apenas com ele, sem nenhum outro funcionário. E ele não queria ter que preocupar-se com o processamento dos pagamentos.

Desta forma, ele poderia se concentrar mais em melhorar as fotos das páginas, incluir conversas online e garantir que os usuários encontrem seus pares. E também garantir que os usuários, especialmente as mulheres, tivessem uma experiência positiva para garantir o sucesso e, segundo Frind, a “viralidade” do site.

“Era só uma fórmula – consiga o maior número possível de usuários e, se eles fizerem um número necessário de conexões, então, automaticamente (o site) viraliza em várias cidades”, disse.

Menos é mais
Ao contrário de muitos executivos do setor, Frind decidiu trabalhar menos quando o site decolou, ganhando milhões de usuários em apenas alguns anos no Canadá, Estados Unidos e Austrália.

Ele não contratou nenhum funcionário nos primeiros cinco anos e, com frequência, ficava semanas de férias viajando pelo mundo. Em um ano, logo depois da fundação do site, ele viajou para 28 países.

“Você só pode ser produtivo em um número limitado de horas”, disse. Até hoje ele tenta não trabalhar mais de cinco horas por dia.

Mas o gerenciamento fácil desta “companhia de um homem só” durou até 2008, quando o POF chegou a 15 milhões de usuários e mais de US$ 10 milhões em receita. Nesta época, ele percebeu que precisava de ajuda.

“Havia tantas pressões e tantas coisas diferentes chegando. Foi tipo: está na hora de começar uma companhia”, relembra.

Hoje a POF tem mais de 60 empregados. E os usuários agora podem pagar para acessar funções especiais, que permitem saber se alguém abriu ou deletou alguma de suas mensagens, por exemplo.

E, enquanto o negócio parece ter crescido com muita facilidade, Frind afirma que a transição dos usuários do site para o aplicativo de smartphone nos últimos dois anos foi um dos maiores desafios da POF.

Apesar de dizer que está passando ainda menos tempo do que o normal no escritório para se dedicar a projetos pessoais com sua esposa, Frind afirma que não pretende vender o POF, apesar do interesse de muitos investidores. “Não tenho outros planos. Fazer qualquer outra coisa seria entediante”, disse.

Compartilhar: