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Dos 40 e tal

Data: 19 março 2013 - Hora: 18:08 - Por: Rubens Lemos Filho

Chama Zé Roberto e pronto. Zé Roberto do Grêmio. Entrega a camisa 10 para o cabeleira rastafari e esquece as bobagens dessa meninada cada vez mais milionária e sem traquejo para organizar um meio-campo. Convoca Zé. É.  Até no nome o cara é bem brasileiro e depois daquele golaço de domingo, um banho de cuia no goleiro do Lajeadense, ele tem vaga, mesmo veteraníssimo.

Moçada, banho de cuia, hoje com raridade por causa da seca e do desprezo das autoridades diante do sofrimento dos sertanejos, se tomava no interior sem água de torneira. Buscava-se num tanque. Num poço. Num açude. Com uma cuia ainda usada pelos índios, lavava-se partes íntimas e restante do corpo dentro de coberturas de palhas chamadas de “Secretas”.

No futebol, banho de cuia era a curva, parecida com o objeto tribal, que os habilidosos desenhavam  em dribles cobrindo o adversário e apanhando a bola pelo outro lado. Alguns também  apelidam o lance(também cada vez mais raro), de lençol.

Lá na poeira da infância e da adolescência era banho de cuia, que cheguei a assistir nos jogos de futebol de salão do Palácio dos Esportes. Dennis do ABC e Agamenon do América aplicavam milimétricos banhos de cuia em seus perseguidores.

Zé Roberto fará 39 anos em julho jogando feito menino. Começou de lateral-esquerdo na Portuguesa de Desportos. Na direita, jogava outro bamba, Zé Maria. Foi sendo colocado de segundo volante. Habilidoso, mas sem a classe de Rivaldo, Felipe, Alex, Juninho Pernambucano, Souza aqui do Rio Grande do Norte ou Djalminha. Souza pode não ter tido a fama dos citados, mas jogou tanto ou mais que eles.

Zé Roberto foi sobrando quando os colegas foram parando ou perdendo o tesão pela CBF. Disputou a Copa do Mundo de 2006, fez até um golaço contra Gana, dando um chapéu, outro verbete de banho de cuia. Em 2010, aos 36 anos, brincava de jogar, pelo Santos, vestindo a camisa 10. Voltou para a Alemanha.

No Grêmio, vive o canto do cisne. É melhor do que qualquer um da lista de Felipão para os próximos amistoso. Faz tempos que não temos um Zé na seleção, nome e jeito de peladeiro banto. Terá 40 anos na Copa.

Quebraria o recorde de Nilton Santos aos 37 em 1962 sem jamais chegar perto do que foi Nilton Santos. Zé Roberto é uma raridade criativa numa era de gladiadores. Basta ver seu gol de banho de cuia e sua qualidade decisiva e condutora nas vitórias do Grêmio, sua subversão da tradicional força sulista.

Chama o Zé, convoca o Zé. Põe o Zé. O Zé dos Quarenta e tal. Felipão nunca vai me ouvir. Falando sozinho, tombando entre moinhos de sonho, cumpro meu papel de alquimista. Esperando a mudança da ignorância em pensamento de ouro.

 

Mão da gozação
Do americano, com resquícios da cerveja, pedindo água, muita água gelada para rebater: “Roberto Fernandes tem sede dedos nas mãos, sete dedos. E não é conta nem mão de mentiroso.” São seis vitórias e um empate consecutivos de Roberto Fernandes diante do  ABC.

Absurdo
O autor do tiro no peito de uma dona de casa inocente na Praça Augusto Leite na guerra de bandidos travestidos de torcedores, responde por outro crime semelhante. Estava solto. Por quê? Atingiu uma mãe de família que não tinha nada a ver com a carnificina entre monstros. Assim  caminha o futebol da impunidade. Pobre vítima não causa comoção.

Souza
A presença sutil de Souza, o eterno ilusionista da camisa 10 do América, pode traduzir a ótima fase do Assu, líder do campeonato potiguar. O Assu não é nenhum intruso. Em 2009, foi campeão estadual com todas as pompas e merecimentos. Souza lhe empresta a experiência e a inspiração do craque e filho da terra. Souza é de Itajá, no Vale onde também fica Assu.

Culpa
Quando falta dinheiro, o estresse aflora. O melhor que o torcedor do ABC pode fazer nesta hora de crise é desaparecer dos treinos no Frasqueirão. Sinceramente, não ajuda ficar dando palpite. E para que quer arrumar pretexto, uma queixa qualquer contra o clube, vira motivo para inversão de culpa. O torcedor não tem nenhuma culpa.

Cinema de qualidade
O Cineclube Natal começa hoje sua mostra temática com filme sobre o fim do mundo, que já foi anunciado diversas vezes e parece ter atingido alguns clubes brasileiros de futebol. A partir das 18h30, tem a Hora Final, com Gregory Peck, drama de guerra, no teatro de Cultura Popular, ao lado da Fundação José Augusto, Rua Jundiaí, 641, Tirol.

Jogaram direito
Os advogados do time de futebol da OAB/RN jogaram direito, sem trocadilho infame. No Pan da Argentina. Ganharam três, empataram duas e perderam apenas uma, para um dos representantes locais . Terminaram na nona colocação geral, mas só do Brasil foram 10 times, fora os representantes do México, do Uruguai, Venezuela, do Panamá e da Costa Rica.

Renato
Os causídicos que trocaram os tribunais temporariamente pelos gramados argentinos foram treinados por Renato Teixeira, filho do professor e multicampeão Ferdinando Teixeira. Renato, que começou no futebol de areia, também sabe dos atalhos no gramado e tem futuro, embora seja sensato e se dedique às suas empresas e faça do esporte, diletantismo. Está correto.

Rodada dupla
Na noite de 19 de março de 1977, rodada dupla no Castelão(Machadão) pela Taça Cidade do Natal. Público pagante de 6.942 pessoas. Na preliminar, o América massacrou o Ferroviário por 7×0, gols de Santa Cruz(2), Ivan Silva(2), Zeca, Garcia e Marinho Apolônio.

Times
América: Batista; Ivan Silva, Joel Natalino Santana, Joel Copacabana e Cosme; Zeca, Garcia(Marinho Apolônio) e Alberi(Rogério); Ronaldinho, Santa Cruz e Ivanildo. Ferroviário: Juca; Heider, Miguel, Sinedino e Lula; Edmílson, Paulo e Francisquinho; Mossoró, Wellington e Miro(Pescuma).

Segundo jogo
No segundo jogo da noite, vitória do ABC por 2×0 sobre o Potyguar de Currais Novos por 2×0, dois de Zé Carlos Olímpico. Expulsão do meia-esquerda Raimundinho, do ABC.

Times
ABC: Hélio Show; Orlando, Pradera, Cláudio Oliveira e Fidélis; Danilo Menezes, Raimundinho e Maranhão Barbudo; Paulo César Cajá(Amauri), Zé Carlos Olímpico e Noé Macunaíma. Potyguar(CN): Lula; Gilvã, Naldo, Guri e Gonzaga; Carlinhos, Valdeci Santana e Vandinho; Duda(Djalma), Miltinho e Pereira(Dinha).

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