E como pensam? – Vicente Serejo

Poderia até ser que a ideia de Rita Lee revelasse, de alguma forma, mesma a mais bizarra, como pensam Dilma…

Poderia até ser que a ideia de Rita Lee revelasse, de alguma forma, mesma a mais bizarra, como pensam Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, se colocássemos os três na casa de vidro de um Big Brother e atiçássemos a paciência deles e se não fosse injusto testá-los assim, afinal estão sendo postos à prova em longos programas de entrevistas na tevê. Mesmo sem a presença dos contendores, as indagações jornalísticas acabam extraindo as suas ideias sobre as grandes questões.

No plano estadual nem sempre é assim. Primeiro, pela ligeireza e a superficialidade do tipo de jornalismo que as tevês nos proporcionam quando das entrevistas. Depois, pelo treinamento a que são submetidos nossos candidatos quando se preparam para os debates. Levam perguntas e respostas de bolso, feitas pelos assessores, tal a dificuldade de formulação de alguns deles, ou em razão das ‘pegadas’ que seus marqueteiros engendram para gerar os desgastes. Sejam eleitorais ou eleitoreiros.

O fato é que, num resumo da ópera, e muito pior do que o artificialismo que cada um vende aos telespectadores fica o descompromisso de cada um deles com a própria democracia. Talvez por isso, no exercício do governo, se revelem tão distantes daquela postura de modernidade e até mesmo arrojo que demonstraram nos debates. Governam com idéias e gestos profundamente conservadores, como se o governo ainda fosse aquela ‘propriedade’ acima dos efeitos da sociedade livre e atuante.

Chegam a ser espantosos, precários e simplórios os governos eleitos em plena democracia no trato das relações de trabalho. Enquanto no Congresso Nacional a legislação avança, mesmo com as distorções que aqui e ali possam ser apontadas, nos Estados um coronelismo jurídico teima em fazer dos governos territórios privados. E a sociedade, hoje informada pelas mídias formais e informais e, nestas, as redes sociais, vai às ruas para lutar por avanços desejados ou conquistados nacionalmente.

Esse descompasso, pois, nasce bem antes da vida política e partidária, hoje exercida sem mais a riqueza da formação estudantil e acadêmica. E se estende, aos filhos ou protegidos, sem que nem ao menos eles sejam bons herdeiros da tradição de espírito público, substituída que foi nos seus valores por herdeiros de máquinas. Mas, é preciso projetá-los de alguma forma. Fazê-los importantes e bem afortunados, ainda que produzam uma conta de desmantelos, de injustiças e desigualdades sociais.

Ora, Senhor Redator, se de um lado o terceiro milênio levou a todos, e sem fronteiras, os bens da maior conquista democrática dos tempos modernos – a comunicação nas mãos de cada cidadão e sem patrões, com as redes sociais – de outro ainda cumpre um tempo de conscientização. Até que o saber e o saber-fazer, assim servidos a todos, transformem-se numa prática de libertação. Só então a cidadania não será apenas adorno a realçar a retórica como se o discurso não fosse um compromisso.

SILÊNCIO – I

De uma que frequenta muito discretamente os jardins da residência oficial: ‘O silêncio é de mágoa e não de revolta. E com calma que os vencidos tecem, uma a uma, as teias silenciosas de uma reação’.

MÁGOA – II

Segundo a mesma fonte, o casal governante teve convite e aceitou deixar os Democratas solidários ao senador e amigo José Agripino, mas foram abandonados e derrotados por ele com toda a humilhação.

ALIÁS – III

A governadora enfrenta outra provação que vai além de um teste de paciência: presa à lei eleitoral ela não pode, hoje, demitir os agripinistas do governo. E eles, frios e calculistas, não pedem exoneração.

EXEMPLO

Duríssimo o editorial do Estadão contra o que chama, com todas as letras, de ‘mentira’ do slogan da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff pregando agora mais mudanças e mais futuro.

PRAZOS

Encerra dia 2 próximo o prazo para que os partidos enviem ao TCE os relatórios discriminando todas as previsões de despesa com a campanha. E dia 19 inicia a propaganda eleitoral no rádio e televisão.

COMO?

É verdade que a ‘Fest Fan-farra’ para a Fifa custou aos cofres de Natal R$ 4,6 milhões? Não deve ser verdade. E na hora mais dura para as famílias vítimas da tragédia de Mãe Luiza? Não, não deve ser.

PESSOA

Aos 96 anos e lúcida, a professora Cleonice Berardinelli, maior conhecedora da literatura portuguesa no Brasil, lança uma nova edição do livro ‘Mensagem’, de Fernando Pessoa, a partir dos originais.

PAUTA

Nesta quinta, depois de amanhã, dia 17, às 21h, nossa cantora e compositora Khrystal mais uma vez sobe no palco do Teatro Riachuelo som o show Dois Tempos. Com participação de Camila Masiso.

MESA

O professor Jardelino Lucena continua trabalhando no seu novo livro sobre gastronomia, mas agora sobre a mesa dos norte-rio-grandenses. Da tradição aos dias de hoje, com toda a nossa modernidade.

WILDE

Carlos Heitor Cony invocou Oscar Wilde no ‘De Profundis’, salmo 120, grave e penitencial, para definir o futebol além de Felipão: ‘Se observarmos as nossas iniquidades, Senhor, quem se salvará?’.

RECEITA

Uma equipe médica da Academia Americana de Pediatria acaba de recomendar a leitura em voz alta para crianças a partir dos três anos. Para eles, estimula a linguagem e fortalece relações com os pais.

CADÊ?

A famosa nova classe média brasileira, segundo a manchete de domingo do caderno ‘Mercado’, da Folha de S. Paulo, simplesmente desapareceu. O artificialismo do PT já perdeu sua força de compra .

COPA

Do poeta Ferreira Gullar que se prepara para ser imortal, numa síntese exata e perfeita da tragédia da Seleção Brasileira nesta Copa: ‘Não é título que ganha jogo e, sim, jogando é que se ganha o título’.

DIÁRIO

De Albert Camus, anotação do Diário de viagem ao Brasil, dia 15 de julho de 1949: ‘Os motoristas brasileiros são alegres e loucos ou frios sádicos. A confusão e a anarquia deste trânsito só são compensadas por uma lei: chegar primeiro, custe o que custar’. Não melhoramos 65 anos depois.

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