E a fala do PMDB?

Talvez estejamos todos enganados, caídos no vício maniqueísta do jogo do bem contra o mal, e, por isso, passamos a…

Talvez estejamos todos enganados, caídos no vício maniqueísta do jogo do bem contra o mal, e, por isso, passamos a viver esperando que a retórica espelhe diferenças e não semelhanças nos embates políticos. Ou, então, não somos culpados tanto assim e só refletimos, agora muito mais fortemente na tela da tevê e seu marketing eletrônico, a velha tática de desconstruir o adversário para erguer, sobre as suas cinzas, a fala do bem dos que defendemos como se a bondade fosse uma propriedade de alguns.

O fato é que algo tem faltado ao gosto dos que olham a cena e tentam sentir os condimentos de que é feito o sabor relevante da fala pemedebista à mesa da sucessão estadual. Qual será o timbre nos jogos dos atos retóricos?

Renegaria seu próprio passado de três anos ao lado da governadora Rosalba Ciarlini em nome da cômoda oposição? Ou a dicção seria feita, por coerência, da plasticidade escapista daquele velho e cansado discurso desenvolvimentista para o bem do povo do Rio Grande do Norte?
Não bastasse a lição de Millôr Fernandes – Livre pensar é só pensar! – a simples curiosidade já seria o bastante para garantir o direito de indagar.

Afinal de contas se há um rompimento como alegam os pemedebistas, nada mais justo do que vê-los e ouvi-los justificando a impossibilidade de tão grave convivência. Ou terá sido a intolerância súbita, intensa como as paixões que de repetem desabam sobre velhos conhecidos, como se o desejo de um pelo outro estivesse escondido em algum lugar da alma?

Não sei Senhor Redator. Não sei. Penso que a política é feita mais de artimanha do que de arte no seu mister engenhoso de conquistar corações e mentes. Foi-se o tempo que era honroso ter um líder a vida inteira, como nas lutas da UDN e PSD. Agora, não. Vivemos o primado do feio é perder, daí as alianças que consagram os trânsfugas. Juntar ou separar é questão de conveniências e inconveniências de acordo com cada cenário que os interesses montam e desmontam em função da busca pelo poder.

Qual será a fala do PMDB, agora que rompeu, anunciou candidato próprio e prometeu ir às ruas com a bandeira da oposição? A quem e a que, Senhor Redator, se são tão iguais em tudo, no ontem e no anteontem, no hoje e no amanhã? Dirão que tudo fizeram? Mas como, durante tanto tempo, três anos, quase o governo todo? E se na prática não parecem rompidos, como será para amanhã inventar uma ira, como se de repente tudo que antes fascinou tiver deixado de fascinar em tão breve tempo?

Talvez os nossos olhos e ouvidos estejam viciados nas velhas lutas que no passado fizeram o enredo de nossas vidas, nossa razão de viver. E hoje, órfãos daquelas lutas, surdos e mudos, em vão procuramos um novo sentido para a vida política. Parece que não é mais uma luta no desenho antigo do risco sobre o bordado. Esse tempo passou. Talvez seja o jogo da arte de não jogar, como nos laços poéticos de David Laing: É preciso jogar o jogo deles, o jogo de não ver o jogo que eles jogam. Será?

 

DESAFIO – I
O marketing oficial, depois dos limites impostos pela nova lei que proíbe o culto à personalidade está diante de um desafio: só serão essenciais se o governante compartilhar seu poder com a comunidade.

EFEITO – II
Sem culto à personalidade o governante vai precisar aprender a ouvir os governados, dividir a decisão com a sociedade e a seu lado cumprir os desejos coletivos. O velho governante-artista vai sair de cena.

COCHICHO
Um vereador governista segredava na manhã de ontem a um colega de bancada nos corredores ainda silêncios da Câmara: a secretária Virgínia Ferreira vai pedir licença para fazer um tratamento de saúde.

MAS…
O outro completou: ‘Soube que anda muito estressada nas últimas semanas, mas seu estresse nasceu lá mesmo, no jogo de poder municipal’. E acrescentou, irônico: ‘O prestígio de Virgínia já não é total’.

PRÍNCIPE – I
Os direitos autorais do Pequeno Príncipe que em 2013 completa 70 anos – foi escrito em Nova Iorque em 1943 – cairão em domínio público no mundo a partir de 2015, menos na França e Estados Unidos.

RECORDE – II
Como livro, é o mais vendido depois da Biblia com uma cifra de 143 milhões de exemplares em 230 línguas e dialetos. Os originais pertencem à Biblioteca Morgan, de Nova Iorque, onde serão expostos.

FESTA – III
O livro de Saint-Exupéry será tema de exposições no mundo inteiro, mas a maior delas será montada pela Unesco, em Paris, a partir de 27 de abril. E será tema de ópera encenada em Lausanne, na Suíça.

RIGOR
O prefeito Carlos Eduardo Alves já recomendou à Secretaria de Obras Públicas todo rigor técnico na fiscalização das obras da mobilidade e evitar qualquer tipo de dúvida nas suas execuções. E fez bem.

VIP
Aos cuidados do jet-set natalense: saiu a edição 2014 do Guia Vip de Estilo. Pela ninharia de R$ 30,00 o homem do soçaite fica sabendo o nome certo de cada parte do sapato, meias, ternos, gravata e fraque.

ADEUS – I
Wolks fabricou 1.200 Kombis e mandou para Tatuí, 141 Km de São Paulo, onde foram maquiadas no modelo saia-e-blusa (duas cores) e publicou o anúncio-testamento para os seus 56 anos de produção.

ÍCONE – II
A chamada Last Edition, ou última edição, mantém o sentido do carro sem vaidade, que sempre foi seu grande apelo de venda: o carro útil. As 1.200 unidades do adeus serão vendidas nas lojas a R$ 85 mil.

KOMBI – III
É o primeiro modelo fabricado pela Wolks no Brasil e é esta explicação do nome, segundo a fábrica: é a abreviação do termo alemão Kombi-nationsfahrzeug. Em português quer dizer ‘veículo combinado’.

SERROTE
Nas livrarias o número 15 de Serrote, a revista ensaios e idéias do Instituto Moreira Sales com textos de autores nacionais e estrangeiros. Considerada hoje a mais requintada publicação literária brasileira.

POESIA
Muito bem cuidada a edição da ‘Poética’ de Ana Cristina Cesar pela Companhia das Letras reunindo seus livros de ‘Cenas de Abril’ (1979) a ‘A Teus Pés’, além de inéditos, dispersos e sua grande prosa.

Compartilhar: