E Messi chegou lá – Alex Medeiros

Aquela hashtag #NãoVaiTerCopa sumiu do mapa internético, serviu para zoar com os petralhas e hoje me parece bastante adequada para…

Aquela hashtag #NãoVaiTerCopa sumiu do mapa internético, serviu para zoar com os petralhas e hoje me parece bastante adequada para jogadores como Neymar, Cristiano Ronaldo, Xavi, Robben, Balotelli, Benzema, Luis Suarez e outros craques já fora da Copa.

Porque a Copa foi acabando para eles todos, cada qual ao seu tempo da tabela da FIFA, restando no final, e na final, os aplicados jogadores alemães e o maior craque vivo da história desde o rei Pelé. A Copa não acabou para Lionel Messi, que vai disputar a taça de campeão, traumatizando mentes odientas e invejosas.

A seleção da Argentina foi chegando devagar, galgando degraus na liderança e na aura do gênio de Messi, estrela solitária de um time nada espetacular, mas que tinha a consciência tática de enfrentar cada adversário com uma forma de jogo adequada para a realidade que urdia.

E enquanto outros craques foram ficando pelo caminho, uns tomando avião para casa e outros tomando remédio e conselhos psicológicos, Messi foi avançando com um gol aqui, outro ali, e sendo eleito, quatro vezes seguidas, o melhor jogador das partidas, algo inédito nas copas (ele é especialista em estabelecer ineditismos).

O time de Sabella foi passando pelos adversários, e a cada passada uns mil brasileiros cutucavam nas redes sociais: “os hermanos ainda não enfrentaram time grande”. E veio a Suíça com seu estilo ferrolho, e veio a Bélgica com sua técnica que encantou a Europa, e veio a Holanda, a eterna sensação das copas. E a Argentina passou.

O dia da classificação à final não poderia ser tão repleto do clima dramático que marca a essência e a alma do povo vizinho. Havia um jornalista morto, amigo dos jogadores, numa situação mais que grotesca. Havia um mito argentino, Di Stefano, sendo velado na Espanha. E havia um país com a economia destroçada e fazendo do seu feriado da Independência uma redenção momentânea transferida na seleção.

A Argentina passou pela Holanda na sempre dramática disputa de pênalti, os jogadores em passo de ânsia e medo pelo futuro melancólico do erro. A essência de um tango triste nos pés de heróis da bola. E lá foi Messi, o símbolo do grupo, a fonte de toda esperança, caminhando para o primeiro tiro, os passos no ritmo dos corações hermanos.

Ele e o goleiro holandês, alto e louro. O pequeno craque latino diante não apenas de uma trave, mas diante da história do seu tempo. Sozinho, no corpo cansado e na alma resistente que se faz matéria para superar seus monstros. Como no poema de Jorge Luís Borges: “tua matéria é o tempo, o incessante tempo. E és cada solitário instante”.

Messi abriu o caminho para os companheiros, o goleiro Romero, antes desacreditado, fechou para os holandeses. E a Argentina chegou na final da Copa do Brasil, nada mais significativo para confirmar sua glória já consagrada pelo resto do mundo. Ele iniciou o torneio marcando um gol no mítico Maracanã e vai encerrá-lo no mesmo templo dos ícones brasileiros.

Foi sua essência o elemento psicológico e espiritual que empurrou a seleção alviceleste para a final, vinte e quatro anos depois da última vez, que foi exatamente contra a Alemanha. De novo, o time germânico é favorito com sua força coletiva contra o brilho solitário de um craque (em 1990 era Maradona).

De novo, os argentinos podem perder. Mas, de novo, é preciso citar Borges: “Há derrotas que têm mais dignidade do que a própria vitória”.

A história do povo argentino é cheia disso. (AM)

Jogo feio

Argentina e Holanda travaram uma batalha tática durante 120 minutos. Um jogo de xadrez com os movimentos de peças feitos entre o cuidado e o medo mútuos. Foi feio aos olhos do torcedor de Copa, mas necessário aos objetivos das duas equipes.

A final

Vai ser uma disputa entre a qualidade coletiva da Alemanha e a individualidade de Messi e seus companheiros. A imprensa espanhola já está chamando o jogo alemão, após a goleada no Brasil, de “tiki taken”, alusão ao “tiki taka” da Espanha em 2010.

Invasão

O empresário Sergio Cirne, presente ao Itaquerão, me avisou no WhatsApp: “invasão argentina em São Paulo”. E se já há quase 100 mil hermanos em solo brasileiro, devem chegar mais outros milhares até domingo para o jogo histórico no Rio de Janeiro.

Invejão

A pachecada foi ao Itaquerão torcer pela Holanda, como se não fosse o time laranja um costumeiro carrasco do Brasil em copas. Agora, a lógica dos pachecos é que a Argentina venceu nos pênaltis para não ter que enfrentar a seleção de Felipão no sábado.

Nobel

O presidente uruguaio José Mujica agradeceu a indicação do seu nome para o Nobel da Paz, feito por ongs holandesas. E disse que o prêmio deverá ser dado ao papa Francisco. Em assim sendo, será então o sexto prêmio Nobel para um personagem da Argentina.

Neymar

O jornal Marca, de Madrid, publicou hoje o que seria o comentário do craque Neymar quando a Alemanha disparou a fazer gols no Brasil. Repousando em casa, o rapaz teria dito: “Não quero mais ver essa merda, vamos jogar pôquer”. E foi para o vídeogame.

A Euroliga

Saiu o sorteio das chaves da Liga da Europa 2014/2015, tendo em destaque um grupo da morte com Barcelona, Bayern de Munique, Panathinaikos e Fenerbahce. O Real Madrid pegou no grupo A o que se pode chamar de “baba”, só times medianos.

Azar

O Brasil governado pelo PT há 12 anos viu o futebol nacional perder 3 Copas e 3 Olimpíadas, e tendo que suportar dois ouros da Argentina e ainda essa final no Maracanã. E aí os petralhas querem dizer que o azar disso tudo é do Mick Jagger?

Vaias

Os desaforos contra Dilma Rousseff voltaram no Mineirão com o vexame do time de Felipão. Foram três minutos de vaias e palavrões (aqueles mesmos) que foram filtrados nos microfones das TVs. Será que a “Vana Fuleco” vai entregar a taça ao campeão?

Vaias II

Numa altura dessa, depois da vergonhosa goleada e dos apupos mineiros, o melhor para Dilma é convidar suas colegas Cristina Kirchner e Ângela Merkel para que uma delas entregue a taça FIFA para o seu respectivo time se vencer a parada no Maracanã.

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