E Natal em 2015?

Diga-se assim, Senhor Redator, para não se ser grosseiro: os governos são as mais descaradas escolas de promessas. Como é…

Diga-se assim, Senhor Redator, para não se ser grosseiro: os governos são as mais descaradas escolas de promessas. Como é fácil para quem governa, quando não para quem lhe seva os graciosos caprichos, anunciar idéias e planos. O artifício até gerou uma figura de retórica: quando se quer levar a idéia de algo presumivelmente falso, basta marcar a frase por um ‘ah, isso é coisa de governo’. A partir daí, já se sabe, como verdade dita e pronta, que jamais a promessa será realizada. Nem adianta esperar.

A sensação do artifício que se repete a cada tempo veio de novo outro dia quando a pretexto de procurar alguns dados sobre a Natal dos fins do século dezenove e começos do século vinte. Fui por os olhos no volume ‘Surge et Ambula’, edição da UFRN, 2006, reunindo estudos sobre a cidade entre os anos-limites de 1890-1940, sob a organização dos professores Angela Lúcia Ferreira e George Dantas. Com os seus colaboradores imbuídos da melhor e mais justa fé, entre ensaios, notícias e fotografias.

Graças ao livro, pude reencontrar, entre grifos que risquei como marcas de leitura há uns bons treze anos, logo que foi lançado, o ensaio de Alexandro Ferreira Cardoso da Silva – ‘Uma cidade para o futuro – o discurso do progresso na estruturação urbana de Natal’. Arquiteto e mestre em arquitetura, à época, o texto é um valioso e sintético levantamento de como a cidade foi pensada ao longo de cinquenta anos, com foco nas idéias de progresso urbano de Manoel Dantas, pioneiro nesse campo.

E tudo, para bem circunstanciar, por lá se encontrar um bom registro do Plano Natal 2015, de 1998, nascido de grupo de trabalho multidisciplinar ‘incentivado e apoiado pela Prefeitura Municipal de Natal, dividido em comitês temáticos, relacionados aos principais desafios que Natal irá enfrentar no próximo século através de técnicas de gerência administrativa buscando incentivar as vocações da cidade’. Tudo bem dividido em duas áreas: Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Social.

As idéias do documento oficial são irreprimíveis. Uma cidade com a cuidadosa antecedência de se planejar para o desenvolvimento ideal da sua região metropolitana, fixando critérios para incentivar indústrias não poluentes; o desenvolvimento do turismo e o comércio valorizador do desenvolvimento social sustentado. E o que teria ficado desse belo sonho? Papel, Senhor Redator. Ou melhor: planos e planos nos papéis que hoje devem dormir nos arquivos bolorentos de alguma repartição municipal.

Aliás, avançar para o futuro numa Natal preparada a enfrentar o terceiro milênio, foi um sonho de Manoel Dantas em 1909, portanto, há mais de um século. Um sonho tão teimosamente persistente que um ano depois daquele 1998, com o ‘Natal 2015′, nasceu das férteis entranhas oficiais outro plano: ‘Natal rumo ao terceiro milênio’. Hoje, no décimo-quarto ano do novo século, o que vivemos é o legado da Copa: canteiros gramados, meios-fios caiados e a promessas de uma nova Natal. Helàs!

 

SONHO – I

A deputada Fátima Bezerra anuncia a saída, segunda-feira, dia 2, com concentração no Pé do Gavião, do seu bloco Sonífera Ilha. Chega, pelo menos um dia, de tanta lucidez. É bom sonhar com o Senado.

HOJE – II

À noite, nos salões do La Mouette, Candelária, o concurso de miss escolhe a mais bela natalense. E tem também a eleição do mais belo homem, o Mister Natal. É, vivemos assim, entre glúteos e bíceps.

MAS – III

Os nossos políticos não verão nada disso. Já tomaram os seus vôos e estão hoje em Miami, Londres, Bilbao, Paris e Amsterdã. E ficam longe, descansando, até que se apaguem da testa os sinais da cinza.

MAESTRO

É como alguns observadores da cena política chamam o deputado Henrique Alves pela habilidade na orquestração em torno de sua forte candidatura ao governo. Não tem mais vaga nem de zabumbeiro.

AVISO

O vice Robinson Faria continua candidato a governador. Mas só se até lá conseguir manter firma a sua bancada, do PSD. Se depender do PMDB ele volta a deputado estadual e pode presidir a Assembléia.

OUVIDO

A deputada Fátima Bezerra sabe do que ouviu do PMDB. Das vantagens para adiar seu heroísmo por algum tempo. Heroísmo que o deputado Fernando Mineiro não parece disposto a tentar pra ser federal.

SERTÃO

A poetisa Marize Castro concluiu o texto de sua tese de doutorado sobre Oswaldo Lamartine na UFRN e será defendida ainda neste semestre. O que valoriza o sertão de Oswaldo agora no mundo acadêmico.

ESTILO

É discreto e de estilo quase franciscano o novo bispo de Caicó, Dom Antônio Cruz Santos. Ele é frade da Congregação do Sagrado Coração e deve enfrentar uma Diocese ainda com redutos quase privados.

DICA

Ficou fácil para o secretário da saúde de Natal, Cipriano Maia, reabrir o posto de saúde que fechou na Zona Norte: conseguir um show a menos durante nas folias de Momo. Mas precisa ter muito prestígio.

LIVRO

A Fundação José Augusto vai editar ainda este ano o livro ‘Bandeiras, Hinos e Brasões’ dos 168 municípios do RN da professora Anadite Fernandes Silva. Pesquisa iniciada há quase quarenta anos.

SABOROSO

Pronto, prontíssimo, o ‘Guia prático, histórico e saboroso’, do bairro de Petrópolis, de Gustavo Sobral e com ilustrações suas. Vai ser lançado durante a feira de arte da Pç das Flores. Quando abril chegar.

AMOR

É o tema de capa da edição de fevereiro da revista Continente editada pelo governo de Pernambuco e que circula mensalmente há 158 números. Na pauta, uma matéria especial sobre a história da tapioca.

E…

Se a Prefeitura de Natal que já faz festa, festejo e tertúlia há um ano, também cancelasse a despesa com esse tal de Fan Fest, o que poderia perder esta mui heroica Ciudad de los Reys que já perde tanto?

ALIÁS

Numa coisa a Prefeitura foi impecável: na confecção da coroa do Rei Momo. É portentosa e dourada como deve ser a coroa de um rei. É pena que esse reinado da danação dure tão pouco e custe tão caro.

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