E o G-10?

O que se conhece do G-10, o grupo de dez pequenos partidos, reunidos em torno não só de uma sigla…

O que se conhece do G-10, o grupo de dez pequenos partidos, reunidos em torno não só de uma sigla sonora, além do empenho do senador Paulo Davin na sua elegância de sempre, mas hoje tocando o desejo plural de uma dezena de grupos aliados do PMDB? A simples soma dos seus tempos de tevê, em torno de três a quatro minutos, trocados por ficha para o jogo de poder consolidando uma declarada hegemonia eleitoral em busca de conquistar mais espaço na Prefeitura de Natal e Governo do Estado?

Ao longo dos dois últimos meses a formação do bloco de dez pequenos partidos sob inspiração do PV foi a única articulação a fugir da cobertura política. A não ser uma nota nesta coluna e ainda em fevereiro, quando o grupo não era identificado como G-10, foi a única indicação de que se formava ao lado do deputado Henrique Alves uma força para evitar que as pequenas siglas se dividissem e fossem na direção da oposição ao PMDB, um silêncio tal que garantiu o sucesso e a eficiência da articulação.

O dado, por si só, revela o chapão que vem sendo montado pelo PMDB, acima e abaixo de toda e qualquer identificação partidária e muito menos ideológica. O que caracteriza o acordão é a união de fortes e fracos não em torno de um programa partidário de coalização voltado para abrigar as grandes linhas de cada partido, mas de formação de uma força absoluta e hegemônica que tem como objetivo a conquista do poder, mesmo que depois venha a ser todo fatiado por cerca de quinze siglas partidárias.

Essa definição é o traço que caracteriza a formação do acordão capaz de reunir grandes forças políticas claramente excludentes entre si: uns, os aliados absolutos do governo Dilma Rousseff, como o PMDB e PSD; outros, adversários ferrenhos – DEM e PSDB – e com um objetivo único: a conquista do poder. Modelo vitorioso nos anos oitenta durante os governos Tarcísio e Lavoisier Maia e que uniu Maias e Alves, conhecido como a Paz Pública, e depois devorado pela ambição dos próprios parceiros.

Ainda muito cedo os dez pequenos partidos do G-10 concluíram que sucumbiriam vítimas do abandono se insistissem em candidatura própria ou se fossem aliados do lado fraco. Discretamente, aqui e em Brasília, trataram de formarem um grupo e um pacto: ficariam unidos e aliados do PMDB sem que ao mesmo soubessem o candidato que apoiarão – sequer ainda foi escolhido – sua tradição de postura política e seus compromissos públicos, arrimados apenas nas fatias que ganharão no governo.

O G-10 tenha ou não consciência do papel político que passou a desempenhar na campanha de 2014, acabou tendo o destino pouco confortável de parecer uma estranha escola de formação política na base do levar vantagem em tudo, pondo em prática a famigerada Lei de Gerson. Sem um programa de coalização que justifique a reunião de tantos programas conflitantes entre si e posto a reboque dos seus superiores, subalternizaram a ação política como se fosse algo pessoal, passável por procuração.

 

OK

Tudo certo na aliança do PDT do prefeito Carlos Eduardo Alves com o PMDB do primo Henrique. Mas anúncio espera data própria a ser escolhida por Carlos. Até para evitar uma coletiva tipo ‘chapão’.

TESTE

Os próceres mais especuladores lançavam ontem um teste de confiança que pode ser feito: se Agnelo Alves aceitar ser vice, prova que acredita na vitória. Mas, se preferir a reeleição de deputado estadual?

VOZES – I

O PMDB vem se mostrando nos últimos tempos um partido de muitas vozes, uma disfunção palavrosa que pode acabar sendo problema para o seu candidato ao governo. Henrique ou Fernando. Tanto faz.

DETALHE – II

A tagarelice pemedebista já chegou ao cúmulo da sinceridade pública e só benéfica ao papa Francisco por sua boa fé intocável, ao reconhecer que PMDB está nas mãos de Wilma. Confissão inimaginável.

ALIÁS – III

Eleito, o governador – seja quem for, do PMDB ou o adversário – terá dois caminhos: assumir o papel ‘de eu sei governar’ ou ouvir a sociedade. Os tempos não andam favoráveis a imperadores de plantão.

DÚVIDA

A empresa indicada pelo Sinduscon para recuperar o viaduto do Baldo tem obras da mesma natureza técnica no seu acervo de experiências? Se tem, ótimo. Se não tem é bem estranho o gesto do sindicato.

ELOGIO

Sejamos justos: bom, não, impecável o anuncio do Governo Rosalba Ciarlini sobre o banco de córneas promovendo o sonho das pessoas voltarem a enxergar. No limite, sem a pieguice excessiva e copiosa.

SIGILO – I

Exemplar a decisão do desembargador Virgílio Macedo suspendendo o sigilo em torno das ações sobre a aplicação de vergas da Ativa envolvendo a ex-prefeita Micarla de Souza e o deputado Gilson Moura.

MAIS – II

A não ser na fase de investigação, e assim mesmo com uma rigorosa e justificável aplicação, o sigilo em torno de dinheiro público rouba da sociedade o direito legítimo de saber dos males que lhe causam.

VIAGEM

Genibaldo Barros e Lalinha afivelam malas para uma viagem a Fátima e outros santuários portugueses. Genibaldo vai pedir perdão pelos pecados e levar as orações para acalmar Haroldo Bezerra. Faz bem.

DESTAQUE

O RN duas vezes notícia na edição da revista ecológica Horizonte: o sítio arqueológico Abernal, em Serra Negra do Norte; e o cajueiro de Pirangi, na matéria sobre a força econômica do caju nordestino.

ESTILO – I

Nos 100 anos da Liga de Ensino que ele fundou proibiram a Medalha Henrique Castriciano criada pela própria Noilde Ramalho, uma atitude deselegante contra um homem morte e sem ter direito de defesa.

ESTILO – II

Nos 100 anos da Escola Doméstica que ele criou não merece homenagem de verdade com a memória sepultada pela efusão de madames ex-alunas sob o silêncio conivente de quem deveria cobrar respeito.

ESTILO – III

De tudo, em razão dos 140 anos de nascimento, data lembrada por esta coluna, ganhará uma missa dia 15, amanhã, 17h, na igreja S. Terezinha. Os donos da Liga pelo menos não lhe negam a piedade cristã.

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