É tempo de incerteza

O desenho do cenário econômico – o de hoje e a perspectiva do amanhã – desfavorece o projeto de reeleição…

O desenho do cenário econômico – o de hoje e a perspectiva do amanhã – desfavorece o projeto de reeleição de Dilma Rousseff. Mas, para aliviar as tensões no Palácio do Planalto, persiste a inexistência de beneficiários da situação que subtrai apoios à presidente da República.

Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), principais oponentes da recandidata do PT, continuam com (quase) os mesmos índices de intenção de votos apurados no meado de fevereiro e segunda quinzena de março. Randolfe Rodrigues (PSOL), possivelmente o terceiro postulante mais representativo da oposição, ainda não foi avaliado, oficialmente, pelos institutos de opinião.

Por que a expectativa sobre o futuro próximo escurece o palanque da senhora Rousseff?

Simples, a política econômica ditada por Dilma e aplicada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, perdeu a confiança do mercado, dos políticos e dos cidadãos.

Fica difícil ao pressionado marketing chapa-branca ‘vender’ a imagem de boa administradora, quando a governante gerencia erroneamente a República. A inflação derruba o valor dos salários, e a taxa de juros, com a colaboração da deficiente infraestrutura nacional, encarece os custos de produção. O desemprego é uma ameaça escondida nas sombras.

Para todo gosto

Estava previsto para hoje, no Senado (*).

O presidente Renan Calheiros (foto), do PMDB de Alagoas, anunciaria a CPI Três em Uma.

Além das malandragens flagradas na Petrobras, trataria também das que envolvem Alston (metrôs de São Paulo e Brasília) e Porto de Suape (Pernambuco).

Calheiros, incentivado pelo Palácio do Planalto, estaria disposto a instalar uma ampla Comissão Parlamentar de Inquérito. Colocaria na poltrona dos inquiridos legendas do governo (PT, PP e PMDB) e da oposição (DEM, PSB e PSDB).

(*) A coluna foi fechada às 10h17 desta quarta-feira.

É preciso mais?

Uma questão com o devido embasamento.

Três representantes do bloco ‘quase anônimos’ da Câmara – popularmente conhecido como a turma do baixo clero – conversavam ontem, início da noite, sobre o escândalo protagonizado pelo vice-presidente André Vargas (PT-PR) e coadjuvado pelo doleiro Roberto Youssef.

Embora nenhum integrante do trio, no primeiro “e decepcionante mandato”, como afirmam, tome a iniciativa, os estreantes esperam que a oposição encaminhe o caso ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, “para a devida apuração dos fatos”.

À parte a amizade de Vargas com Youssef, caso de âmbito da individualidade, o grave é que o deputado confessa o ‘presente’ que lhe fora dado pelo suspeito empresário preso na Polícia Federal.

O político paranaense confirma a viagem, do interior de seu estado à Paraíba, em jatinho pago pelo doleiro, de quem se diz amigo há duas décadas.

- Fosse agora a decisão das urnas, o senador Eduardo Braga (PMDB) voltaria ao governo do Amazonas. Ganharia no primeiro turno.

- A Federação Nacional dos Policiais Federais informa: amanhã, nova auditoria na segurança dos aeroportos. Parlamentares foram convidados para acompanhar a fiscalização.

- O PP de Paulo Maluf ajudou a eleger Fernando Haddad (PT) prefeito de São Paulo, em 2012. O deputado leva o seu partido, dois anos depois, para o palanque do governador (recandidato) Geraldo Alckmin (PSDB).

- Norte-rio-grandenses sofrem dos políticos, mas reagem com humor. Trio Maravilha é o batismo dado, por piadistas de público certo, à chapa majoritária da oposição. Henrique Eduardo Alves (PMDB), governador; João Maia (PR), vice; e Wilma de Faria (PSB), senadora.

- Quatro ministros do Superior Tribunal de Justiça entram, neste ano, no calendário de aposentadorias compulsórias. Lista: Ari Pargendler, Arnaldo Esteves, Gilson Dipp e Sidnei Beneti.

- Para refletir: “Aprendo, pouco a pouco, a ser só; e isso já é alguma coisa, uma vantagem” (Frida Kahlo, pintora surrealista mexicana).

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